segunda-feira, 27 de maio de 2013

Mulheresss Serpentesss...(Parte 1)


"...Ofidiofobia, ou o medo de Cobras, no subconsciente feminino representa a ansiedade ante o órgão masculino e no caso dos homens, surge do sentimento de inferioridade fálica. A intensidade da fobia em ambos os casos, eu imagino, depende do tamanho da COBRA!"
                                                           John Parnum
                                                      "Fright Film Phobias"
                                               (Midnight Marquee Magazine)


Desde que Eva tornou-se muito amiga de uma moradora de uma determinada árvore no Jardim do Éden, as cobras e as mulheres parecem ter apresentado uma tendência estranha para misturarem-se, pelo menos em mitologias através do mundo.


Na mitologia Asteca, por exemplo, Cihuacoatl ("mulher cobra", também Cihuacoatl, Chihucoatl, Ciucoatl) era uma deusa da fertilidade e maternidade, propensa a  assombrar à noite e roubar criancinhas. Ela também ajudou a criar Quetzalcoatl (a humanidade contemporânea), moendo os ossos de nossos antecessores e misturando o resultado com o sangue de Q para formar a argila da qual a humanidade foi moldada.
Nas crenças da antiga Mesopotâmia, havia a Lamia, criatura com a cabeça e os peitos de mulher e o resto do corpo como uma serpente; e na antiga Grécia, as Górgonas, mulheres com cobras vivas no lugar dos cabelos...




Nas diversas mitologias hindus, cobras (ou naga) desempenham um papel proeminente. O Naga Kanya ou Nagis (mulheres cobras) são uma raça descrita no livro sagrado Mahabharata, semi-deusas nascidas do Naga, que são basicamente as divindades da água. Elas podem ter a forma de uma linda donzela, mas geralmente são donzelas apenas da cintura para cima, enquanto que da cintura para baixo elas são serpentes.



A literatura fantástica e depois o cinema, souberam explorar este medo/fascínio primitivo e universal.
Já no cinema mudo existem filmes sobre o tema, como "The Reincarnation of Karma" (USA,1912); "The Vampire" (Ing.1913) ou "Heba,the Snake Woman" (Ing.1915), todos sobre mulheres que se transformam em serpentes, nos dois primeiros sobre jovens indianas e no último sobre uma princesa asteca.
Em "Cobra Woman" (Mulher Satânica, USA-1944) de Curt Siodmak, a rainha dos filmes brega, Maria Montez, vive um papel duplo: Tollea uma jovem inocente raptada por revolucionários e sua irmã gêmea Naja, a Mulher Cobra, suprema-sacerdotisa de um culto as serpentes. É famosa a cena Trash de sua dança "sensual" imitando os movimentos de uma cobra; na verdade o único momento do filme em que se mostra a sua "transformação"...No elenco Lon Chaney jr. e Sabu (Mowgly-O Menino Lobo de 1942).















Já os seis soldados americanos que interrompem uma dança ritual em um templo indiano em "Cult of the Cobra" (A Maldição da Serpente", USA-1955) de Francis D.Lyon, sofrem a perseguição de uma víbora mortal ao voltarem para seu país. No final, ao ser jogada de um edifício, o animal volta a (bela) forma da exótica e misteriosa Lisa Moya (Faith Domergue).




Susan Travers é a criatura-título de "The Snake Woman" (Artheris, a Mulher Serpente, Ing/USA-1960) de Sidney J. Furie. No séc.19, um médico faz uma experiência envolvendo o veneno de uma cobra em sua esposa grávida e doente. Anos mais tarde, sua filha tem o poder de se transformar em uma serpente, e utiliza seu veneno para exterminar os responsáveis por sua morte. Um policial que investiga as mortes no lugarejo, acaba se apaixonando pela bela garota de sangue frio...















As Nagis possuem em seu país natal, um sub-gênero prolífico, inclusive com alguns cineastas especialistas no assunto. O diretor Shantilal Soni, já realizou filmes como "Naag Devata" (The Snake God, 1962); "Naag Mohini" (The Charming Snake Girl, 1963); "Naag Puja" (Snake Worship, 1971) e "Naag Mere Saathi" (My Friend the Snake, 1973); todos envolvendo histórias românticas com garotas-serpentes e claro, muitos números musicais!





















“The Gorgon” (A Górgona, Ing 1964) de Terence Fisher com Christopher Lee e Peter Cushing, levou o mito grego para o interior da Alemanha, onde os moradores de um vilarejo ao redor das ruínas de um antigo castelo ficam literalmente petrificados ao olharem para a horrenda figura de Megera (Prudence Hyman). Climático e assustador apesar da economia em efeitos especiais da Hammer Films (os corpos petrificados são mais sinistros que as serpentes de papel-machê dos cabelos da Górgona!).




Noutro pequeno clássico da Hammer, "The Reptile" (A Serpente, Ing-1966) de John Gilling, uma estranha onda de mortes em um pequeno vilarejo da Cornuália, revela o triste destino da bela Anna (Jacqueline Pearce), que amaldiçoada por um culto secreto com o qual o seu pai se envolveu, se transforma em uma perigosa mulher serpente. A maquiagem criada por Roy Ashton é famosa, mas a atriz passou mal ao utiliza-la e prometeu nunca mais fazer o papel de monstro novamente.


Em "Kaidan Hebi-onna" (Snake Woman's Curse, Jap.-1968) de Nobuo Nakagawa, no Japão do sé.19, uma família de agricultores sofre uma série de tragédias e agressões. Eles retornam como serpentes-fantasmas para se vingar, e uma jovem noiva se transforma em uma mulher-serpente. Um Kaidan Eiga (filme de fantasmas) por um diretor especialista em terror e sobrenatural ("Jigoku"/"Inferno", 1960).




No clássico de fantasia e terror sul-coreano “Sanyeo” (The Snake Woman, Cor.1969) de Sang-Ok Shen, um demônio transforma uma venenosa serpente branca em uma mulher sensual, para seduzir um monge budista e destruir sua família.


O Exploitation Filipino “Night of the Cobra Woman” (Movini’s Venom/A Mulher Cobra, USA/Fil-1972) de Andrew Meyer conta uma história exótica:

Durante a II Guerra Mundial,Lena Aruza (Marlene Clark), uma enfermeira é mordida por uma cobra em uma caverna. Ela sobrevive, e é abençoada com a vida eterna, beleza e um talento sexual altamente letal (ela se alimenta de sêmen de machos humanos e seus amantes/vítimas acabam reduzidos a esqueletos). Ela convive na caverna com a cobra (que ela nomeou Movini), e utiliza seu poderoso veneno para todos os tipos de aspectos práticos  e surpreendentes...




Em 1972, a bonita jovem Joanna (Joy Bang), uma pesquisadora da UNICEF trabalhando para desenvolver soros anti-ofídicos, ouve sobre a estranha mulher cobra, e acaba matando Movini e libertando Lena, que aos poucos vai se transformando em uma criatura monstruosa.

















Na Índia, uma nova leva de filmes sobre garotas ofídicas começa com o sucesso de “Nagin” (1976) de Rajkumer Kohli, sobre uma deusa serpente que toma a forma de uma linda mulher para se vingar de cinco homens responsáveis pela morte de seu amado. A mesma história foi refilmada com poucas variações em “Devathalara Deevinchandi” (1977) de Kommineni, em “Nagam em Deivam” (1978) de Seshagiri Rao com a bela Giri Babu, e mais tarde em “Naag Nagin” ( Snake and Snake Girl,1989) do prolífico Shreee Ram Bohra.





Fim da Primeira Parte...
                                                                                                                  by Coffin Sssssouza...

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