terça-feira, 23 de maio de 2017

A Inquietante Arte Erótica de Nadia Lee




Nadia Lee Cohen (nascida em 15 de novembro de 1990) é um fotógrafa de arte e cineasta britânica. Ela se inspira no cinema inglês e americano dos anos 50,60 e 70... 





Em 2011, Lee Cohen entrou na London College of Fashion e começou a estudar fotografia.  Ela cita "The Birds" de Hitchcock; "Blue Velvet" de David Lynch; "Gummo" de Harmony Korine; "Pink Flamingos" de John Waters e "The Shining" de Stanley Kubrick entre suas inspirações iniciais.



Obcecada pelo capitalismo, publicidade, moda e mitologia Hollywoodiana, Nadia Lee usa sua influência cinematográfica ( que inclui Marilyn Monroe,Terry Gilliam, Russ Meyer e Divine...) para criar suas fotos. 






Essencialmente o cinema é o grande recipiente de toda a cultura pop decadente, alienada e rarefeita... Esse é o tom de suas imagens, nas quais as  modelos seminuas (muitas vezes a própria artista!) posam com os olhos vazios e rosto morto, embrulhadas num cenário colorido e artificial que contrasta com suas expressões aturdidas e cheias de desejos...consumistas e vazios... 



























































Mais sobre a artista e sua arte bizarra em :http://www.nadialeecohen.com/

sábado, 13 de maio de 2017

A Mãe de Frankenstein!



A história do dr. Victor Frankenstein e da monstruosa criatura por ele concebida vem fascinando gerações desde que foi publicada há quase duzentos anos. Brilhante história de horror e ficção científica, escrita com fervor quase alucinatório, Frankenstein, o livro, nasceu como Frankenstein, o monstro — entre trovões no salão de um antigo castelo. A jovem chamada Mary tinha apenas 18 anos e, sem saber, mudou o rumo da literatura...

A Gênese de Frankenstein:


Em maio de 1816, Mary Godwin e  Percy Shelley, viajaram para Genebra com Claire Clairmont (sua irmã adotiva), onde planejavam passar o verão com o poeta Lord Byron- cujo caso recente com Claire a tinha deixado grávida. O grupo chegou em Genebra em 14 de maio de 1816, onde Mary passou a se chamar "Sra. Shelley". Byron se juntou a eles em 25 de Maio com seu jovem médico, John William Polidori,  e alugou a Villa Diodati , perto do Lago de Genebra na vila de Cologny; Percy Shelley alugou uma pequena construção chamada Maison Chapuis, próximo à margem do rio.  Os dias eram passados escrevendo e conversando ou, quando o tempo permitia, com longos passeios de barco. Porém, o mau tempo daquele “ano sem verão”, uma anormalidade climática provocada por uma série de erupções na Indonésia, obrigava-os muitas vezes a permanecer dentro de casa, conversando junto à lareira da até altas horas da noite.

"Este verão mostrou-se húmido e desagradável, e a chuva incessante obrigou-nos a ficar muitas vezes fechados em casa”, escreveu Mary Shelley em 1831.

201 anos atrás, na noite de 16 de Junho de 1816, o grupo de escritores e intelectuais se reuniu na Villa Diodati...




                                    A vila Diodati hoje, e acima, na época de Mary Shelley...


"Foi com certeza um verão molhado,", Mary Shelley relembrou em 1831, "a chuva incessante, muitas vezes confinou-nos dias dentro de casa". Entre outros assuntos, a conversa virou-se para as experiências do filósofo natural e poeta Erasmus Darwin do século XVIII, que disse ter animado matéria morta, e do galvanismo e a viabilidade de retornar à vida um cadáver ou partes de um corpo. Sentados em torno de uma fogueira na Villa de Byron, os companheiros também se divertiam lendo histórias alemãs de fantasmas, fazendo com que Byron sugerisse que cada um escrevesse o seu próprio conto sobrenatural.





 Influenciada por leituras de histórias de fantasmas alemãs e francesas ( principalmente o volume "Fantasmagoriana, or Collecting of the Histories of  Apparitions , Spectres, Ghosts, etc."), a jovem Mary Shelley criou a história de Frankenstein . A inspiração veio em um sonho-acordado, uma ideia que lhe assombrou entre 2 e 3 da manhã de 16 junho de 1816, durante uma noite tempestuosa.


 Segundo suas próprias palavras, Mary "viu" nessa noite a cena central de sua história: o jovem cientista apavorado diante da grotesca criatura a que acaba de dar vida. Seu conto começava com a frase: "Era uma noite lúgubre de novembro...", que na versão definitiva do romance corresponde à abertura do capítulo V, justamente aquele em que se narra o momento em que a criatura de Frankenstein ganha vida...



No prefácio da terceira edição de Frankenstein, Shelley descreveu uma festa na moradia em Diodati: Lord Byron, Percy Shelley, ela mesma e o médico de Byron Polidori, e o famoso desafio de Byron de que cada um deles começasse uma história de fantasmas.  Os dois poetas logo perderam o interesse. Polidori pegou uma idéia de Byron e muito mais tarde lançou outro gênero com um thriller gótico chamado The Vampyre. Mary também descreveu sua repetida incapacidade de chegar a uma ideia até um momento de inspiração durante uma noite sem dormir em seu quarto escuro, atrás de persianas fechadas "com o luar lutando para passar".

E então, ela continuou: "Eu vi com os olhos fechados, mas a visão mental aguda - vi o estudante pálido de artes desumanas ajoelhado ao lado da coisa que ele tinha montado. Eu vi o fantasma hediondo de um homem esticado, e então o funcionamento de algum motor poderoso, mostram sinais de vida ... "





Assim, a versão de Shelley dos acontecimentos é apoiada por evidências. Byron provavelmente fez seu famoso desafio de história de fantasmas em algum lugar entre 10 e 13 de junho de 1816. Em 15 de junho, segundo Polidori e Mary Shelley, durante a festa se falou sobre o "princípio" da vida. O monstro e o cientista atormentado foram sonhados nas pequenas horas daquela noite.



Em 1975, Radu Florescu, professor de História (perito em história da Romênia e da Europa Oriental, autor de " "Em Busca de Frankenstein: O Monstro de Mary Shelley e Seus Mitos", e co-autor ( junto com Raymond T. MacNally) de "Em Busca de Drácula e Outros Vampiros") no Boston College, em Massachusetts (Estados Unidos), fez uma revelação: Mary Shelley teria se inspirado na história do dr. Konrad Dippel (1673-1734).




 O alemão Johann Konrad Dippel foi um alquimista, químico e médico famoso por ter inventado, por acaso, o ácido cianídrico. Ele tinha duas idéias fixas: fabricar ouro a partir de metais inferiores  (a "Pedra Filosofal") e dar vida a defuntos. Dippel foi expulso de Estrasburgo, acusado de exumar corpos "para bizarras experiências anatômicas". Inescrupuloso e determinado, rodou por diversos países da Europa, quase sempre bancado por nobres que ele tratava, ou prometia grandes descobertas e fortunas a partir de seus experimentos. 
  Outra coincidência: Dippel tentou de todas as formas, comprar ou tomar posse do castelo aonde ele nasceu e morou durante muitos anos...o castelo de uma família chamada Frankenstein!  Quando se matriculou na Universidade de Giessen, Dippel registrou-se lá como Johann Konrad Frankensteina (procedente da estrada da montanha Frankenstein)...

 O Castelo Frankenstein existe até hoje, e suas ruínas ficam no distrito de Bergstrasse, Hessen, Alemanha. 




A Família Frankenstein é uma das mais antigas da Alemanha, sua história tem mais de mil anos. O nome significa "castelo ou rochedo dos Francos", e se origina na poderosa tribo germânica que também deu seu nome a França. A história da família é cercada de lendas, como a do cavaleiro Georg von Frankenstein, que em 1531, teria matado um terrível dragão que assolava a vizinhança, mas teria morrido vítima do veneno do monstro (possivelmente uma grande cobra venenosa...).
Outro fato curioso pesquisado por Radu Florescu em seu livro, foi a de um dos Frankenstein, que se juntou a ordem dos Cavaleiros Teotônicos, e teria lutado na Romênia contra o príncipe da Valáquia Vlad Tepes/Drácula ! Diz Florescu: "Não é de fato impossível que o Drácula histórico tenha encontrado um Frankenstein real numa batalha em Bran ou em outra fortaleza da Transilvânia (um Frankenstein pode ter encerrado sua carreira numa estaca de Drácula!)."    




                                                Cartão postal com o Castelo Frankenstein



Mary e Percy Shelley visitaram o castelo alguns meses antes dela começar a escrever a obra que a eternizaria...




                                                    Ruínas do Castelo Frankenstein




                                  Porta da masmorra do Castelo Frankenstein


Mas, quem foi a jovem Mãe de Frankenstein?




Mary Wollstonecraft Godwin ( Londres, 30 de agosto de 1797 — Londres, 1 de fevereiro de 1851) foi filha do conhecido filósofo e romancista William Godwin (um dos precursores do movimento Anarquista) e da pedagoga, escritora, e uma das fundadores do movimento de emancipação feminina, Mary Wollstonecraft.




Sua mãe morreu dez dias depois de  lhe dar á luz, e o trauma de não a ter conhecido acompanhou Mary por toda a vida. 
 William Godwin deu à sua filha uma rica e informal educação, encorajando-a a aderir às suas teorias políticas liberais. Em 1814, Mary Godwin conheceu um jovem seguidor político de seu pai, o ateu, libertário e casado Percy Bysshe Shelley.  Cinco anos mais velho do que ela, foi amor à primeira vista. Reza a lenda que o primeiro encontro entre os dois aconteceu junto à tumba da mãe de Mary, no Cemitério de St. Pancras, em Londres.

  Começaram um relacionamento amoroso "proibido", que foram oficializar em 1816, após o suicídio da primeira mulher de Percy Shelley, (Percy era casado com Harriet Westbrook, a filha de um taberneiro que tinha sido colega de escola das suas irmãs. Casados desde de 1811, os problemas entre os dois eram grandes.  Percy Shelley acusava Harriet de ter aceitado casar com ele apenas por dinheiro e a procurar a companhia de outros intelectuais, passando cada vez mais tempo fora de casa).


 Após o famoso verão chuvoso na Suiça, o casal retorna para a Inglaterra, e Mary fica grávida . Durante os próximos dois anos, ela e Percy enfrentam o ostracismo, dívidas e a morte prematura da criança.   Em 1817, Mary Shelley  com o encorajamento do marido, expandiu o conto que criara na Suiça e completou o romance que se chamou " Frankenstein ou o Moderno Prometeu".




          Manuscrito original de Frankenstein, por Mary Shelley...

 Publicado em 1 de janeiro de 1818 por uma pequena editora de Londres, após ter sido rejeitado por duas outras editoras, a publicação não continha o nome da autora, somente um prefácio escrito por Percy Bysshe Shelley, e uma dedicatória a William Godwin. A primeira edição foi feita em três volumes e teve impressas somente 500 cópias.




.Os Shelleys deixam a Inglaterra em 1818 e vão para a Itália, onde o segundo e o terceiro filhos também morrem . Finalmente conseguem um herdeiro, Percy Florence (1819-1888). Em 1822, durante um passeio na Baía de La Spezia, uma tempestade afunda o barco de Percy Shelley, que morre afogado. Um ano depois, Mary Shelley retornou a Inglaterra, devotando-se então à educação de seu filho, a editar e promover a obra de seu marido,  e à sua própria carreira como autora profissional.
A segunda edição de Frankenstein foi publicada em 11 de agosto de 1823 em dois volumes, desta vez com o crédito como autora para Mary Shelley. Apesar das críticas desfavoráveis, a edição teve um sucesso de público quase imediato e foi traduzida para o francês. Ficou bastante conhecida, principalmente através de adaptações para o teatro, e mais tarde para o cimema.

 A última década de sua vida foi marcada pela doença, provavelmente causada pelo tumor cerebral que a iria matar aos 53 anos de idade.
Mary Shelley foi reconhecida como grande romancista ainda em vida ...



Além das peças teatrais, quadrinhos e filmes tentando contar a saga do Frankenstein-criador e Frankenstein-criatura, a própria autora foi retratada algumas vezes no cinema. Afinal, toda a história (e lenda) que envolve a concepção deste mito e ícone, nós devemos a Mary; A Mãe de Frankenstein...



Mary Shelley (Elsa Lanchester) em "Bride of Frankenstein" (A Noiva de Frankenstein, 1935)




Byron (Gabriel Byrne), Mary Shelley (Natasha Richardson) & o Dr.Polidori (Timothy Spall) em "Gothic" (1986) de Ken Russell 



Alice Krige é Mary Shelley; Philip Anglim é Lord Byron; e Laura Dern é Claire Clairmont, em "Haunted Summer" (Primeiro Verão de Amor, 1988)...



Lizzy McInnerny é Mary Shelley em "Remando ao Viento" (1988) de Gonzalo Suárez (um muito jovem Hugh Grant fez o papel de Byron!)



Bridget Fonda é Mary Shelley em "Frankenstein Unbound" (Frankenstein- Terror das Trevas, 1990) de Roger Corman...










                      FELIZ DIA DAS MÃES!!!!


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