quarta-feira, 17 de julho de 2013

Sexploitation: Uma Introdução ao Gênero

O segredo do grande sucesso do gênero conhecido como SEXPLOITATION , está na transgressão dos códigos morais e tabus sexuais da sociedade, para o prazer sem culpa do público. O típico cartaz de um filme do gênero tem sempre palavras como "Chocante!", "Inacreditável!", "Sensacional!", "Proibido!" em destaque como chamariz para o público, atraindo-o para desfrutar de elementos tabus como nudez, sexo e violência. 
Cenas de sexo são comuns no cinema tradicional, o que o Sexploitation oferece, é uma dose extra de nudez e cenas que quase "chegam lá"! Sexploitation é o cinema erótico softcore em sua origem. A transição do cinema Explotation para o Sexploitation começou com o ciclo de filmes conhecidos como Nudies nos anos 50. Primeiro haviam os filmes conhecidos como Burlescos, que eram registros de shows de Strip-tease e sketchs cômicos de teatro, aonde reinaram as grandes deusas do gênero Bettie Page, Tempest Storm, Lili St.Cyr e Blaze Starr.







Bettie Page


                                                                      Blaze Starr


                                                                    Tempest Storm


 Quando a corte norte americana precisou julgar a proibição de "Garden of Eden" (Paraíso dos Nudistas, 1954) de Max Nosseck, e considerou que a simples exibição de nudez, sem conotação sexual, não era obscena, os portões do sexploitation se abriram e dezenas de filmes similares fizeram sucesso nos cinemas. 




Os Nudies eram histórias ingênuas, passadas em colônias de nudistas ou no caso do clássico "The Immoral Mr. Teas" (1959) de Russ Meyer, sobre um tímido e reprimido vendedor, que após uma anestesia dentária adquire uma providencial "visão-de-raio-x" que permite que ele admire as mulheres do seu dia a dia como ele gostaria, ou seja, nuas!
Foi o primeiro sucesso comercial do produtor, roteirista, diretor e fotógrafo que ficaria conhecido como o "Rei do Sexploitation"!



  
Russ Meyer(1922-2004) foi o Da Vinci da era sexploitation. Seus filmes eram tecnicamente perfeitos; a câmera rápida e esperta em seus ângulos, cores vibrantes, elenco feminino maravilhoso (e de "carnes fartas") e edição soberba muito além de qualquer imitação ou homenagem de seus seguidores.





O ciclo Nudie terminou no meio dos anos 60, quando a audiência dos cinemas  já estava cansada da simples nudez. Para conseguir manter seu público, os produtores e diretores começaram a incluir doses cada vez maiores de atividade sexual e violência numa mistura de roteiros bizarros, personagens depravados e temas proibidos.
Estes filmes foram rotulados pela imprensa com nomes como Ghoulies, Roughies ou Kinkies, e dominaram o mercado de 1965 até 1972, quando os primeiros filmes de sexo explicito foram liberados, iniciando o reinado da pornografia Hard-Core.



Ghoulies eram filmes que apresentavam doses ultra gráficas de violência, ou misturando sexo com terror e originaram o Splatter e o Gore. Com seu maníaco religioso em busca de partes de corpos de belas mulheres para uma cerimônia secreta e psicótica, "Blood Feast" (Banquete de Sangue,1963) de H.G. Lewis é o Ghoulie essencial. O filme foi bolado pelo esperto produtor, diretor, roteirista e distribuidor David F. Friedman (1923-2011), o "Rei dos Filmes Trash", o segundo nome de maior importância no Sexploitation.






















Virginia Bell, uma das atrizes favoritas de David Friedman

                                                                    
                                                                   David F. Friedman

Kinkies, eram histórias de pessoas "libertinas" e suas perversões, quase sempre dramas. A "trilogia da carne" (The Touch of her Flesh, The Kiss of Her Flesh e The Curse of Her Flesh) do casal Michael e Roberta Findlay foram absolutos neste gênero. 
Roughies, eram produções com sexo e violência mais cruas, normalmente filmes mais depressivos. A mais bem sucedida investida no gênero foi a série Olga de Joseph Mawra (Olga's House of Shame, Olga's Girls) sobre a madame sádica de um bordel que rapta jovens inocentes para escravizar como prostitutas.



 Olga foi a predecessora cinematográfica da personagem Ilsa, vivida por Dyanne Thorne nos anos 70,  numa série produzida por David Friedman com o pseudônimo de Herman Traeger. Com o tempo, a tênue linha que separa estes sub-gêneros foi rompida e no advento do cinema Pornô, foi tudo misturando numa digamos assim...grande orgia!



Outros lendários mestres da sacanagem na época, foram o produtor e distribuidor Harry K. Novak (Kiss Me Quick, The Agony of Love, The Notorious Cleopatra...), a diretora e roteirista Doris Wishman (Nude on the Moon, Deadly Weapons, Let Me Die a Woman...), o diretor Robert Lee Frost (House on the Bare Mountain, Mondo Bizarro, Love Camp 7...)  e o diretor/produtor A.C. Stephen (Orgy of the Dead, Suburban Confidential, Lady Godiva Rides, Fugitive Girls...).

                                                      House on the Bare Mountain






                                                                 Kiss Me Quick


                                                                   Orgy of the Dead



Uschi Digart, Marsha Jordan, Candy Samples, Lorna Maitland, "Kitten" Natividad, Tura Satana, Haji, Eve Meyer (esposa de Russ Meyer de 1952 a 1969), Rene Bond, Chesty Morgan e Raven De La Croix foram outras das deusas desta época...



                                                           Russ Meyer e Kitten Natividad


                                                                         
                                                                       Eve Meyer


Uschi Digart


                                                                        Tura Satana


Raven De La Croix



Fontes: Bizarre Sinema! Sexploitation Filmakers

               David F. Friedman: Wild,Wild Movies
               Femme Fatales Magazine  (abril 1998)
               The Sleaze Marchants -John Mc Carty
                IMDB
                                                                                                                         by Coffin Souza


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