segunda-feira, 15 de outubro de 2012

A Rainha do Suspense à Italiana: Edwige Fenech


Edwige Fenech, nasceu Edwige Sfenek, na Argélia (na época colônia francesa) em 24/12/1948. Filha de pai maltês e mãe italiana, queria ser médica, mas após frequentar aulas de dança e teatro, começou a participar (e vencer) diversos concursos de beleza na França. Passou a trabalhar como modelo e logo estreou no cinema na comédia "Toutes Follies de Lui" (1967). Gostosa, longos cabelos pretos adornando um lindo rosto, logo estaria em comédias maliciosas alemãs e em filmes italianos, franceses e espanhóis. Em 1968, estrelou a aventura exótica "Samoa, Regina della Giungla" de Guido Malatesta, como a personagem título; uma rainha branca das selvas que se apaixona por um caçador de diamantes.


















Sua carreira tomou novos rumos ao começar a atuar em filmes de suspense tipicamente italianos (os chamados "Giallos"). Primeiro foi "5 Bambole per la Luna d'Agosto" (1970) do "Maestro" Mario Bava. Várias pessoas são convidadas para um fim de semana em uma ilha, aonde um químico está desenvolvendo uma resina sintética revolucionária. Em meio a jogos entre os convidados e interesses comerciais pela descoberta, começam a acontecer assassinatos sangrentos. No elenco "all star" do gênero, além de Edwige; William Berger, Renato Rossini e Ira  de Furstenberg (socialite de origem nobre e atriz com passagem pelo cinema brasileiro).










Cosiderado por muitos como um trabalho inferior de Bava, esta variação da história de Agatha Christie "O Caso dos Dez Negrinhos", é no entanto muito superior a uma grande parte dos filmes do gênero.


"Lo Strano Vizio dela Signora Wardh" (Blade of the Ripper/Lâmina Assassina, 1971) de Sergio  Martino, inicia sua parceria com o diretor e o namoro com seu irmão, o produtor Luciano Martino. Na trama, ela é a esposa de um embaixador em Berlin, que se vê envolvida com assassinatos e chantagens e desconfia que um dos homens de sua vida (o esposo, o amante ou o ex-amante) possa ser o criminoso.





Em "Tutti i Colori del Buio" (1972) de Sergio Martino, Edwige vive Jane, uma mulher traumatizada com a morte de seu filho pequeno em um acidente de carro e a lembrança do assassinato de sua mãe quando ela era criança. Ela passa a ter pesadelos recorrentes com um assassino de olhos azuis e apela para remédios e psiquiatras, acabando envolvida com uma seita de magia negra. No final clichê, tudo não passa de um plano de sua irmã para enlouquece-la e ficar com sua herança. Filme bastante influenciado por "Repulsion" (Repulsa ao Sexo, 1965 ) e "O Bebê de Rosemary" (196 ) de Roman Polanski,com o elenco habitual de Martino, que inclui George Hilton e Ivan Rassimov.

No mesmo ano ela estrelou o único Giallo do diretor Giuliano Carmineo (mais conhecido por seus Spaghetti-Westerns como a série "Sartana") "Perché Quelle Strange Gocce di Sangue Sul Corpo di Jennifer?" . Novamente em parceria com George Hilton, agora ela é uma modelo que se muda para um apartamento onde antes uma dançarina havia sido morta violentamente na banheira.Um assasino mascarado ronda o local fazendo mais vítimas e os suspeitos são: uma velha sinistra e seu filho deformado, uma garota lésbica agressivamente sedutora e o arquiteto responsável pelo prédio que tem fobia a sangue.






Um ótimo Giallo (e um dos melhores filmes do diretor Sergio Martino) também foi estrelado por Edwige: "Il Tuo Vizio è Una Stanza Chiusa e Solo Io ne ho la Chiave" (Excite Me, 1972) . Ela vive a atormentada Floriana, alvo de agressões de seu marido Oliviero (luigi Pistilli) um escritor obsecado com a morte da própria mãe. Junta-se ao problemático casal, uma linda prima bi-sexual (Anita Strindberg) e uma série de assassinatos de mulheres, do qual Oliviero é o principal suspeito. Sempre por perto, um gato chamado Satan observa a tudo...



Misturando referências ao "Gato Preto" de Edgar Allan Poe, com os clichês do Giallo ( e 2 assassinos em vez de um só!), Martino construiu um ótimo suspense regado a sexo e violência, apesar de sua tradicional "mão pesada" na direção.


A parceria  de Fenech com Martino também se estendeu a comédias eróticas, as "Pornochanchadas" italianas (gênero que ela abraçou com prazer e a transformou em uma musa sexy da Itália) e a uma mini série policial para a TV "Delitti Privati" (1993). Edwige Fenech voltaria ao suspense/policial com "Nude Per L'Assassino" (1975) de Andrea Bianchi, como Magda, uma fotógrafa de uma agência de modelos na qual um maníaco assassino com uma moto preta procura suas vítimas. Ela e seu  colega e namorado Carlo (Nino Castelnuevo) assumem a investigação que a polícia não desvenda. No elenco a também belíssima Femi Benussi.

 











Após o sucesso da comédia sexy à italiana "La Poliziotta Fa Carriera" (1976) de Michele Massimo Tarantini, sobre uma garota linda que entra para a academia de polícia, abalando suas estruturas, Fenech inicia uma longa série de filmes deste gênero, fazendo  sempre papéis de  policial, médica ou  professora sensuais e provocantes.
 
 






 
Fenech foi a secretária do médico louco na sátira "Dottor Jekyll e Gentile Signora" (1979) de Steno (Stefano Vanzina) com Paollo Villagio e Gordon Mitchell. O neto corrupto do famoso dr.Jekyll, refaz suas experiências mas se transforma em um sr. Hyde bonzinho. Uma versão cômica e crítica de "o Médico e o Monstro" de Robert Louis Stevenson.


Ela também esteve em uma outra fraca variação desta história, "Un Delitto Poco Comune" (Off Balance/A Face, 1988) de Ruggero Deodato com Michael York como um pianista de sucesso que sofre de um estranho envelhecimento precoce e passa a assassinar belas mulheres e Donald Pleasence como o policial que investiga o caso.






Edwige passou então a se dedicar a televisão e a sua própria linha de cosméticos, fundando mais tarde uma empresa produtora para cinema e vídeo (Immagine e Cinema S.r.I.) junto com seu filho Edwin Fenech.
Em 2007 ela fez uma ponta cômica no terror sangrento "Hostel: Part II" (O Albergue 2) de Eli Roth, uma homenagem do diretor a Rainha dos Giallos.







                                                                                                                        by Coffin Souza

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