quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Bem Vindos a Câmara de Torturas!



ATENÇÃO:   Esta Matéria foi condenada e censurada pelo “Comitê Internacional de Avaliação do Impacto dos Direitos Humanos”, leia sob sua própria responsabilidade.

A obra do francês Donatien Alphonse François De Sade (1740-1814), vulgo Marquês de Sade, e o conto do norte americano Edgar Allan Poe (1809-1849) "O Poço e o Pêndulo" serviram de inspiração para um dos mais frequentes cenários/ambientes de filmes de horror de todos os tempos. Não, não estamos falando dos bucólicos e inofensivos cemitérios, mas sim das terríveis e sangrentas Câmaras de Torturas! Locais onde o verdadeiro horror humano se faz presente, os locais destinados a torturas de presos políticos ou religiosos, existem desde a época de Roma antiga e foram muito mais difundidas durante a Idade Média e na infame Inquisição católica. O que as obras literárias fizeram foram exatamente colocá-las num contexto dramático, de horror no caso de Poe e no de prazer nos devaneios do Marquês libertino.
















Na segunda parceria dos reis do Horror da Universal, Boris Karloff e Bela Lugosi "The Raven" (1935) de Lew Landers, um brilhante mas maluco cirurgião (Lugosi) é obcecado pela obra de E.A.Poe, e ao ser rejeitado por uma bela dançarina (Irene Ware) que ele havia tratado, utiliza uma câmara de torturas com instrumentos inspirados no autor para se livrar do pai e do noivo dela. Tudo com a "ajuda" de um criminoso (Karloff) que ele desfigura para transformar em seu cúmplice.


Enlouquecido ele fala (com seu sotaque característico) : "What Torture, What delicious torture...Poe, you are avenged!"





Cenário real de acontecimentos históricos e hoje ponto turístico muito procurado, a Torre de Londres serviu como prisão e câmara de torturas para os nobres ingleses. Em "Tower of London" (A Torre de Londres, 1939) de Rowland V. Lee, vagamente inspirado em Shakespeare, Boris Karloff é Mord, o carrasco sinistro e satisfeito com seu trabalho de torturar e cortar cabeças a serviço do futuro rei Richard III (Basil Rathbone). Um drama histórico com toques de terror.



Os anos 60 foram os mais pródigos em sexo, violência e torturas nas telas...Começando por uma livre adaptação do conto de Poe "The Pit and the Pendulum" ( A Mansão do Terror, 1961) de Roger Corman, com roteiro de Richard Matheson. Um homem (John Kerr) viaja até um castelo na Espanha para investigar a morte de sua irmã (Barbara Steele) e encontra seu cunhado (Vincent Price) enlouquecido com a voz da esposa que morrera acidentalmente no calabouço do castelo (durante uma sessão mais "quente" de sado-maso com instrumentos medievais), mas que ele acredita que enterrou viva..A confusa trama não pertence a nenhuma obra de Poe, mas incorpora idéias e imagens de vários contos seus, como em outros filmes da mesma séria da A.I.P. conduzida por Corman com criatividade e economia.


Price, com sua cara de sádico debochado, estaria também na nova versão de "Tower of London"( A Torre de Londres, 1962) de Roger Corman, agora no papel do criminoso futuro rei, atormentado pelos fantasmas de suas múltiplas vítimas na torre dos horrores...


...e então os italianos entraram na jogada... Mestres indiscutíveis no gênero, a primeira grande "sessão" de torturas à italiana surgiu no quase desconhecido "Metempsyco" (A Tumba da Tortura, 1963) de Antonio Boccacci (único filme deste diretor!). Em um castelo retirado, um homem profundamente deformado (o ex-mordomo do local) se diverte torturando diversas garotas na câmara de horrores . A sucessão de atos sádicos, só termina quando surge uma jovem que parece ser a reencarnação de sua falecida patroa...






Outro torturador deformado apareceu no clássico "La Vergine di Norimberga" (Horror Castle,1963) de Antonio Margheriti com Christopher Lee, Georges Riviere e Rossana Podestá. Nos porões de um antigo castelo alemão, vive escondido um homem enlouquecido e deformado pelos nazistas, que se acha um carrasco medieval e utiliza vários instrumentos de tortura (principalmente o conhecido como A Virgem de Norimberg ou Dama de Ferro) para atormentar e assassinar belas mulheres.


















Mais um castelo com um psicopata torturador apareceu no famoso "Io Boia Scarlatto" (Bloody Pit of Horror, 1965) de Massimo Pupillo. Um fotógrafo leva um grupo de modelos para um castelo abandonado pra uma sessão de fotos sexys. O que eles não contavam é que um doido (Mickey Hargitay 1926-2006), vestido com um ridículo uniforme vermelho, pensa que é a reencarnação de um carrasco o séc.17 e passa a torturar e matar as garotas. Divulgado como sendo baseado nos escritos de Sade, apesar de toda uma atmosfera trash, com cenários de papelão e efeitos risíveis, possui uma invejável coleção de cenas de tortura e sadismo que teriam alegrado o pervertido marquês.






Outro renomado sádico-psicopata foi o Conde Régula (Christopher Lee) em "Die Schlangengrube und das Pendel" (O Sangue das Virgens, 1967) de Harald Reinl com o ex-Tarzan Lex Barker e Karin Dor. 35 anos depois de ser executado (enforcado e esquartejado) pela tortura e assassinato de 12 jovens mulheres, o Conde Régula retorna a vida em busca da filha de sua não consumada próxima vítima (e que poderia lhe conceder a vida eterna). Adaptação livre de "O Poço e o Pêndulo" pelo alemão Reinl, num delirante mosaico de imagens de torturas e mortes, hoje em dia comparado com o trabalho de José Mojica Marins (Zé do Caixão).

                                                     




A vida do notório caçador de bruxas inglês do séc. XVII Matthew Hopkins, serviu de base para o clássico "The Witchfinder General" (O Caçador de Bruxas, 1968) de Michael Reeves com Vincent Price no papel principal. O cínico maníaco religioso que torturou e matou mais de 200 mulheres (na vida real) cai como uma luva na interpretação de Price, e o filme apesar de mostrar a crueza das execuções, retrata bem a época conturbada da Guerra Civil Inglesa onde a violência e a barbárie fazia parte do dia-a-dia.
Foi o último filme de um jovem e promissor (25 anos) cineasta que morreu logo após terminar o filme.







Jesus Franco aproveitou para fazer a sua versão e colocou Christopher Lee no papel do juiz supremo George Jeffreys, que no reinado de James II (1695) da Inglaterra comandava a caça, tortura e execução de mulheres acusadas de bruxaria. "Il Trono di Fuoco"/"El Processo de las Brujas" (O Juiz Sanguinário, 1969) trazia ainda Dennis Price, Howard Vernon, Maria Schell e Maria Rohm numa trama de rebelião, tortura e romance com os normais exageros e lentes Zoom do mestre espanhol do exploitation.






Também baseado na mesma premissa e usando e abusando de cenas chocantes e violentas, "Hexen bis aufs Blut Gequält" (Mark of the Devil,1969) de Michael Armstrong e Adrian Hoven. O conde Chistian (Udo Kier) é um caçador de bruxas aprendiz do Lorde Cumberland (Herbert Lom) e seus excessos de violência provocam uma revolta popular. Freiras estupradas, cabeças cortadas, línguas sendo arrancadas e muito sangue num exploitation grotesco de sucesso internacional.Destaque para o sádico personagem Albino (Reggie Nalder)...








 
Mas os antigos argumentos de jovens-mulheres- atormentadas-torturadas-em-porões-de-castelos-por- maníacos-sinistros continuou sendo a preferida pelo cinema de horror italiano da época : "La Bambola di Satana"(1969) de Ferruccio Casapinta ; "Il Castello dalle Porte di Fuoco" (O Castelo das portas de Fogo,1970) de Jose Luiz Merino (co-produção espanhola),ambos com a gostosa alemã Erna Schurer vão pelo mesmo caminho, mulheres nuas, sadismo e vilões monstruosos/deformados...




Assim também, como o bastante superior "Gli Orrori del Castello di Norimberga (Baron Blood, 1972) de Mario Bava.
Na Austria, em jovem acaba revivendo seu antepassado que havia sido amaldiçoado por uma  das muitas mulheres que ele havia torturado e queimado na fogueira. O deformado morto-vivo (Joseph Cotten) continua com sua ânsia sádica, para o horror das belas Elke Sommer , Rada Rassimov e outras...






Com o sucesso de "The Devils" (Os Demônios, 1971) de Ken Russell, um delírio artístico e cult sobre um fato verídico acontecido na frança em 1634, e que resultou num processo de Inquisição contra um grupo de freiras e a tortura e morte na fogueira do padre Grandier (Oliver Reed), e os filmes sobre a inquisição e as torturas nas supostas bruxas voltaram a moda. E o público voyeur sedento de sadomasoquismos pediu mais...mais...Mais...!!
Então vieram "Hexen Geschändet und zu Tode gequält" (Mark of the Devil Part II, 1972) de Adrian Hoven, com Erica Blanc, Anton Diffing e Reggie Nalder , tentado novamente o sucesso e alardeando ter sido banido em 19 países; "Les Démons" (1973) de Jesus Franco, com Howard Vernon, Ann Libert e Britt Nichols, versão sexy/trash do filme de Russell;  "Riti Magie Nere e Segrete Orge del Trecento" (1973) de Renato Polselli; "El Mariscal del Inferno"(Devil's Possessed, 1974) de León Klimovsky com Paul Naschy sobre o herói/vilão sádico francês Gilles de Rais; "Inquisición" (1976) de Paul Naschy(Jacinto Molina), estréia do ator/roteirista na direção, novamente com o personagem Gilles de Rais como inspiração macabra.


















      de cima para baixo: Os Demônios; Mark of the Devil 2; Les Démons; Riti Magie neri e Segreto Orge del Trecento; El Mariscal del Inferno; Inquisición.


Em meio a uma série de novas adaptações das obras de E.A.Poe para as telas e vídeos no começo dos anos 90, surgiu "The Pit and the Pendulum" ( O Poço e o Pêndulo, 1991) de Stuart Gordon, com Lance Henriksen, Oliver Reed, Jeffrey Combs e Carolyn Purdy-Gordon. 1492: O terrível inquisidor espanhol Torquemada (Henriksen) é atormentado por desejos pela bela Maria, e loucamente acaba a acusando de bruxaria e condenando a tortura e morte no pêndulo, enquanto o jovem esposo dela tenta salva-la. Um produto superior em produção e qualidade da Full Moon Productions de Charles Band, que apesar de alguns desnecessários toques de humor negro, consegue fazer uma amálgama de alguns trabalhos de Poe e o gênero Tortura da Inquisição.

 

Nos dias de hoje, após o que se convencionou chamar de "Torture Porn" (Hostel -2003; Saw- 2004; Captivity-2005; Bordland-2006; Frontiers- 2007; Martyrs- 2008, etc...) as cenas de tortura explícita no cinema se tornaram mais comuns, sofisticadas e engenhosas. Mas muito (ou quase tudo) legado pela dupla Poe-De Sade, parece esquecido. Falta um poço, um pêndulo, uma Dama de Ferro, o calabouço de um castelo, caçadores engraçados de supostas bruxas, um carrasco doidão, falta...diversão! Hehehehe! (risada sádica).


                                                               by Coffin Souza

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