segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Larry Flynt: O Pervertido Lutador da Liberdade




Lawrence Claxton Flynt Jr., nasceu no isolado condado de Lakeville, Kentucky, USA, em Novembro de 1942. Seu pai era um alcoólatra e se separou da família quando ele tinha 10 anos. Aos 16 anos, Larry falsificou sua certidão de nascimento e se alistou na marinha americana. Durante cinco anos viajou pelo mundo a bordo do navio "Enterprise", alimentando 3 paixões: comprar livros, jogar pôquer e colecionar mulheres. 



Certa vez, ganhou uma pequena fortuna no jogo, e ao desembarcar no primeiro porto, gastou tudo transando com 20 prostitutas ao mesmo tempo!
Larry foi casado 3 vezes até os 22 anos, e depois de ser dispensado da marinha, resolveu ganhar dinheiro no negócio de falsificação de bebidas. Seu primeiro sucesso foi um bar ao estilo Country, em Ohio, que se multiplicou em vários estabelecimentos do mesmo tipo. Em 1968, já rico, abriu uma boate "go-go bar" que batizou de Hustler Club. Maníaco por sexo e decidido a não mais se casar, costumava ter uma mulher diferente a cada 5 horas do dia.
Em 1972, quando já tinha 8 clubes Hustler em várias partes do país, lançou um fanzine chamado "Barchelor's Beat", com fotos e detalhes das garotas que trabalhavam para ele.
Em 1974, Flynt se casou com Althea Leasure, uma garota problemática e junkie, cujo pai havia assassinado a mãe quando ela era criança.



 Apesar de "doidona", Althea tinha tino comercial e assumiu grande parte dos negócios da empresa. Juntos e associados com um distribuidor e editor, lançaram em julho de 1974 o primeiro número da Hustler ("safada"), uma revista masculina voltada ao trabalhador médio comum, e com um diferencial das tradicionais Playboy e Penthouse: fotos e artigos muito mais explícitos e muito deboche e ousadia! "Eu queria que a revista espelhasse minha própria franqueza e irreverência", disse Larry Flynt em sua autobiografia "An Unseemy Man" (1996).



                                       Hustler #1 : Uma bunda na capa, escândalo na época!

A publicação de início foi um fracasso, mas aos poucos foi criando seu próprio estilo, com mulheres de estilo mais "comum", ao invés das tradicionais modelos loiras e de grandes seios e fotos explicitas de bucetas e bundas em todo o seu esplendor! 

















As vendas explodiram, e Larry passou a ousar cada vez mais, com fotos de sexo simulado inter racial; fotos de personalidades flagradas nuas; deboche político e muita sátira e humor cortante. "O que está realmente errado com a maior parte das pessoas hoje, é que elas levam a vida a sério demais".


Além da parte ousada de sexo e humor, a revista passou a abordar assuntos sérios (e considerados tabus) como a pedofilia, os sem-teto, os efeitos das armas químicas e reportagens investigativas sobre a corrupção do governo e da polícia. A provocação era evidente e Flynt passou a ser alvo de uma tonelada de processos e em 1977 foi condenado a 25 anos de prisão por obscenidade e vínculo com a Máfia (o que não era verdade). Recebeu absolvição dois anos depois, mas foi condenado novamente e começou uma trabalhosa e cara batalha pela liberdade de expressão, dificultada por sua língua ferina e má conduta e ofensas durante os julgamentos.



Em março de 1978, quando chegava a um tribunal na Georgia, foi baleado por um franco-atirador neo-nazista que se disse ofendido com fotos de homens negros fazendo sexo com mulheres brancas publicadas na revista. Flynt teve partes do baço e fígado arrancados e ficou paraplégico.
Além da paralisia, Larry também passou a sofrer de dores terríveis e durante 16 anos teve que se dopar com anfetaminas  e analgésicos para poder trabalhar.



                        Larry no hospital após ser baleado, acompanhado do irmão Jimmy

 Se tornou um recluso em sua mansão em Hollywood, mas continuou com sua luta e provocações, como se candidatar a presidência dos Estados Unidos em 1983. 



Uma nova tragédia o abateu em 1987. Althea, que havia contraído AIDS (em 1983) ao compartilhar seringas com outros viciados, foi encontrada morta, afogada na banheira após uma overdose de heroína. Flynt se recuperou com a ajuda de amigos como o ator Denis Hooper, o músico Frank Zappa e o "guru" Timothy Leary. Larry continuou enfrentado a seu modo, mais e mais processos, como o caso do famoso pastor evangélico Jerry Falwell que o processou por uma paródia de uma propaganda, em que era retratado como bêbado e incestuoso. Impedido de se defender, Flynt berrou em pleno tribunal: "Esta corte se compõe de oito idiotas e um imbecil!"
Após 3 cirurgias, Larry se libertou das dores crônicas e da dependência de remédios e sua empresa monitora mais de 140 publicações no mundo todo (incluindo a revista gay "Honcho" a de garotas novinhas "Barely Legal" e o jornal literário "The New Yotk Review of Books"), além da produção de vídeos pornôs, páginas na internet, boates e muito mais.





A vida e a luta de Flynt foi retratada no maravilhoso filme "O Povo Contra Larry Flynt" (1996) de Milos Forman, onde o próprio faz uma participação especial (e irônica) como o juiz de seu primeiro julgamento. 





                                               Flynt, ao centro: Juiz de si mesmo...

"Apesar de todos os problemas que enfrentei, a vida continua e é bela"  (Larry Flynt)



"Por mais libertino e oportunista que tenha sido, Flynt vende a seu público um convite à alegria de viver e de lutar nas guerras das mentalidades" 
                  (Luis Antônio Giron, Revista Hustler #1 (edição braileira) )

                                                                                                                                       by Coffin Souza

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