quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Pamela Green : Furacão Artístico



A grande parte das Screm Queens celebradas e lembradas por fãs, revistas, livros e sites, possui uma carreira prolífica, com diversas participações em filmes de gênero. Uma grande exceção é o furacão ruivo inglês chamado PAMELA GREEN. Nascida Phyllis Pamela Green em Março de 1929 na Inglaterra, a bela loira estudou arte e pintura durante 7 anos, incluindo 4 anos na prestigiada St.Martin’s School of Art em Londres, onde estudou desenho de moda. Em 1948 aproveitando seus dotes físicos generosos começou sua carreira como modelo para pagar seus estudos. 

Depois de uma turnê como parte da Russian Ballet School, Pamela passou também a dançar no London Casino e no aclamado Foliès Bergere londrino. A oportunidade de trabalhar tanto na frente quanto atrás das câmeras apareceu quando o fotógrafo George H. Marks a convidou para serem sócios e criarem uma revista de nus artísticos. Nasceu assim a celebrada “Kamera”, um sucesso editorial, com disputadas edições mensais aonde Pamela, além de ser a pin-up principal, também era fotógrafa auxiliar e descobria e treinava novas modelos.

  O diretor inglês Michael Powell (1905-1990), premiado na Europa e indicado ao Oscar, ficou fascinado com várias fotos de Rita Landré (pseudônimo de Pamela, quando posava com cabelos ruivos como se fosse uma modelo francesa) no “sótão”, um dos cenários montados no estúdio da revista. Ele a contratou para um pequeno, mas marcante papel no seu polêmico filme “Peeping Tom” (“A Tortura do Medo”, 1960). Na história deste hoje clássico de terror, o auxiliar de fotografia Mark Lewis (Carl Boehm) é obcecado pelos efeitos do medo, e realiza um documentário onde procura registrar o rosto de mulheres genuinamente aterrorizadas. O que nem mesmo sua namorada (Anna Massey) sabe é a sua técnica especial para captar estas imagens: uma afiada lâmina retrátil, escondida em uma das pernas do tripé de sua câmera de 16mm, que ele usa para ameaçar e assassinar belas prostitutas. Um psycho-killer-vouyer, atormentado por experiências aterrorizantes que fora submetido por seu próprio pai, quando criança. Pamela Green faz o papel de Milly, uma das vítimas do psicopata, e Powell mandou reconstruir em estúdio, a mesma ambientação do “sótão” para as cenas com ela. Quase tudo que é visto em sua cena em “Peeping Tom”, é recriação do que ela e George Marks haviam feito na revista, calendários e cartões postais (hoje em dia valiosas peças de colecionadores). Lançado no mesmo ano de “Psycho” (Psicose) de Alfred Hitchcock, outro clássico estudo cinematográfico de uma mente doentia, o filme de Powell teve uma trajetória atribulada, sendo considerado na época como “doentio” e “pornográfico”, foi proibido em muitos lugares, ou lançado com inúmeros cortes. A polêmica levou o filme a um fracasso e praticamente destruiu a carreira do diretor.






 

Pamela e seu sócio (e namorado) já realizavam pequenos filmes nudies em 8mm, e resolveram então arriscar com um longa metragem, produzindo “Naked As Nature Intended” (1961), que foi lançado em um pequeno cinema londrino. E dois anos mais tarde, em 1963, foi lançado também no Japão. Nos anos 80, cópias do filme atravessaram o Atlântico e ele foi lançado em VHS nos Estados Unidos, tornando-se um sucesso de público e crítica. O mesmo aconteceu com o clássico “Tortura do Medo”, que só seria restaurado, relançado e redescoberto graças ao diretor Martin Scorsese, fã do filme que se esforçou em divulgar e elogiar a obra maldita, programando uma exibição no New York Film Festival em 1979. 

Poster japonês de Naked As Nature Intended

Participação de Pamela Green em The Day the Earth Caught Fire
Depois da decepção com seu longa, Pamela dissolveu sua empresa e passou a trabalhar na parte técnica de vários filmes, como fotógrafa de stills, equipe de eletricidade e auxiliar de câmera. Ela também desenvolveu um curso para ensinar jovens atrizes os macetes de maquiagem, vestuário e comportamento diante das câmeras. Ela ainda faria participações em alguns filmes como “The Day the Earth Caught Fire” (O Dia em que a Terra Incendiou, 1962), ficção científica de Val Guest ou “Legend f the Werewolf” (1974) de Freddie Francis com Peter Cushing.

Casada por mais de 30 anos com o fotógrafo Doug Webb, publicou um livro com fotos suas tiradas por ele e outras que realizava sozinha com uma câmera especial que projetou com um espelho adaptado. Nos anos 90 , Green reeditou uma série de cartões postais seus da época da “Kamera” e participou de diversos documentários para a TV, mantendo uma legião fã-clubes ao redor do mundo. Pamela Green faleceu em 7 de Maio de 2010, após uma longa batalha contra a leucemia, deixando o exemplo de uma mulher linda, loira, liberal e muito inteligente...um verdadeiro furacão artístico.



5 comentários:

  1. ótimo post Coffin!!

    gostaria q vc desse uma olhada no meu blog, cabei de fazer tb http://goma-blog.blogspot.com/

    Abraço!

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  2. curti teu blog e tuas ilustrações, já coloquei nas indicações da Demonia...abraço.

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  3. Ficou muito bom o Blog! Parabéns

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  4. Souza , faz uma matéria da paola Senatore de Eatin Alive ! ( a que é comida pelo meno s duas vezes no filme !

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    1. Ótima sugestão seu Anônimo da Silva..está anotada...

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