sexta-feira, 8 de março de 2013

Demonia Entrevista as Musas do Mar Negro


Musas, Divas, Monstras, Matadoras, Sensuais... mas sobretudo mulheres talentosas e com atitude! Demonia entrevista agora as gatas calientes e perigosas do longa metragem “Mar Negro” (2013) de Rodrigo Aragão. Entre criaturas marinhas mutantes, zumbis canibais e machões apavorados elas se destacam, dando cor, beleza e o indispensável toque feminino aos horrores e sangue da trama. Ficaram faltando aqui, entrevistas com Gisele Ferran - mas sendo ela secretamente (não contem para ninguém!) a nossa lendária Demonia, seria estranho uma auto-entrevista - e também conversar com quem viveu a poderosa Madame Úrsula, mas ao verem o filme (em breve!) vocês saberão a razão desta ausência. Fiquem agora com as palavras destas Musas, entrevistadas pela Musa do She Demons...

MARIANA ZANI


Você vem de uma família de artistas, certo? Com uma mãe atriz e um pai ator de teatro, roteirista e diretor, você deve ter muitas lembranças de infância relacionadas à arte. Com foi sua infância nesse sentido? Em que momento da sua vida você decidiu se tornar atriz, e o quanto a história artística de seus pais te influenciou nessa decisão? 
Meus pais se conheceram no teatro minha mãe atriz e meu pai o diretor e o ator... minha estreia no teatro foi na barriga da minha mãe. Cresci em um lar onde tinha muito incentivo para desenvolver e conhecer todas as artes. Brinco que a expectativa da nota da aula de Artes era maior que a nota de matemática hahahaha.
Sou filha única e talvez se não fosse o incentivo e a rotina dos meus pais, eu não tivesse conseguido lidar facilmente com a timidez e com o meu lado mais introspectivo. Na minha infância lembro muito de ver meu pai virando noites escrevendo... minha mãe fazendo marionetes e criando personagens. A vontade de ser atriz veio junto com a vontade de ser apresentadora, cantora, pintora... meus pais me deixaram acreditar e me permitiram fazer tudo!! E se dependesse da torcida deles... nossa Hollywood ia ser pouco haha!!! Honestamente eu não me lembro ao certo de quando decidi que seria atriz... isso faz tão parte de mim que parece que é desde sempre!!

Fale sobre a parceria com o seu amado, Joel Caetano, na Recurso Zero Produções. Como vocês se conheceram e como é trabalhar em família na realização de filmes e também nas oficinas de vídeo?
Eu e o Joel nos conhecemos na balada, um lugar nada provável de se iniciar um relacionamento mais sério... ele se quer me deu o telefone, sai da balada com um endereço de e-mail e um beijo... mas no segundo encontro já vi que ia me amarrar, nossos interesses e expectativas eram muito semelhantes, tão semelhantes que acabamos fazendo o mesmo curso na faculdade, (Rádio e Televisão) quando a vontade de experimentar o cinema veio. E no início da faculdade junto com essa vontade tentamos reunir os colegas para fazermos algum projeto para que pudéssemos ir a campo e colocar a mão na massa... quem apareceu foi o Danilo Baia e nós três em um conversa em um café criamos a Recurso Zero Produções.
Anos se passaram e hoje nos vemos passando o “nosso jeito” de fazer cinema nas oficinas, em palestras... é muito bom compartilhar com o Joel que além de meu marido é meu companheiro na realização desse sonho (quase realizado, por que sempre queremos mais), que é o cinema... e ainda poder incluir nele a minha família (a minha e a dele) e nossos amigos. O Joel é muito talentoso tenho muito orgulho dele.

 RPZ (Danilo Baia, Joel Caetano e Mariana Zani)

 Estranha
 O Assassinato da Mulher Mental
 Minha Esposa é um Zumbi

 DR

MAR NEGRO, de Rodrigo Aragão, é o seu primeiro filme fora da RZP? Como surgiu a oportunidade de trabalhar com a equipe Fábulas Negras e como foi essa experiência?
Ah, já tive oportunidade de fazer outras participações como no filme do diretor Gabriel Carneiro MMJZ (Morte e Morte de Johnny Zombie), no filme DR com direção de Joel Caetano e Felipe e Guerra e uma participação no novo longa do Rambú da Amazônia com direção de Renato Dib.
A experiência com a Fábulas Negras foi algo mágico!! O que a produção e Rodrigo Aragão fizeram foi épico!! Reuniram personalidades do mundo todo para a gravação de um dos blocos do longa Mar Negro!! Eu amei cada segundo da experiência, não conseguia para de sorrir tamanha satisfação de estar ali. Conheci muita gente bacana e pude rever grandes amigos e amigas. Vai ser algo que vou guardar pra sempre...não vejo a hora de ter outra oportunidade como essa!!! 
Meninas do Sururu's Club (MAR NEGRO)
Fale um pouco sobre seu personagem no filme MAR NEGRO... sua preparação para o papel... e o que o público, especificamente os fãs da musa Mariana Zani, poderá esperar de você no filme?
Mar Negro
Ah..olha a pré-preparação rolou com as orientações da Mayra Alarcón que passou uma descrição das personagens do Bordel, a década, o estilo..e quando pensei em uma mulher da vida, a prosti... pensei nas mulheres que trabalham nas ruas de São Paulo no Centro, o look, a postura. Mas a preparação mesmo aconteceu no set, nos bastidores junto com todas as atrizes; depois de devidamente vestidas com o figurino encarnamos verdadeiramente as personagens e oque elas seriam e como seriam dentro daquele universo. Foi um experiência maravilhosa essa troca com grandes atrizes como Gisele Ferran e a Milena Bessa, a Mayra Alarcón a Kika Oliveira,  a Margô a Margareth Galvão,  e todas as amigas que lá estavam na sua primeira experimentação em um filme, todas foram maravilhosas.
O que o público verá... uma prosti desbocada com certeza hahaha!! 

Para encerrar, gostaria de deixar alguma informação que não foi revelada pelas questões anteriores e que você acha importante dizer? Gostaria de deixar algum recado para os fãs?
Primeiro agradecer muito a oportunidade de fazer esta entrevista, obrigada! E agradecer sempre, sempre as pessoas que apoiam e curtem o cinema independente.
Gostaria de reforçar o meu amor e o meu respeito pelo cinema e por todos os profissionais da área. E contar que loguinho vou rodar outras participações e a RZP está em pré produção de um novo filme!!!  Beijosssss


MILENA BESSA

Qual a sua formação artística? Como tudo começou? Você sempre quis ser atriz?
Minha paixão pelo teatro começou quando era bem novinha, quando ainda fazia balé, fiquei encantada quando subi no palco pela primeira vez pra fazer uma apresentação de dança, nunca me esqueço desse dia. Depois de muito tempo que já tinha parado com o balé, já na escola eu e mais quatro amigos, criamos um grupo de teatro pra escola, a principio trabalhava só na produção, sempre tive vontade de ser atriz, mas sentia um pouco de vergonha. Em uma das montagens que fizemos estavam precisando de alguém pra interpretar uma velhinha, só que não havíamos encontrado ninguém, nessa hora que descobri que tinha jeito pra coisa. Desde então tenho tentado desenvolver minha carreira da melhor forma possível, já trabalhei em algumas peças teatrais, mas eu sempre estou buscando aprender mais.



Matilde (A NOITE DO CHUPACABRAS)
O filme A NOITE DO CHUPACABRAS (2012, de Rodrigo Aragão) foi a sua estreia como atriz no cinema ou você já participou de outros filmes?
A NOITE DO CHUPA CABRAS foi meu primeiro filme. Espero fazer tantos outros!

Em A NOITE DO CHUPACABRAS, você faz uma pequena, mas bastante forte, intensa e marcante, participação. A cena da cachoeira, onde sua personagem se entrega a seu grande amor, transmite um misto de erotismo com inocência, isso é magnífico! Como foi realizar tal cena? 
Foi inesquecível! Tudo! Na cena em que me jogo tentei pensar no que a Matilde (minha personagem) estava sentindo naquele momento, pois pra chegar ao ponto de se jogar de uma cachoeira tem que estar sentindo muita dor de cotovelo! Acho que na hora em que ela se joga foi um momento de entrega deixando pra trás o grande amor da vida dela que de certa forma a abandonou...
Na cena da nudez a principio, fiquei um pouco tímida, mas Rodrigo é um ótimo diretor e me deixou bem tranquila, a produção também ajudou bastante foram todos muito profissionais. Depois de um tempinho fui me acostumando com a nudez e ela se tornou algo natural.
A NOITE DO CHUPACABRAS

Qual a sua opinião sobre a exposição do corpo na realização da arte, seja ela cinematográfica ou teatral?
Acho lindo! Se a cena ou obra artística pede nudez porque não utiliza-la. Já que a possuímos ela por natureza! O que é belo é para ser visto!

Em MAR NEGRO, o que o público pode esperar da personagem vivida por Milena Bessa? Fale um pouquinho sobre as cenas mais quentes, ousadas e violentas da sua personagem no filme.
No Mar Negro eu interpreto uma prostituta que vive num bordel eu a chamo de Dida... banDida! No decorrer no filme me transformo num zumbi, aonde tive o prazer de contracenar com o queridíssimo Cesar Coffin e a musa Gisele Ferran. Eu e a Gi fizemos uma cena de luta que foi muito divertida! A minha intenção era me alimentar da sua deliciosa carne! Nisso ela tenta se defender da melhor forma possível! Rendemos-nos ao sangue e a uma deliciosa luta!
Recado para os fãs ou algo que queria acrescentar?
Muito abrigada por essa atenção e todo esse carinho! Vocês são todos lindos! Só tenho que agradecer! E a equipe do MAR NEGRO por me dar essa chance de viver momentos inesquecíveis! Espero fazer muito mais! A arte de interpretar é única e cada cena que a gente faz é um aprendizado pra vida! Beijo grande!






KIKA OLIVEIRA 
Quando tudo começou? Quando exatamente você decidiu tornar-se atriz?
Bem... Ainda vou descobrir se eu realmente “decidi” pela profissão, ou foi o teatro quem se decidiu por mim, rsrsr! Mas tudo começou em Anchieta (ES). Éramos um bando de adolescentes com muita disposição e pouco juízo. Liderados pela diretora de teatro, formamos o Grupo de Teatro Rerigtiba (na atividade até hoje). O Rerigtiba desenvolvia atividades variadas e eu participava de todo o processo nas montagens das peças - oficinas, produção, figurino, cenário, viagem. E a experiência foi me preparando para o que estava por vir.
Mais tarde tive a chance de conhecer e atuar num espetáculo de grande porte, com o ícone do teatro de rua, Amir Haddad, que veio com uma equipe do Rio de Janeiro. Fiquei deslumbrada com tantas possibilidades. Comecei a desejar mais...  Depois tirei meu registro profissional (DRT), fiz uma oficina em Vitória (ES) com Wolf Maya. E mais tarde fui convidada para atuar no espetáculo de terror itinerante do Rodrigo – Mausoleum... E cá estou!
Mausoleum
Desde o Mausoleum venho atuando em Fábulas Negras. A experiência foi muito marcante porque éramos um Espetáculo completo no universo do horror (linha expressionista). Despertávamos reações estranhas e até violentas nas pessoas. E tudo acontecia ali, na minha frente. Eu ficava junto do público que não conseguia “disfarçar” o medo. Simplesmente reagiam. E algumas vezes eu ficava assustada com o comportamento da platéia (entravam em grupo, 07 pessoas, que percorriam todo o espaço). Aprendi bastante. 

Kika em Mausoleum:



Raquel (MANGUE NEGRO)
Fale um pouco sobre cada um dos seus personagens nos filmes da Fábulas Negras.
Raquel, de Mangue Negro, é a personagem que mais me emociona (até ganhei o título de Musa por causa dela, rsrs!), afinal, naquela época ainda éramos “puros” e ela representa isso. A perspectiva, um tanto romântica, da Raquel sempre me afetou. E o contexto em que o filme se realizou (nem consiga entender direito o tava acontecendo conosco) torna a personagem muito importante para mim. Raquel é simbólica! Pra mim, nem dá pra desassociar de tudo que significa Mangue Negro. Eu assisti o filme pela primeira vez no dia da estréia no Fantaspoa e quando vi tudo aquilo... Nossa, não conseguia falar, apenas sorria e miava, rsrsr! 

Kika (A NOITE DO CHUPACABRAS)
Em A Noite do Chupacabras, eu estava consumida pela produção e a personagem “Kika” (a escolha do nome foi coisa do Rodrigo) teve pouco espaço e tínhamos muitos atores para administrar no set. No roteiro, a minha personagem era mais complexa, porém, quando iniciamos as gravações... A produção exigia tudo de mim e o tempo galopava. Era difícil cumprir o cronograma de filmagem. Daí quando chegou a hora da minha morte, o dia já estava amanhecendo e o Rodrigo me propôs entrar no quarto correndo, passagem de tempo e o meu corpo estendido no chão. “Ah não Rodrigo... Ela merece uma morte mais digna!” Tem muitas vantagens ser amigo intimo do diretor, rsrsr! Depois agendamos um final de semana e gravamos a morte da “Kika”. Gosto muito dela, mas fiquei triste porque a gente não conseguiu explorar o potencial da personagem.
Sobre Indiara... Em breve vamos descobrir o que vai acontecer!



Além de atriz, quais as outras funções que você exerce na Fábulas Negras Produções?
Gostaria de atuar mais na Fábulas, rsrsr (e em outros projetos também, então, podem me convidar que sou do tipo bem acessível, rsrsrs!) Mas as oportunidades aparecem mais na área da produção. Temos outros trabalhos concomitantes com a produção de filmes, daí, faço de tudo. Desde elaboração de projeto até cafezinho! E tudo, é tudo mesmo: planejamento, releases, tratamento dos roteiros, lavo banheiro quando precisa, faxina na oficina e escritório, compras, preparo a maleta de maquiagem do Rodrigo e tudo que precisar! E agora tenho um novo amor pra cuidar, o nosso Blog. Atualizo nas segundas-feiras http://fabulasnegrasproducoes.blogspot.com.br/
 

Como surgiu o convite para o filme Estranha, de Joel Caetano? Comente a respeito da sua personagem.
Hum... Estranha é um presente! Aquelas conspirações do universo, rsrsr! Conheci, pessoalmente, Joel Caetano, Mariana Zani e a RZP em 2010. Na produção da segunda edição do CineTerror na Praia. E foi amor a primeira vista! Simplesmente rolou... A empatia foi recíproca e começamos nossa amizade (parece que é desde a infância, é especial!). Rodrigo já tinha convidado Joel pra fazer o Douglas em A Noite do Chupacabras. E naquele set (louco) surgiu o convite para Estranha (acho que eu me ofereci, rsrsr! É bem a minha cara!!!). No decorrer das gravações a gente foi conversando sobre a persona da Ana, os figurinos que eu levaria pra sampa, e assim, íamos trocando altas figurinhas e quando ele voltava para São Paulo, continuávamos por e-mail.
Quando chegou o grande momento, eu estava um pouco nervosa (atuar sempre me causa inquietação), mas fui acolhida de forma tão especial pela RZP, que parecia que estava em casa, rsrsr! Fiquei bem a vontade porque Joel sempre acreditou muito na minha capacidade de atuação e deixou fluir... Daí fluiu, rsrsr! Tenho uma química mágica com a Mariana e contracenar com ela foi apenas uma extensão do que já tínhamos conquistado até ali. Passamos o final de semana trancados no apê fazendo o que a gente mais gosta: filme!



Fale a respeito de Indiara, sua personagem em MAR NEGRO. O que seus fãs e o público em geral pode esperar dessa sua personagem?
Indiara é minha personagem mais madura. Mulher de trinta e poucos anos (tenho dificuldade com a passagem de tempo, rsrsr! Minto a idade sempre que posso), casada, mãe de dois filhos, aceitas assédios sem culpa e se rolar um amante, melhor né... Ela é o grande amor do Albino, que arrisca a própria alma para salvar Indiara.
Quando Rodrigo me apresentou Indiara, ele me explicou que buscava uma personagem que representasse a beleza sexy das brasileiras (do tipo que não se encontra nas passarelas nem capas de revista, e sim, nas calçadas das ruas, “uma mulher de verdade” ele me disse). Pele queimada de sol, cabelos compridos, corpo curvilíneo e com “carne”, rsrsrs! Os padrões do Brasil são outros né... Queria retratar a simplicidade do cotidiano de uma mulher de pescador e com bastante sensualidade. 
Conversamos muuuuito sobre as intenções e motivações da personagem. Estava um pouco insegura no inicio, porque entendia que a responsabilidade é grande, mas Rodrigo e eu já trabalhamos juntos há anos e ele sabe extrair o que precisa de mim, e eu, tenho confiança, absoluta, nele. Isso é importante!        



Gostaria de deixar recados para seus fãs ou então alguma informação que não foi revelada e que você acha importante acrescentar?
Bom... Gostaria de agradecer o carinho que recebo dos fãs e fazer um agradecimento especial ao meu Fã Número 1! Pode?!
Ricardo – meu homem, amigo, parceiro, marido. Ele é O Cara que eu escolhi (oh que sou exigente heim... Por isso escolhi o melhor, rsrsr!) e sempre posso confiar nele, em qualquer situação, inclusive, para fazer e receber críticas. Estamos juntos há 12 anos (no trabalho e casamento) e ele faz muito esforço pra nós ficarmos juntos... Não é fácil! Principalmente para um homem machista, ciumento, nativo de Perocão, típico leonino, amar uma mulher (bem pouquinho mesmo) rebelde (?) como eu! Sinto profunda admiração e respeito por ele. Desejo do fundo do meu coração ficarmos juntos pra sempre! O amor é cafona né, rsrsrsr! 




MAYRA ALARCÓN



Quando exatamente você decidiu estudar artes? Você sempre quis ser atriz? Quais seus primeiros trabalhos relacionados à arte?
Bem, por onde comecar.... Acho que sim, sempre quis mexer com arte, a não ser pelo breve periodo pós-Indiana Jones em que queria ser arqueóloga... Mas fora isso, comecei com o balé aos 5 anos, e com 10 comecei a fazer teatro na escola.

Foi ai que resolvi que queria mesmo era atuar... Falei disto com meu pai, e ele me perguntou se eu seria a melhor atriz, e eu falei “claro, eu vou pra Hollywood”, ele me disse que não era disso que ele estava falando, e sim de como se dedicar à arte e dificil, que existe muita concorrencia, e que se não for pra dar o melhor, não valia a pena sofrer... Eu naquela época não entendi 100%, só sabia que tinha que me esforcar muito. Os primeiros trabalhos forma na escola mesmo, por não ser a mais bonita, tinha que tentar ser a melhor, então fiz todo tipo de personagens... Depois escrevi e dirigi uma peça no município, mas o irmão de um dos atores de suicidou, e ele não quis mais montar uma peça sobre a morte.

Depois entrei pra faculdade de letras, e nesse período montei uma Cia. de teatro com dois amigos, chamava “El Botón”, mas só conseguimos estrear um primeiro monólogo (eu como atriz), que chamava Laura. A faculdade atrapalhou nossos planos de dominação universal... Fiz Letras e Teatro, mas não terminei nenhuma dessas faculdades. Em 2005 vim morar no Espirito Santo, e aqui não tem faculdade de Artes Cênicas, ou não tinha na época, então entrei na escola de teatro, unica de Vitoria, Fafi, la conclui os 3 anos do curso de Qualificação Profissional em Teatro e tirei meu DRT. Em 2006 conheci o Rodrigo e entrei para a loucura que é a Fabulas Negras,e participei dos 3 longas. Tem vários anos que não faço teatro, mas ainda não desisti do palco.


Como você e Rodrigo se conheceram e como é esse trabalho em família?
Conheci o Rodrigo por meio de uma amiga (também atriz, Valeria Nogueira), que me falou que tinha “um cara a minha cara” e me trouxe um final de semana pra Guarapari para conhecer o tal. Saimos, e depois de mais de 3 horas de investidas minhas, o moço cedeu. Já vão fazer 7 anos desse dia, hi! Trabalhamos juntos desde que nos conhecemos, surgiu de forma natural. Na primeira vez, o meu trabalho foi cuidar de Carol (a filha dele) enquanto ele ia pro mangue filmar... Daí pra frente, virei assistente de direção e figurante. Assim que o relacionamento foi ficando sério, o trabalho também. Não posso dizer que tudo seja perfeito, mas posso dizer que fazemos tudo em perfeita harmonia. Como? Às vezes nos descabelamos, gritamos, brigamos, mas sempre respeitamos os nossos talentos diferentes, para diferentes coisas.... 
E acaba que ele sabe que não vive sem mim, hihihihi! Trabalhar em familia é ótimo, porque acaba que tudo que temos e construimos é fruto de um todo bem maior, não é só o talento, o trabalho e o esforço, também estão a confiança e o amor que sentimos entre nós, e pelo que fazemos.

Além de atriz, quais as outras funções que você exerce na Fábulas Negras Produções?
Ha! Um milhao! Bem... Atriz é a que mais curto, nunca negarei. Em segundo lugar, que é o que efetivamente faço durante o ano inteiro, é ser Produtora. Antes só no set, agora na pre e pós produção também; e com Kika estamos nos embrenhando nos caminhos da Produção Executiva (Cineterror na Praia) que é muito divertido.
Nos filmes faço o papel de figurinista, me dá bastante trabalho, e espero melhorar, mas também espero que algum dia possamos ter uma profissional que só se encarregue de nos vestir... Também, em algumas ocasiões tenho que ser cozinheira, já seja por falta da nossa querida Edna, ou por ser em momentos de reuniões, em que sempre temos que alimentar alguém... no A Noite do Chpacabras praticamente engordei os meninos dos efeitos que trabalhavam todo dia na oficina, ha!

No filme A NOITE DO CHUPACABRAS (2011, Rodrigo Aragão) você interpreta lindamente Maria Alicia, uma dependente química sensível, delicada, encantadora e um tanto frágil, mas ao mesmo tempo muito corajosa. Como foi essa experiência?
Interpretar Maria Alicia foi fantástico, fazia tempo que estava pedindo fazer uma personagem, sair da figuraçãoo, sabe? Então foi um mega desafio. Ela tem muita coisa minha (o rostro, o cabelo, haha), mas é uma mulher muito diferente de mim também, não sei se eu seria capaz de enfrentar a barra de ir morar gravida na casa de uma família pobre do interior, sem conhecer ninguém e sendo rejeitada pela matriarca...

É muito cruel este momento na vida dela. Pra mim houve momentos fantásticos, em que testei as minhas capacidades como atriz, e momentos terríveis, em que simplesmente sentia em que era incapaz de fazer aquilo que se me pedia. A cena mais assustadora foi, sem dúvida, a do parto. Pra começar, não tenho filhos, nunca engravidei, nem tenho amigas chegadas que tenham passado por essa experiência, então tudo que sei sobre isto era o que tinha assistido em outros filmes, o que minha mãe falou, etc.

Quando chegou o dia do meu parto eu só pensava no medo, Maria Alicia esta fugindo do chupacabras, sozinha, no mato, e o filho resolve nascer... PÂNICO... era nisso que pensava... o mais extraordinario pra mim veio depois, quando terminada a cena todo mundo da equipe veio me parabenizar, e quando o público assiste, que logro ver a cara agoniada de algumas pessoas... dever cumprido!

Fale um pouco sobre Isidora Fernandes, sua personagem no filme MAR NEGRO. 
Isidora Fernandez está no meu coração há algum tempo. Venho pedindo essa cantora pro Rodrigo muito antes de fecharmos o roteiro do Mar Negro, e ela entrou e saiu do mesmo algumas vezes.
Essa espanhola/mexicana é bem diva, mesmo falida. É uma mulher super poderosa, que tem as pessoas próximas vivendo em função dela (irmã, marido e guarda costas), porém, não acho que seja mal educada em momento algum com estas pessoas, pois ela ama muito a irmãzinha surda e muda (interpretada por minha irmã mais nova, Ianara) e também sente profundo respeito por Oso (o guarda costas interpretado pelo mexicano Agustin “Oso” Tapia), já o marido Ernesto (o costarriquenho Ernesto Valverde) é uma historia um pouco mais complexa, já que ele meio pilantra, né?

Enfim, esta mulher vai cair numa situação terrível no Brasil, e vai tentar a qualquer custo sobreviver (acho que como todo mundo)... o público vai ver passar esta personagem por uma transformação interessante, de super “Diva del Bolero” a matadora de zumbis, com facão e tudo!

Foi bem divertida de interpretar... mesmo que sofrida... uma curiosidade é que todas as vezes que tive que interpretar esta mulher, por alguma coisa estranha do destino, eu fiquei rouca, sem voz nenhuma!!!! Foi agoniante, tinha que gritar sem poder, sabe?, porém isto lhe deu um toque diferente à personagem.
Recado para os fãs ou algo que gostaria de acrescentar na entrevista.
Mais que um recado, um agradecimento, a vocês do She Demons que me deram um espaço no meio das Musas Bordeiras, e me permitiram contar um pouquinho quem sou eu... Espero que esta seja a primeira de muitas entrevistas (ha!, já dando a “dica”), e que possamos ter várias parcerias no futuro... Pois este mundinho do terror não e feito só de garotos... nós meninas também estamos aqui pra ser musas, divas, monstras, zumboas, matadoras... nós tambem amamos sangue e tripas!
 
  

Coffin Souza e Gisele Ferran


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