quarta-feira, 15 de maio de 2013

Barbara Steele: A Grande Dama do Horror (Parte 1)



Acima de todas as Scream Queens e Femme Fatales do cinema, Barbara Steele é até hoje a verdadeira e insubstituível Rainha do Terror; a única mulher a figurar no mesmo panteão de ícones sagrados do gênero como Boris Karloff, Vincent Price e Christopher Lee...


“...seus olhos eram metafísicos, irreais,impossíveis...Algumas vezes, em certas condições de luz e cor, seu rosto assumia uma aparência que não parecia ser muito humana.” Riccardo Fredda falando sobre Barbara Steele em entrevista para a revista “Midi-Minuit Fantastique” em 1963.

Nascida na Inglaterra em 1938, Barbara Crossly-Steele é filha de uma família influente e culta. Seu pai era o presidente de uma empresa de transportes marítimos e sua mãe uma pianista clássica. Ela aspirava uma carreira nas artes plásticas e seu sonho era viajar para Paris para estudar pintura, decisão nunca apoiada por seus pais. Barbara passou a trabalhar como pintora de cenários em uma pequena companhia teatral para financiar seu projeto e acabou fazendo pequenas pontas em algumas peças. Foi durante uma destas apresentações, que sua performance e beleza chamaram a atenção de um caça-talentos da companhia de cinema The Rank Organization, aonde ela estudou interpretação paralelamente aos seus estudos de artes plásticas.


 Entre 1958 e 1959 ela apareceu em pequenos papéis em 5 filmes da companhia, até ser descoberta pelo diretor italiano Mario Bava (1914-1980), que a escalou como atriz principal para seu primeiro filme: “La Maschera del Demonio” (A Maldição do Demônio, 1960).




Baseado livremente em um conto de Nikolai Gogol, trazia Barbara em um papel duplo: como a Princesa Asa, uma bruxa-vampira do sec. XVII condenada a morte por seu próprio irmão e Katia, sua virginal descendente cuja força vital a trás de volta da tumba para se vingar da família. Eventualmente Asa transforma-se em Katia, tomando sua força e beleza e o bem e o mal tornam-se obscurecidos  como os tons de cinza da fotografia do filme em preto & branco de Bava.




 Lançado nos Estados Unidos como “Black Sunday”, o filme transformou-se em um grande clássico do gênero e Barbara Steele passou a ser uma celebridade Cult e a diva do cinema de terror italiano dos anos 60.



Mario Bava dirige Barbara Steele

           
         Um tesouro do Museu Coffin Souza: Calendário autografado pela Grande Dama!

Seu sucesso com o filme lhe garantiu uma passagem e contrato em Hollywood para o segundo filme da série de adaptações livres da obra de Edgar Allan Poe com o astro do terror Vincent Price, "The Pit and the Pendulum" ( A Mansão do Terror, 1961) de Roger Corman.







Barbara tem o papel curto, mas de suma importância, de Elizabeth,esposa morta do enlouquecido Nicholas Medina (Price). No clímax do filme, Elizabeth, que aparentemente fora enterrada viva, parece ressurgir da tumba para assustar Nicholas até a morte. O rosto expressivo de Barbara sofre uma notável "metamorfose" e ela passa de eventual vítima para vilã e ri sadicamente revelando todo seu mórbido plano.




De volta a Europa, seu próximo trabalho foi "L'Horrible Segreto del Dr. Hichcock" ( O Segredo do Doutor Hichcock,1962) de Riccardo Freda. Terror gótico e necrofilia, com influência explícita do mestre do suspense Alfred Hitchcock sobre o tal Dr. (Robert Flemyng) que por conta de suas estranhos desejos acaba enterrando sua esposa viva, enlouquecendo-a.



 Barbara Steele tem um papel mais tradicional de Scream Queen, como a nova noiva do Dr., do qual ele pretende extrair o sangue para restaurar a saúde da  antiga mulher. Freda, um diretor criativo e sensível, soube como ninguém explorar a beleza exótica e soturna e a expressividade dos grandes olhos de Barbara. Notável a cena em que ela é presa em um caixão e grita desesperada, sendo vista por uma janela de vidro...










Em "Lo Spettro" (O Demônio e o Dr. Hichcock, 1963) de Riccardo Freda, Barbara ganhou um papel de relevância, talvez em agradecimento e desculpas do diretor por utiliza-la em um personagem mais simples no filme anterior. Ganância, adultério e assassinato na mansão de outro Dr. Hichcock (Leonard G. Elliot), um médico paralítico que tenta achar uma cura para sua enfermidade e preside sessões espíritas com sua governanta médium. Barbara Steele é Margareth, sua esposa traidora, que após conseguir mata-lo é assombrada por seu espírito. Um filme essencial na carreira da grande atriz, apesar dela ter afirmado sobre o filme: "Feito em apenas uma semana, 18 horas por dia e um muito-obrigado".




Após uma breve aparição em um filme de arte ("Oito e Meio" de Federico Fellini em 1963), Barbara Steele esteve novamente envolvida com Edgar Allan Poe em "La Danza Macabra" (Dança Macabra, 1964) de Antonio Margheriti e Sergio Corbucci. Conta a história de um jornalista (George Riviére) que aceita o desafio do escritor Allan Poe (Silvano Tranquili) de passar uma noite em um castelo com fama de assombrado. Lá encontra a bela e mórbida Elisabeth Blackwood (Steele) e se vê envolvido com uma série de assassinatos misteriosos e fantasmas atormentados





Um filme denso, atmosférico e sexy, com insinuações de lesbianismo e Barbara mais linda do que nunca...Margheriti refilmaria a mesma história em "Nella Stretta Morsa del Ragno" (1970) com Michele Mercier no lugar de Barbara e o incomparável Klaus Kinski como Allan Poe.



O segundo filme de Barbara Steele com o mesmo diretor foi "I Lunghi Capelli della Morte" ( A Máscara do Demônio, 1964) de Anthony Dawson (pseudônimo de Margheriti). Em uma vila feudal do séc. XV, uma mulher é levada a fogueira acusada de bruxaria. Sua filha mais velha Heinleen (Barbara Steele) sabe das verdadeiras razões para seu assassinato e também acaba morrendo. Tempos depois surge uma estranha e bela mulher com longos cabelos pretos chamada Mary, na verdade o espectro de Heinleen que vem ajudar sua irmã (Halina Zalawska) e vingar a morte da mãe... 




O próximo filme de terror da grande dama foi "Amanti d'Oltretomba" (Amor de Vampiros, 1965) de Mario Caiano, uma verdadeira coletânea dos temas e elementos dos seus trabalhos anteriores no gênero. Um casal de amantes (Rik Battaglia e Barbara Steele) são torturados e mortos pelo marido dela, o sádico Dr. Stephen (Paul Muller) que lhes arranca os corações. Anos depois, ele se casa novamente e sua nova esposa Jenny (Steele  em papel duplo e com o cabelo loiro) passa a ter pesadelos e alucinações. São os mortos que voltaram para sua vingança! Aterrorizante mas com um enredo confuso, onde ainda aparece Solange (Helga Liné), uma mulher que mantém a juventude bebendo sangue humano como uma vampira.







"Cinque Tombe per un Medium" (1965) de Massimo Pupillo, é um exemplo de como fazer um filme de horror realmente assustador com muito pouco orçamento. No enredo, um advogado (Walter Brandi) chega no castelo de um cliente seu, para descobrir que este havia morrido um ano antes. Lá estão sua viúva (Steele), sua filha (Mirella Maravidi) e um empregado corcunda e deformado (Allan Collins/Luciano Pigozzi, o "Peter Lorre italiano"), e todos são assombrados pelos espíritos dos mortos de uma antiga praga, que estão enterrados em volta do local. Crimes horrendos acontecem e os mortos saem de suas tumbas para vingar a morte do médium...Mortos-vivos econômicos, mortes gore e muito clima soturno. O diretor não ficou satisfeito com o resultado final e o filme acabou sendo creditado a seu produtor Ralph Zucker. 








Barbara fez uma participação especial (e sensual) na comédia clássica "L'Armata Brancaleone" (O Incrível Exército Brancaleone, 1966) de Mario Monicelli, como a bela Teodora, que é chicoteada semi-nua, em uma sessão de sado-masoquismo engraçada...





Fim da primeira parte...




                                                                                                              by Coffin Souza

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