segunda-feira, 10 de junho de 2013

W.I.P. - Mulheres Atrás das Grades (Parte 1)



“Este artigo é respeitosamente dedicado aos esforçados trabalhadores e trabalhadoras da indústria do cinema e seus galantes esforços para provar que o crime não compensa, exceto nas bilheterias, principalmente se você colocar garotas semi-nuas, briga de mulheres, sadismo e cenas de banho no filme.”
                                                         David Henry Jacobs (Women in Chains! - Toxic Magazine)

O sucesso do sub-gênero conhecido como W.I.P. (Women In Prison=Mulheres na Prisão) é difícil de explicar. Filmes sobre prisões masculinas derivam diretamente do cinema policial e são geralmente pesados e depressivos, mas as mesmas histórias passadas em presídios femininos ganham um apelo todo especial. E este apelo não é meramente sexista; muitas mulheres apreciam o tema. Na maioria dos filmes de gêneros, as mulheres possuem papéis passivos como companheiras dos heróis, ou como vítimas em potencial, enquanto que nos filmes W.I.P. , elas são duras, decididas e “não pagam pau para ninguém”. Talvez esteja nesta quebra de regras e subversão de papéis a beleza destes filmes.

Os primeiros exemplares do gênero foram dramas mais sérios e tiveram a participação de atrizes famosas como Bette Davis, Joan Crawford, Ida Lupino e Barbara Stanwyck em filmes como “Ladies of the Big House” (1930), “Women in Prison” (1938), "Condemned Women" (1938) de Lew Landers, “Convicted Women” (1940) e “Prison Girl” (1942) de William Beaudine.





Então foi lançado “Caged” ( À Margem da Vida,USA, 1950) de John Cromwell, um marco nesta história por ter lançado as bases e os clichês tão apreciados pelo público. Eleanor Parker vive uma jovem relativamente inocente que é envolvida em um roubo e levada para a prisão.


Agnes Moorhead é a carcereira  que procura evitar que ela seja corrompida pelas companheiras. Entretanto a jovem tímida, mas esperta descobre de forma sofrida, que apenas os fortes sobrevivem em um ambiente destes, e passa a enfrentar as outras prisioneiras. O filme acabou ganhando indicações para o Oscar (Eleanor Parker e Hope Emerson) e foi refilmado em 1962 como “House of Women”.
“Women’s Prison” (USA,1955) de Lewis Seiller, também foi um grande sucesso de bilheteria (mas, não tanto de crítica), com uma cruel superintendente carcerária (Ida Lupino em ótima performance) que provoca uma rebelião de prisioneiras revoltadas com suas práticas sádicas.



 Boas atuações também de Jan Sterling e Cleo Moore, mas a personagem de Ida Lupino seria a mais imitada em todos os filmes W.I.P. que seguiram. Em 1971, Ida reprisaria seu papel no filme feito diretamente para a TV “Women in Chains” de Bernard Kowalski.



“Swamp Women” (Mulheres do Pântano, USA-1955) começou a longa e lucrativa associação de Roger Corman com o gênero. Quatro prisioneiras conseguem escapar da prisão e se escondem nos pântanos da Louisiana. Filmado em locações verdadeiras em apenas dez dias com as notáveis “bad girls” Berverly Garland e Marie Windsor.
















O ciclo continuou com “Girls in Prison” ( USA,1956) de Edward L. Cahn com Jane Darnell, Ma Joad e Richard Danning (com o slogan: “1.000 trapped women ripped from steel cages by a shattering earthquake!”) e “Untamed Youth” (USA,1956) de Howard W. Koch com o furacão-sensual Mamie Van Doren como uma jovem vocalista e dançarina de Rock’Roll que é condenada a treze dias de prisão. Momie esteve novamente enjaulada em “Girls Town” (USA,1958), produzido pelo legendário Albert Zugsmith, com as participações especiais da Scream Queen Gloria Talbott, Harold Lloyd Jr. e o cantor Paul Anka!























Durante os anos 60, o gênero ficou ofuscado pelos filmes de sexploitation, a ênfase então foram os filmes sobre “escravas brancas” como “Olga’s Girls” (1964) e “House of the 1.000 Dolls” (A Casa das Mil Bonecas, 1967) de Jeremy Summers com Vincent Price. Em 1969 o mestre espanhol Jesus Franco assinou “99 Mujeres” (99 Mulheres). A jovem Marie (Maria Rohm) chega a uma prisão em uma ilha tropical no setor das mulheres e recebe o número 99. As prisioneiras são controladas pela lésbica e sádica diretora Thelma Diaz (Mercedes McCambridge) e pelo Governador Santos (Herbert Lom) e submetidas a torturas, estupros e lesbianismo.




Durante uma rebelião, Marie decide fugir com outros duas detentas (uma delas Zoie, é a maravilhosa Rosalba Neri). Mas seu plano de fuga falha, e as três mulheres são perseguidos não só pelos guardas, mas também por presos do sexo masculino sedentos de sexo. Algumas sequencias do filme foram rodadas no Brasil!

O verdadeiro culto ao gênero, começou depois que a produtora New World Pictures (de Roger Corman) realizou uma série de filmes com o tema nas Filipinas no começo dos anos 70. O primeiro foi o clássico "The Big Doll House" (As Condenadas da Prisão do Inferno, USA/Fil.1971) de Jack Hill.



 Collier (Judith Brown) é levada a uma prisão nas Filipinas, acusada de ter assassinado seu marido. O local é dirigido pela sádica Miss Dietich (Christiane Schmidtmer) com a ajuda da guarda especialista em torturas Lucian (Kathryn Loder).



 Cinco detentas decidem fugir, lideradas pela lésbica e durona Grear (Pam Grier, futura rainha do gênero), com a ajuda de um vendedor de frutas tarado por boquetes (Sid Haig). O filme custou na época somente U$ 125.000, mas rendeu milhões nas bilheterias.




 acima: Sid Haig negocia ajuda com Pam Grier em troca de umas chupadinhas, abaixo: as garotas se rebelam!


Grande parte do elenco feminino de "The Big Doll House" esteve de volta em "Women in Cages" (USA/Fil.1971) de Gerry (Gerardo) de Leon. Mas agora, Judith Brown, Roberta Collins e Jennifer Gan sofrem nas mãos da louca chefe da guarda Alabama (Pam Grier) e sua temível câmara de torturas ao estilo medieval. Claro que existe cenas de banho, lesbianismo e muita ação durante a inevitável rebelião!





"The Hot Box" (USA/Fil.1972) de Joe Viola com roteiro de Jonathan Demme, apresentava quatro  belas enfermeiras americanas que se envolviam com a guerrilha na fictícia República de San Rosário, acabavam encarceradas pelo regime local e ao fugirem do presídio entravam na luta armada.Toques políticos e sociais embalados por ação e muita nudez.





Demme e Joe Viola escreveram a história de "Black Mamma, White Mamma" (Mascadas pelo Sexo e Violência, USA/Fil.1972) de Eddie Romero. Uma revolucionária (Margret Markov) e uma prostituta (Pam Grier) se unem para fugir de um presídio feminino e iniciar uma revolução em um regime fascista sul americano. O inconfundível ator característico filipino Vic Diaz é um traficante de escravos e Sid Haig, um caçador de recompensas...









Jack Hill retornaria com "The Big Bird Cage" (USA/Fil.1972), outro clássico e também uma brincadeira do diretor com o gênero. Blossom (Pam Grier) e Django (Sid Haig) são dois mercenários/revolucionários; Anitra Ford e Candice Roman, duas das prisioneiras sensuais em um campo de concentração feminino; Vic Diaz é Rocco, um guarda sádico e gay e Andy Centenera a carcereira Zappa.



                                              Anitra Ford na inevitável cena de banho...

                                         
                                         Pam Grier e Sid Haig se divertem na lama...

                                                       Haig disfarçado seduz Vic Diaz...


Mas o gênero não ficou PRESO apenas as produções filipinas de Corman,como prova "Diario Segreto da un Carcere Femminile" (Corrupção de Mulheres,IT. 1972) de Rino di Silvestro, exemplar vindo da Itália, país que se dedicaria muito ao tema...





O cinema oriental também dedicou muitas produções ao gênero W.I.P., sempre com doses extras de sadismo e perversões. Existem dezenas de filmes vindos do Japão e Hong Kong, e que merecem um capítulo a parte nesta nossa história. Por exemplo, "Joshuu Sasori: Dai-41 Zakkyo- bô" (Jap. 1972) de Shunya Ito, baseado em um mangá de Tooru Shinohara conta as agruras vividas bela linda Matsu (Maiko Kaji) conhecida como Sasori (Escorpião), em uma prisão feminina japonesa. Bastante popular no País do Sol Nascente, gerou quatro continuações e diversas imitações durante os anos 70.




O primeiro (e único, até agora) W.I.P.em 3D, foi o trashão "Prison Girls" (USA,1972) de Tom DeSimone, um drama softcore sobre 6 detentas e suas experiências sexuais em um fim-de-semana fora-das-grades...OK! É um "meio-W.I.P.", já que apesar do título e de todos os clichês, se passa 90% fora da prisão.





"Terminal Island" (A Ilha das Condenadas,USA 1973) de Stephanie Rothman, teve vários elementos surpresas em sua produção: Foi dirigido por uma mulher, se passava em um futuro próximo, e tinha em seu elenco Marta Kristen (a virginal Judy Robinson da série "Lost in Space/Perdidos no Espaço"), Barbara "Vampirella" Leigh, Don Marshall (da série "Terra de Gigantes") e um muito jovem Tom "Magnum" Selleck...





Com o arco-e-flechas, Tom Selleck, na frente Don Marshall e Marta Krinten, discutem qual era a melhor série de Sci-Fi de Irwin Allen...


Fim da primeira parte (aguardem muito, muito mais...)


                                                                                                                 by Coffin Souza

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...