sexta-feira, 2 de março de 2012

Pam Grier: Confissões de uma Mulher-Pantera!


Atriz, escritora, símbolo sexual, Psicóloga formada, carpinteira por hobby, filantropa, Deusa negra do Blaxploitation, ativista de causas sociais...tudo isto e muito mais é Pam Grier. Nascida Pamela Suzette Grier em maio de 1949 na Carolina do Norte, EUA. De família simples, seu pai era mecânico da Força aérea e sua mãe enfermeira, gostava muito de estudar e queria ser médica. Trabalhando em dois empregos para ajudar nos estudos, decidiu entrar em um concurso de beleza no Colorado, de olho em um razoável prêmio em dinheiro. Sua beleza incomum: negra, grandes seios, rosto exótico com olhos negros amendoados (sua família é uma mistura de negros, índios Cherokee e chineses!) chamaram a atenção de um dos jurados, que era agente de uma dupla de atores hollywoodianos. Ele sugeriu que ela se mudasse para Los Angeles e se juntasse, ao então crescente movimento de atores negros. A princípio ela recusou a proposta, preocupada com a reação de sua família, mas o esforçado agente procurou sua mãe e fez garantias sobre sua segurança e estudos. Mesmo apavorada com a mudança para uma cidade grande, ela passou a freqüentar a aclamada UCLA, mas a princípio interessando-se mais pela parte técnica por detrás das câmeras. “Quando eu via as pessoas nos filmes, eu pensava Meu Deus, estas não são as pessoas que eu encontro na lanchonete, não são as pessoas que eu vejo na vida real! Aonde eles encontram esta gente?” (entrevista a Catherine Carson para a revista Femme Fatales). Contrariando seu agente, ela procurava papéis mais realistas, onde ela pudesse parecer consigo mesmo.
"A primeira pessoa que acreditou em mim, me deu uma chance e se transformou em meu mentor foi Roger Corman" (F.F.). Para a New World Pictures de Corman, Pam Grier fez dois filmes W.I.P.(Mulheres na Prisão) : “The Big Doll House” ( 1971) e “The Big Bird Cage”(1972) ambos de Jack Hill e uma ficção científica de terror “Twilight People” (A Revolta dos Monstros, 1972) de Eddie Romero. Este era um projeto ambicionado pelo diretor filipino, refilmar o clássico “Island of the Lost Souls” (A Ilha das Almas Selvagens, 1933), sobre um cientista que cria uma raça de animais-humanos em uma ilha remota. A associação com Corman lhe rendeu além da colaboração do ator John Ashley na co-produção, também a participação de Pam Grier como a perigosa e sexy Mulher-Pantera, um papel perfeito para ela (apesar da maquiagem muito pobre, no seu caso, bigodes e dentes “felinos”).

Um ano depois de sua boa experiência com Corman, Pam assinou um contrato com a AIP de Sam Arkoff e estrelou “Coffy” (1973) de Jack Hill, um filme de ação, sobre uma enfermeira que vinga sua irmã, envenenada por Heroína contaminada, eliminando traficantes, viciados, e outros criminosos envolvidos com o tráfico. O filme rendeu rapidamente três vezes o seu orçamento, e catapultou Pam Grier ao trono de “Diva do Drive-in” e uma das pioneiras Deusas do gênero mais tarde batizado de “Blaxploitation”.


Ela estaria como uma feiticeira Vudú, na continuação de um dos mais conhecidos filmes do gênero “Scream,Blacula Scream”( Os gritos de Blácula, 1973) de Bob Kelljan;  sequëncia de “Blacula” (1972) de William Crain, com William Marshall como o príncipe negro vampiro Manuwalde.  Logo Pam pularia para vários papéis agressivos, normalmente destinados a atores masculinos.
Em “Black Mama, White Mama” (Marcadas Pelo Sexo e Violência”, 1974) de Eddie Romero, outro violento drama carcerário feminino rodado nas Filipinas , ela vive uma revolucionária, que se une a uma garota fugitiva de um harém, pra escapar da prisão. Outro grande sucesso de bilheteria da época seria a comédia de ação “Foxy Brown” (1974) de Jack Hill, onde ela vivia a personagem título, uma linda mulher, que passa a trabalhar como prostituta de luxo para caçar os gangsters que mataram seu namorado transformando-se em uma super-assassina. Ao seu lado, figuras Cult como Sid Haig (seu parceiro em diversos filmes) e Antonio Fargas. “Eu fiz estes papéis porque eles apresentavam mulheres em posições de poder. Acho que fui uma imagem boa, positiva para as mulheres negras, mas estes filmes se tornaram redundantes e eu não gosto de redundância” (falando sobre Blaxploitation em Femme Fatales).
Longe das ruas de metrópoles e armas de fogo estava o seu personagem em “The Arena”( Naked Warriors/La Rivolta dalle Gladiatrici),1974) de Steve Carver. Uma espécie de “Spartacus-de saias”, se passava na Bretanha em 44 A.C., durante o reinado do império romano e Grier faz a guerreira Manawi da Nubia, a Alta princesa Druida da Bretanha. Um “Peplum”feminino, co-produzido por Roger Corman na Itália, trazia na equipe técnica (direção de fotografia e direção de segunda unidade) Joe D’Amato (Aristide Massaccesi) conhecido futuramente como diretor prolífico de filmes de horror-gore e pornôs hard-core.
Apesar da fama e cachês altos, Pam Grier não mudou seu jeito de ser e passou a fazer trabalhos voluntários com mulheres negras pobres e gangs de ruas e sempre recusou a vida de estrela: “Feijão e arroz é que faz você crescer, não um carro de luxo ou um endereço sofisticado. Eu corto minha própria grama, lavo minha caminhonete e economizo uns U$ 15 no processo.”( entrevista para Thomas Johnson, revista OUTRÉ).
Com o declínio do ciclo  de cinema “Black”, Pam faz algumas inevitáveis participações em séries de TV como: “O Barco do Amor”, ”Miami Vice” e “Raízes - As Novas Gerações”, até ser escalada para o papel de uma prostituta assassina no drama policial “Fort Apache, The Bronx” (1981) de Daniel Petrie com o astro Paul Newman. Ela passou três semanas se preparando para o papel, conhecendo pontos de comércio de drogas e entrevistando prostitutas de rua para saber como elas se protegiam. “A lâmina afiada que Charlotte usa para cortar a jugular de um inimigo foi idéia minha...” (Outré).
Sua forte performance no papel renovou sua carreira. Enfrentando novos desafios, ela estreou em uma peça de teatro da Broadway, “Fool For Love” de Sam Shepard e acabou recebendo o prêmio Image Award de melhor atriz do ano de 1985. Ela foi também, uma bruxa no terror da Disney “Something Wicked This Way Comes” (1983) de Jack Clayton, baseado em um livro de Ray Bradbury; uma feroz caçadora de homens em “The Vindicator” (Roboman, 1983) de Jean-Claude Lord, um clone de “Robocop” e a parceira de Steven Seagal em sua estréia no cinema em “Above the Law” (Nico, Acima da Lei, 1988) de Andrew Davis, vivendo a policial “Jacks” Jackson Delores, nitidamente calcada em suas mulheres fortes dos anos 70. Nesta época, Pam Grier lutou bravamente contra um inimigo muito real, um câncer de mama, que venceu após um longo tratamento quimioterápico.
Em 1990 ela foi uma durona-professora robot em “Class of 1999” (A Guerra dos Donos do Amanhã) de Mark Lester e participou da comédia de ficção “Bill & Ted Bogus Journey” (Biil e Ted, Dois Loucos no Tempo, 1991) de Peter Hewitt com um então adolescente Keanu Reeves. Grier fez uma memorável participação em “Posse” (Posse- A Vingança de Jessie Lee, 1993) de Mario Van Peebles, um western sobre um grupo de soldados negros que em 1892 foge de um coronel tirânico e racista. Uma inteligente retomada do gênero Blaxploitation, com a participação de Paul Bartel, Isaac Hayes e Melvin Van Peebles (pai do ator/diretor e considerado o precursor do gênero como seu “Sweet Sweetback’s Baadassss Song” de 1971). John Carpenter escreveu um papel especial para ela na continuação de seu sucesso “Fuga de Nova York” (1981). Para ajudar o herói/bandido Snake Plissken (Kurt Russell) contra uma multidão de marginais e guerrilheiros em “Escape From L.A.” (Fuga de Los Angeles, 1996), aparece a sensual e perigosa Hershe Las Palmas, que na verdade é um transexual que se chamava Carcajake Malone, antigo parceiro  de Snake.

 
Na comédia de ficção científica “Mars Attacks!” (Marte Ataca!, 1996) de Tim Burton, Pam faz uma participação como Louise Williams, esposa de Byron Williams, vivido por seu antigo parceiro em aventuras dos anos 70 Jim Brown. Mas o maior tributo prestado a Pam Grier, suas personagens e ao Blaxploitation, veio de Quantin Tarantino, que adaptou uma novela de Elmore Leonard e a transformou em “Jackie Brown” (1997). A história de uma aeromoça (Grier) que faz um “extra” contrabandeando dinheiro do México para os EUA e se transforma na peça principal em uma luta de policiais corruptos e honestos, traficantes de armas, viciados e um agente de custódia por meio milhão de dólares, é mais uma das colagens de referências e homenagens típicas do diretor. Foi uma descoberta para as novas gerações, e Pam voltou com toda força, principalmente na televisão americana onde participa ativamente em séries e filmes especiais.
Pam Grier fez uma volta aos filmes de prisão com sua participação na ação-futurista “Fortress 2: Re-Entry” ( A Fortaleza 2, 2000) de Susan Mendenhall  com Chistopher Lambert. O diretor John Carpenter a escalou no papel da Comandante Braddock em seu misto de Sci-Fi, horror e ação “Ghost of Mars” (Fantasmas de Marte, 2001), contracenou com o rapper Snoop Doog no terror “Bones” (Bones- O Anjo das Trevas, 2001) de Ernest Dickerson e foi uma sádica guarda de uma prisão feminina (novamente...) em “Bad Girls Behind Bars” (2005) de Sharon Zurek.
Nossa atriz/escritora/psicóloga etc. continua muito ativa em todas as suas múltiplas atividades, entre 2004 e 2009, participou da série “The L World“. Em 2010, esteve em tres episódios de “Smallville“, atuando como vilã. Ainda em 2010 participou do horror/suspense sobre uma casa-mal-assombrada “The Invited” de Ryan Mc Kinney e está presente em pelo menos 3 novos filmes em 2012...fôlego de gata...ou de...Mulher-Pantera!
  













4 comentários:

  1. Roboman (1986) não é clone de Robocop (1987)pois foi produzido e lançado antes. Inclusive na época do lançamento em VHS no Brasil li uma repostagem que falava sobre o Roboman ter influenciado Verhoeven em algumas decisões no seu filme.

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