quarta-feira, 12 de junho de 2013

W.I.P. - Mulheres Atrás das Grades (Parte 2)


Um dos grandes Cults do gênero é "Caged Heat" (Confissões Íntimas de um Presídio Feminino/Celas em Chamas, USA 1974) de Jonathan Demme. Demme também escreveu o roteiro (com muita ironia em suas entre-linhas) de sua estreia como diretor, produzido por sua esposa Evelyn Purcell para a New World. Na Colônia Penal de Segurança Máxima de Connorville, as apenadas sofrem de tudo (até eletro-choques), sob as ordens da cruel McQueen (a rainha do Horror Barbara Steele). Duas garotas conseguem fugir, mas decidem voltar para a prisão para resgatar uma amiga que está prestes a se tornar uma das vítimas do tratamento cruel. 



No elenco de presas, Juanita "Foxy" Brown, Roberta Collins (Death Race 2000), a pornostar Desiree Cousteau, Rainbeaux Smith (Lemora- Lady Vampire) e Erica Gavin (a Vixen de Russ Meyer). Da para saber quando um filme é especial, quando em uma cena, uma bela gata, de biquíni com uma metralhadora cruzada sob seus peitões diz: "Ei! Mulheres são pessoas também!"...










"Fugitive Girls" (Five Loose Women/As Fugitivas, USA 1974) de A.C.Stephen( Stephen C. Apostoloff), tem o roteiro e a participação em mais de um papel diferente do grande Ed Wood Jr.! Cinco garotas fogem da prisão só para se darem muito mal do lado de fora, em um trash com cenas hard-core (e participação da atriz pornô Renee Bond), relançado em uma versão mais soft, mas não menos vagabundamente divertida.







acima Renne Bond e abaixo Ed Wood mostrando todo seu grande talento em uma das muitas pontas em "Fugitive Girls".

Com todo o potencial para muitas cenas de sexo soft-core, é claro que o gênero seria muito explorado pelo mestre espanhol Jesus Franco. "Frauengefängnis" (Barbed Wire Dolls/Caged Women, Sue.1975) foi sua primeira colaboração com o produtor sueco Erwin C. Dietrich. Maria da Guerra (Lina Romay) é levada a prisão por ter matado seu pai (o próprio Franco em uma cena de flashback e em um incrível e hilário slow motion simulado!) que tentara lhe estuprar. Ela é colocada em uma divisão destinada a prisioneiras com distúrbios mentais, onde torturas, estupros e violência gratuita faz parte do dia-a-dia. Todos estes elemento são mostrados com prazer sádico por Franco, e o filme fez uma grande bilheteria na Europa.






Esperto como sempre, Jesus Franco aproveitou a boa produção do filme e a grande quantidade de material filmado para fazer outra produção ao mesmo tempo. Filmando novas cenas e remontando tudo criou "Des Diamants pour l'Enfer' (Women Behind Bars/ Mulheres Atras das Grades, FR.1975), com sua amada Lina Romay agora vivendo uma mulher envolvida com um roubo de diamantes e assassinato, que é claro é mandada para uma prisão cruel. Apesar de muitas cenas serem iguais (como as torturas em uma cama eletrificada), os filmes são completamente diferentes e o próprio Franco aparece em uma das novas cenas como um gangster.  

                                       

                        
"Jackson County Jail" (USA 1976) de Michael Miller, é uma mistura de gêneros, contando as desaventuras de uma mulher (Yvette Mimieux) que é assaltada por motoqueiros, enganada por outros homens e acaba em uma pequena cadeia em uma cidade do interior (aonde é estuprada por um policial), e foge em companhia de outro preso (Tommy Lee Jones) . O notável elenco inclui  ainda Mary Woronov e Robert Carradine, em mais uma produção de Corman para a New World.



                                                                
Então o tema chegou as terras brasileiras com "Presídio de Mulheres Violentadas" (1976) de Osvaldo de Oliveira e Luiz Castillini. A maravilhosa Patrícia Scalvi é Tininha, que depois de um roubo e tiroteio, acaba sendo levada para um presídio, onde é disputada pela diretora sádica (Meyri Vieira) e pela líder das presas (Esmeralda Barros). Todos os elementos do W.I.P. estão presentes neste exemplar nacional e o diretor Osvaldo de Oliveira (que substituiu Castilinni, quando este foi demitido pelo produtor A.P. Galante) se tornou nosso especialista no assunto!







                                  
                                   Esmeralda Barros na sempre presente cena de banho

As ótimas bilheterias levaram o produtor Galante a investir em variações do mesmo tema, sempre com direção de Osvaldo de Oliveira: "Internato de Meninas Virgens" (BR.1977) com Cristina Amaral, Zilda Mayo e Aldine Müller; "Pensionato de Vigaristas" (BR.1977) com Sueli Aoki, Iris Bruzzi e Wilson Grey e "As Fugitivas Insaciáveis" (BR.1978) com Sueli Aoki, Sandra Bianchi e Zilda Mayo.




 Outra variação no tema, também feita em terra nacional foi "Escola Penal de Meninas Violentadas" (BR.1977) de Antonio Meliande. Nesta mistura de W.I.P. com elementos do "Nunsploitation" (filmes eróticos com freiras) temos a tal escola-prisão, dirigida por uma Madre psicopata que destina um tratamento brutal as internas. Um investigador da polícia desconfia dos acontecimentos estranhos no local e temos revelações surpreendentes que envolvem uma serial killer fugitiva e uma freira possuída pelo demônio! Com a bela Sueli Aoki e Meiry Vieira, Zilda Mayo, Nicole Puzzi e Sergio Hingst.




Jesus Franco e Erwin Dietrich voltariam com "Frauen Für Zellenblock 9" ( Women in Cell Block 9,Sue/Al.1977) e "Die Teuflischen Schwestern" (1977), dois exemplares bastante sem inspiração, apesar de que o primeiro é bastante lembrado pela sua coleção de sacanagens e perversidades como cenas com urina e fezes, enemas utilizando animais, ratos penetrados em vaginas e a atuação de Howard Vernon como o sádico Dr.Costa.



O sacana diretor espanhol faria bonito com "Sadomania - El Infierno de la Pasión" (Sadomania,Esp.1980), onde a atriz brasileira (ou "ator", já que era um transexual...)  Ajita Wilson (1950-1987) é Magda, a comandante lésbica e violenta da prisão Hacienda Blanca, em algum lugar da América Latina. 

















Ela comete as maiores barbaridades com as prisioneiras com a proteção do Governador Mendoza (Robert Foster), um político impotente sexualmente e que gosta de organizar caçadas humanas...até a inevitável rebelião!
















Aprendendo com suas variações em pensionatos e internatos, Osvaldo de Oliveira dirige o bastante superior "A Prisão" (BR.1980) com Maria Stella Splendore como Sylvia a diretora sádica de um presídio feminino e Marta Anderson como uma enfermeira totalmente biruta, infringindo crueldade entre as internas, que procuram escapar de qualquer jeito. Do jeito nacional de ser, o filme tem muito mais elementos sexuais (banhos coletivos, lesbianismo, etc) do que violência e também algumas cenas de sexo explícito enxertadas. A produção foi lançada com sucesso no exterior aonde recebeu o título de "Bare Behind Bars"






continua na próxima Prisão...digo Parte...
                                                                         by Coffin Souza


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