segunda-feira, 19 de agosto de 2013

As Musas do Terror em Quadrinhos no Brasil


As revistas de terror em quadrinhos apareceram por aqui no final dos anos 50, e um tempo depois, começaram a aparecer exemplares realmente escritos e desenhados por talentos nacionais como: Nico Rosso, Flavio Colin, Julio Shimamoto, Gedeone Malagola, Rubens Francisco Lucchetti, Jayme Cortez, Eugenio Colonnese, Rodolfo Zalla entre outros. Pequenas editoras nacionais, como La Selva, Outubro ou Taika, faziam frente ao material vindo principalmente dos EUA e colocavam um tempero tipicamente brasileiro: O erotismo! Além de mortes mais violentas e doses do misticismo típico de nosso povo, belas garotas com roupas minúsculas, vítimas nuas e vampiras sensuais faziam parte do cardápio. Nossos quadrinhos ficaram mais “quentes” com mulheres fatais e semi-nuas como Irina, a Bruxa; Mirza, a Mulher Vampiro; Silvana, a Baronesa Vampiro; Kara-A Morta Viva; Nádia a Mulher Lobo; Naiara, a Filha de Dracula; Zora a Mulher Lobo; Angélica a Filha de Satã e muitas outras... Vejamos algumas então..


NAIARA, A FILHA DE DRÁCULA


Publicada pela Editora Taika em 1968, Naiara foi criada pelo publicitário René Barreto Figueiredo, na época o diretor editorial da editora, e escrita pela roteirista Helena Fonseca, que já escrevia histórias de Drácula para a mesma editora. As duas primeiras edições foram desenhadas por Juarez Odilon, mas o mestre Nico Rosso (que também desenhava as histórias de Drácula) deu forma definitiva à personagem a partir da terceira edição. Na época de sua aparição, em plena repressão e censura da ditadura militar, Naiara ficava nua e transava nas HQs, numa mistura excitante de sexo com terror.
Naiara sempre se veste de forma sensual, com pouquíssimas roupas, mostrando suas longas pernas, corpo perfeito, seios apetitosos e cinturinha fina, características das mulheres do mestre Nico Rosso.  A  belíssima vampira loira, filha do Conde Drácula (e também sua inimiga mortal), raramente costuma morder, prefere furar os pescoços com facas ou estiletes e beber o sangue em taças de ouro. Sempre muito feminina, extremamente sádica, cruel e sem um pingo de remorso, ela não se importa em usar armas como revolveres, explosivos, fogo, para matar quem atravessar seu caminho. Naiara costumava hipnotizar suas vítimas fazendo-as olhar fixamente para seus olhos amarelados. Em algumas histórias, Naiara tinha como bichinho de estimação, um Leão-vampiro! O animal de um circo servira a ela como alimento em uma noite de fome e desespero e depois passou a lhe acompanhar!

 
Naiara e seu Leão Vampiro


A revista foi publicada pela Editora Taika em PB até o início dos anos 1970. Nos anos 1980 a Editora Bloch, publicou novas histórias (agora em cores!) de Naiara feitas por Carlos Araújo e Zenival na revista Capitão Mistério.

No final dos anos 1990 o desenhista Laudo Ferreira Junior, o arte-finalista Omar Viñole e o roteirista Dark Marcos fizeram, com o auxílio de Worney de Souza e Franco de Rosa, uma nova história para Naiara que deveria ter sido lançada como uma edição especial, mas o não deu certo. Quase 10 anos depois essa história foi publicada no zine Manicomics do desenhista JJ Marreiro (criador da Mulher Estupenda).


MIRZA, A MULHER VAMPIRO


Mirza foi criada em 1967, pelo desenhista ítalo-brasileiro Eugenio Colonesse, para ser publicada numa das revistas da editora Jotaesse.  A primeira história de Mirza teve roteiro de Luiz Merí Quevedo e desenhos de Colonnese. Mirza não é uma super-heroína invencível, mas uma espécide de Drácula de saias e decote, misturada com erotismo. “Mirza, a Mulher Vampiro” vendeu muito bem e logo ganhou a própria revista. 
A história de Mirza é a seguinte: Seu nome era Mirela Zamanova e é a sétima filha de um nobre polonês cuja linhagem foi amaldiçoada. Durante um incidente no qual quase foi estuprada pelo namorado da irmã, a maldição de sua família a transformou em uma vampira. Após a transformação adotou o nome de Mirza e passou a perambular pelas grandes metrópoles do mundo, onde constantemente esbarrava com outros seres sobrenaturais, tanto hostis quanto amigáveis. Quando lhe convém se passa por modelo profissional e é sempre auxiliada por seu criado, o corcunda Brooks. 
A bela vampira brasileira não apresentava características dos vampiros comuns, como aversão mortal a luz solar, por exemplo. Além disso, a sensual chupadora de sangue era dona de um belo bronzeado, deixando-a ainda mais sedutora. Suas aventuras aconteciam nos ambientes glamurosos das passarelas da alta moda e nas festas da elite brasileira, já que Mirza ganhava a vida como modelo internacional, sempre vestida  em trajes provocantes e sensuais... Em seu reinado de terror, Mirza visitou as maiores cidades do mundo, procurando suas vítimas indiscriminadamente entre homens e mulheres.






Mirza foi publicada primeiro pela Jotaesse, depois pela Regiart e voltou na famosa Spektro, fazendo muito sucesso na revista Mestres do Terror da editora D-Arte (de Rodolfo Zalla). Também foram publicadas edições especiais pelas editoras Escala, Opera Graphica e Mythos, além de uma história em comemoração aos 40 anos de sua criação publicada na revista Wizmania #51, da Panini Comics em Dezembro de 2007.
A personagem participou de crossovers como outros personagens de Colonnese como o Morto do Pântano e os super-heróis X-Man, Superargo, Pele de Cobra, Gato e Mylar no álbum "A Última Missão" de Watson Portela.


NÁDIA, A FILHA DO DRÁCULA

Nádia, a filha do Drácula teve sua primeira publicação em 1982,  na revista Mestres do Terror #33 da editora D-Arte.
"Nessa época, houve um fato curioso. Colonnese desenhou uma capa na qual Mirza aparecia com os seios à mostra. Zalla, temendo que a revista fosse recolhida das bancas (escaldado pela censura dos anos de chumbo que viu de perto), resolveu retocar a arte, cobrindo os seios da personagem com lápis dermatográfico. Quando Colonnese viu o impresso, ficou bravo. O resultado foi que o Zalla me pediu para criar uma outra vampira, nascendo daí a Nádia. Mas a rusga entre os dois artistas já foi há muito resolvida", revela Antônio Rodrigues criador de Nádia.
Nádia, assim como Naira, era loira e filha do principal vampiro das histórias de terror. Suas histórias foram editadas nas páginas da revista Mestres do Terror, com desenhos de Rubens Cordeiros.
O curioso é que Nádia chegou até a ser personagem principal da prequela que os autores fizeram do filme “Casablanca”, com a vampira encontrando e se tornando amante de Rick Blaine, dono do “Rick's Café Américain”, aquela casa noturna que servia de fachada para organizar uma rede de espionagem anti-nazista. Quando Rick é desmascarado por um cruel militar alemão, Nádia entra em ação para salvar seu amado. 


ANGÉLICA, A FILHA DE SATÃ



Angélica, a Filha de Satã, criada por Basílio de Almeida  em agosto de 1981, para a revista Spektro #23, da editora Vecchi.  Sua história é a seguinte: Alfredo e Maria receberam a visita de Satanás em pessoa, que matou Alfredo e seduziu Maria, deixando-a grávida de uma menina. Assim nasceu Angélica, filha de uma mortal (que morreu ao dar a luz) e Satã, que com um leve toque de seus dedos lhe concedeu poderes. O amor de sua mãe (um espírito evoluído que pôs luz nas trevas do seu ser), a transformou num ser de poderes divino-infernais!
Angélica voltou 20 anos depois, em 2001, pelas hábeis mãos de outro mestre do quadrinho brasileiro moderno, Watson Portela, que numa hq em homenagem a Colonosse, reuniu diversos personagens seus: Mirza, Mylar, Pele de Cobra, X-Man, Superargo, Gato e Angélica. Dessa vez, Angélica ficou contra seu pai, e convocou os super-heróis brasileiros para que entrem numa guerra contra o próprio Diabo, cujo destino é a preservação do próprio universo, e ela os liderou nessa derradeira missão com o objetivo de salvarem a humanidade!
Essa hq se encontra no álbum "Ultima Missão", lançado em 2001 pela editora Opera-Graphica. 



ZORA, A MULHER LOBO


Zora, a Mulher Lobo foi criada por Rodolfo Zalla nos anos 80 para a revista Mestres do Terror da editora D-Arte. Morena linda e sensual que se transforma em lobisomem.
Em 2011, Zora reaparece com uma participação especial na revista Blenq #4, de Rod Gonzalez & Rodolfo Zalla, pela editora Júpter II. Neste número, os personagens Blenq e Luã vão a Londres, na Inglaterra, investigar as atividades do Lobisomem de Sepé, que havia sido exilado na história anterior, e que está atacando gente da comunidade brasileira de Londres – principalmente mulheres. E agora, a fera conta com a ajuda de Zora, a mulher lobiosomem.





















MICHÉLLE, A VAMPIRA





Michèlle, a Vampira  foi criada para as tiras de jornais, por Emir Ribeiro, em novembro de 1977, e adaptada para as páginas dos quadrinhos nos anos 80.

Num lugarejo da França, a jovem Michèlle estava prestes a se casar, quando foi mordida pelo Conde Drácula. Porém, a moça tinha um problema mental que a tornava uma pessoa de dupla personalidade, e a doença a acompanhou mesmo após sua morte. Vez por outra, ela é má e sanguinária, e em seguida pode ficar doce, angelical e totalmente humana. Caçada pelo ex-noivo e perfurada no coração por uma faca de prata, Michèlle ainda consegue se esconder no porão de um navio, o qual fazia parte de uma invasão Francesa ao Brasil. Michèlle revive no Maranhão (no século XVII) e aterroriza a população. Entretanto, obtém um inimigo à altura: o médico Francisco Palmeira .
Neste ano de 2013, Michélle, A Vampira ganhou um álbum, pelas Edições WAZ, com 6 histórias sangrentas e envolvente da personagem.


SATÃ, A ALMA PENADA



Personagem criada por Fernando Ikoma nos anos 70, para a editora Edrel.  Essa heroína brasileira surgiu num campo ainda não muito explorado na época: o mundo dos mortos vivos. Satã é uma mulher má , após sua morte, é julgada pelos juízes do além e é obrigada à ficar penando até cumprir as cem missões que lhe foram impostas. Combatendo a feitiçaria, as doenças psíquicas, os dramas internos de pessoas desajustadas e até mesmo atuando como um contrapeso às injustiças que certas pessoas são vítimas. Tem alguns poderes sobrenaturais como o caso de se materializar e tomar o corpo de uma pessoa deixando-a inconsciente. Ao seu lado o corcunda BÔO, outra criatura do mal que teve como castigo a sua língua cortada. BÖO, o criado de satã, tem uma força descomunal e está sempre de prontidão para ajuda-la nas missões mais perigosas.



IRINA, A BRUXA




Irina, A Bruxa, é a criação feminina mais famosa e conceituada de Edmundo Rodrigues. Um clássico dos quadrinhos de terror brasileiros, Irina foi publicada originalmente em 1967, em apenas 3 edições pela editora Taika. A editora Bloch publicou a Irina em cores nos anos 80, dando um tom avermelhado e uma pele mais dourada a bruxa Irina, que era loira nas capas da Taika. Aliás as cores que a editora Bloch usava na colorização de suas revistas são conhecidas por serem “berrantes” mas são um toque clássico que hoje em dia dão charme para edições dessa editora.
Condenada a morte por seu passado de crimes e bruxarias, antes que as chamam consumissem seu corpo, Irina jurou que voltaria para se vingar. Ao ser queimada foi retratada na tela por um pintor, cumpre a promessa e volta da morte, reencarnando em jovens e belas mulheres para realizar sua vingança!  A única coisa que pode detê-la é o “Triângulo de Prata”.
Irina, A Bruxa, virou peça de teatro por volta de 1999 com a esposa de Edmundo, a atriz e diretora Agatha Desmond vivendo o papel de Irina.


LIZ VAMP




Liz Vamp, personagem criada e interpretada pela atriz Mariliz Marins, ganhou uma versão nos quadrinhos em 2004 pelas mãos do pessoal da Impacto Quadrinhos. A obra tem roteiro, layout e capa assinados por Klebs Junior, que já escreveu para revistas como Nova Annual, Citizen V e Excalibur (Marvel), Snakes on a plane (DC) e Willow and Tara (Dark Horse). O lápis é de Carlos Rafael, que já desenhou para Classic Battlestar Galáctica, a arte final é de Jean Diaz, que já trabalhou em The Shield (IDW) e Mulher Maravilha (DC), e as cores são de Vinícius Andrade, que participou de Red Sonja.
Além da vampira sensual (que é uma espécie de super heroína), as edições também trazem o seu pai, o Zé do Caixão.
Liz Vamp foi a estrela de uma cartilha em quadrinhos sobre doação de sangue no ano de 2004 para a data comemorativa do Dia dos Vampiros na cidade de São Paulo.





DEMONIA




Demonia (ou Daemonia), criada em 1995/96, por Cesar “Coffin” Souza e Rogério Baldino, para ser a personagem-símbolo e “Host” do fanzine “She Demons” (versão impressa).
Baseada em Vampirella e outras Musas do Horror nas HQs e no personagem “O Corvo” (The Crow, de James O’Barr).
Sua origem foi contada no número 3 do fanzine, com história desenhada por Rogério Baldino e Carlos Fernando Ferreira, que você pode ler clicando AQUI. Apenas mais uma história completa foi publicada, “A Catedral das Sombras”, com desenhos de Carlos Ferreira.
Abaixo: Primeira concepção da Demonia, ainda com mãos em forma de garras (descartadas já nos primeiros desenhos oficiais) e um mascote monstruoso, nunca utilizado nas histórias.
 




Demonia em “A Catedral das Sombras” (em breve Hq completa, aqui!)




Por Coffin Souza e Gisele Ferran



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