segunda-feira, 8 de julho de 2013

Roberta Findlay : A Maldição de Seus Filmes (Primeira parte)

Roberta Findlay afirmou no livro "Golden Goddesses: 25 Legendary Women of Classic Erotic Cinema" de Jill C. Nelson:  "Minha vida consistiu de uma série de atos aleatórios, mudei sempre para aonde o vento soprava, sem uma direção específica em mente".

 Em torno dos quatro anos de idade, Roberta começou a tocar piano clássico, o que ela continuou a fazer ao longo dos próximos 12 anos. Seu pai e sua mãe ficaram fascinados com seu prodígio e acreditavam certamente que ela ganharia fama e fortuna como uma pianista clássica de renome. Mas aos dezesseis anos, enquanto estudava no New York City College em meados dos anos 1960, Roberta conheceu seu primeiro marido, Michael Findlay, um ávido cinéfilo e cineasta iniciante. Ele era 10 anos mais velho e logo ela se tornou arranjadora e acompanhante de Michael para suas exibições de filmes experimentais mudos. Os Findlay eram amigos de George Weiss, produtor de "Glen or Glenda?" (1953) de Ed Wood e da série "fetichista" Olga (Olga's House of Shame; Olga's Girls, 1964), e ele incentivou o casal a entrar no ramo dos Exploitations violentos. Michael começou então a dirigir filmes de Sexploitation centrados em torno de temas como estupro, tortura e escravidão (subgênero do Sexploitation conhecido como Kinkie, filmes sobre perversões sexuais), e muitas vezes com Roberta em papéis de destaque. 

O primeiro trabalho do casal no gênero foi "Satan's Bed" (1965) estrelado por uma artista plástica pouco conhecida (na época) chamada... Yoko Ono! Um drama trash sobre uma garota japonesa (Ono) que se envolve com um traficante de drogas em New York, e depois é raptada por um velho tarado que a transforma em escrava sexual.

                                            
                              uma jovem Yoko Ono no mundo depravado dos Findlay



                                         






(1965)

"Take Me Naked" (1966) foi dirigido pelo casal e tinha Roberta Findlay como atriz principal na história de um homem tímido e perturbado que passa o tempo espionando suas vizinhas, até se transformar em um maníaco.















O casal escreveu seu nome na história do cinema erótico com a conhecida trilogia "The Touch of Her Flesh" (1967); "The Kiss of Her Flesh" (1968) e "The Curse of Her Flesh" (1968) dirigidos por Michael Findlay e escritos por ambos. Os filmes contavam a história de Richard Jennings (o próprio Michael), um traficante de armas que mata sua bela esposa depois de encontra-la na cama com seu amante. Perturbado, ele inicia uma série de mortes de strippers (sua esposa era uma stripper) e prostitutas, sempre de forma "criativa", enquanto planeja a vingança contra o amante. Uma de suas criações é um doloroso veneno, colocado em lugares insuspeitos como nas patas de um gato caseiro ou nos espinhos de uma rosa.


                                                          
                                                       The Touch of Her Flesh


                                                                         The Kiss of Her Flesh









                                                      
                                                                          The Curse of Her Flesh

Já inteirada das técnicas cinematográficas, Roberta começou a trabalhar como câmera e diretora de fotografia, além de co-produzir e co-escrever os filmes do marido. Eles driblavam a falta de dinheiro, roteiros inteligentes e diálogos, com imagens e ângulos rebuscados e cenas com mortes bizarras, como em "A Thousand Pleasures" (1968), onde homem é sufocado até a morte pelos enormes peitos de uma mulher. A cena inédita até então, foi depois bastante imitada no gênero.



"The Slaughter" (1971), é uma co-produção com a Argentina, filmada em Buenos Aires e com elenco local. Conta a história de um produtor de filmes americano e sua estrela, que chegam ao país para iniciar uma nova película. Acabam envolvidos com um grupo de Hippies de um culto satânico que pratica sacrifícios humanos (totalmente baseado no caso real do assassinato de Sharon Tate pelo grupo de maníacos de Charles Mason).  Este filme foi a base para a mais cultuada e odiada produção do casal, o polêmico "Snuff" (1975). 


















Tudo começou com uma ideia inovadora do produtor Allan Shackleton: Promover um filme de terror que teria cenas reais de morte e mutilação de uma atriz/vítima desavisada! A publicidade do filme ("Made in South America...where life is cheap!" ou "Too Real to be simulet!!") incrementava a história lançada na imprensa da época que dizia que os produtores haviam adquirido trechos de cenas reais de uma mulher sendo torturada e morta nos porões da ditadura argentina e editado no filme. 





Tudo não passava no entanto de uma grande e barata farsa, as ditas cenas na verdade foram rodadas em New York por Roberta Findlay e inseridas em uma remontagem de "The Slaughter", que havia fracassado nas bilheterias. A polêmica se instalou e "Snuff", um filme gore realmente vagabundo, se tornou um grande sucesso! Shacklenton e os Findley ganharam muito dinheiro e "Snuff" acabou batizando o nome de um gênero de filmes do qual ele realmente não pertence.



Outro destaque na filmografia do casal, realizado nesta época foi "Shriek of the Mutilated" (1974), um filme de terror sobre um grupo de estudantes que encontra o lendário e perigoso monstro Yeti nas montanhas de uma ilha remota. Roteiro, diálogos, interpretações e maquiagem do monstro realmente vagabundas; noite e dia se alternando em uma mesma cena e efeitos especiais amadores, transformaram o filme em um cult/trash absoluto.





Michael foi um dos inventores de um processo barato e eficaz de filmes em 3-D (utilizado por exemplo em "Frankenstein de Andy Warhol" de 1974) e em 1977, quando tentava vender a patente de uma câmara portátil deste sistema, acabou sendo decapitado em um trágico acidente com um helicóptero no alto de um edifício em New York.















O casal já estava divorciado a alguns anos e Roberta, que era considerada uma ótima operadora de câmera e especialista em técnicas de iluminação, aceitava verbas para produzir e dirigir seus próprios trabalhos, primeiro com filmes pornôs e depois com terror de quinta categoria. Mas isto veremos na segunda parte...






                                                                                                                           by Coffin Souza






2 comentários:

  1. Nossa, desconhecia completamente o casal e o histórico. Fiquei muito curioso sobre a trilogia Flesh. O texto ficou muito bom. Parabéns.

    Acho o blog muito bom, além do fato de ser único nessa categoria e com tanta variedade de informação, filmes, diretores, pintores, desenhistas, fotógrafos, subgêneros exploitations...

    Continuem com o excelente trabalho.

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  2. Obrigado Messias, os comentários e críticas de pessoas como tu, é que nos dá força e inspiração...aceitamos sugestões também...Continuaremos!!!!

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