quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Soledad Miranda: A Primeira Musa de Jesus


Nascida em 9 de Julho de 1943, em Sevilha (Espanha), filha de uma família de portugueses, Soledad Rendón Bueno (seu nome podia ser traduzido como "Boa Solidão"...) entrou para o mundo artístico aos 8 anos de idade, cantando e dançando em um concurso de talentos. Aos 16 estreou no cinema como bailarina em "La Bella Mimi" (1960) de José Maria Elorrieta. No mesmo ano, voltou a dançar em "Mariquita, La Reina del Tabarín" de Jesus Franco, veículo para a popular cantora/dançarina Mikaela Wood e seu primeiro contato com Jesus...
Soledad foi Iside, no Peplum "Ursus" (1961) de Carlo Campogalliani, com o forçudo Ed Fury (Edmund Holovchick), como o herói que enfrenta uma seita que sacrifica virgens para uma deusa sangrenta para salvar sua amada.



Ela apareceu brevemente em outra produção histórica, a aventura "El Valle de las Espadas" (Odisseia de um Bravo, 1963) de Javier Setó,  ao lado de astros internacionais como Frankie Avalon, Cesar Romero e Alida Valli.
Sua primeira participação em um filme de terror, foi em "Fuego" (Pyro/O Homem Sem Face, 1963) de Julio Coll, um thriller sobre um homem deformado em um incêndio, que volta para se vingar de sua esposa. Soledad brilha no papel da filha de um dono de um parque, que adota cães de rua e gosta de brincar com eles na chuva. Um toque "Chapliniano" em um thriller pesado com co-produção americana (e roteiro) de Sidney Pink.














Soledad Miranda também esteve no Trash "El Sonido de la Muerte" (1965) de José Antonio Nieves Conde, sobre um dinossauro invisível que ataca pessoas em uma região montanhosa da Grécia. O mesmo filme foi a estréia nas telas de outra Musa do terror: Ingrid Pitt, famosa mais tarde em produções da Hammer!





Em 1966, Soledad casou-se com o  jovem piloto de carros português José Manuel Simões, que ela conhecera em um set de filmagens em 1964. Juntos eles tiveram um filho, José Antonio.
 Depois de um tempo dedicada a família, Soledad voltou a fazer participações em diversos filmes, como no western "100 Rifles" (1969) de Tom Gries, com Rachel Welch, Jim Brown e Burt Reynolds, mas a impressão que sua terna beleza deixara no mestre espanhol Jesus Franco foi forte, e ele a escalaria para seus melhores e mais cultuados papéis.



"El Conde Drácula" (O Castelo do Conde Drácula, 1969) de Jesus Franco é uma das melhores adaptações da obra de Bram Stocker feitas até hoje, apesar das limitações de sua produção.



 Christopher Lee é o velho conde vampiro que rejuvenesce ao beber o sangue de belas jovens; Herbert Lom é um um ótimo Dr. Van Helsing; Klaus Kinski é Renfield e Soledad Miranda vive Lucy Westenra, que é transformada em vampira pelo conde demoníaco...




Uma "lenda" de bastidores, conta que o sempre tão eficaz Christopher Lee, impressionado com a beleza de Soledad, ficou nervoso e não conseguia se concentrar e teve que refilmar a cena em que a mordia...mais de 20 vezes!


Em "Sex Charade" (1969) de Jesus Franco, Soledad teve seu primeiro papel principal, ao lado de Paul Muller, e também utilizou pela primeira vez o pseudônimo de "Susan Korda", criado por Franco, por que ela não queria utilizar seu nome verdadeiro em produções de cunho sexual.
Seguiu-se o terror erótico "Les Cauchemars Naissent la Nuit" (Pesadelos Noturnos, 1970) de Jesus Franco, com Soledad em pequeno papel na trama de uma stripper assombrada por pesadelos sobre assassinatos. Soledad faz a namorada de um ladrão de jóias, cuja gang é vítima dos crimes...





Ela viveu a agente secreta Jane Morgan no thriller de ação e ficção "Der Reufel kam aus Akasava" (El Diablo que Vino de Akasawa, 1970) de Jesus Franco, baseado em pulp-fiction de Edgar Wallace. Sua beleza e presença rouba todas as cenas neste sub-James Bond, estrelado pelo elenco habitual de Franco: Fred Willians, Paul Muller, Howard Vernon e cia.









O mesmo elenco esteve no ótimo "Sie Tötete in Ekstase" (Ela Matou em Extase (DVD), 1970) de Franco. Soledad é a esposa de um jovem cientista que desprezado e traído por seus colegas, comete suicídio. Determinada a vingar sua morte, ela seduz e mata um por um os cientistas de forma sado-masoquista. Erotismo e melancolia em mais um filme dominado pela musa!





Susan Korda, ou seja Soledad, apareceu ainda em "Eugénie (De Sade)" (1970) de Franco. A jovem Eugénie (Soledad) vive com seu pai, um escritor viúvo (Paul Muller), nos arredores de Berlin. Um dia ela descobre a verdadeira identidade de seu pai, um sádico com idéias demoníacas. Ao invés de ficar chocada, ela se torna sua cúmplice no plano de cometer um crime perfeito e decidem matar de forma perversa uma bela modelo fotográfica. Morte e prazer em um belo filme do mestre espanhol, que acabou relegado ao circuito de filmes "pornôs" em sua época (só sendo lançado vários anos depois). Soledad, além de sua beleza, atua muito bem, balançando seu personagem entre a inocência e a perversidade...





Apoiado no sucesso internacional de seu Drácula, Franco decidiu fazer uma versão erótica e livre do conto "Dracula's Guest" de Bram Stoker. "Vampyros Lesbos" (Las Vampiras, 1970), mostra a loira Lucy (Ewa Stroenberg), atormentada por sonhos com uma estranha e bela mulher. Um dia, ela a encontra em Istanbul. A  Nadine Korody (Soledad Miranda) é a herdeira do legado do conde Drácula, incluindo seu gosto pelo sangue de  lindas jovens. Erótico, poético e surreal, o filme perverte alguns dogmas dos filmes de vampiros (como a condessa tomando banho de sol...) e  mostra uma vampira que é ao mesmo tempo, animal, etérea e frágil...assim como sua protagonista!








Em 18 de agosto de 1970 em uma rodovia próxima a Lisboa (Portugal), Soledad sofreu um acidente de carro e morreu horas depois em um hospital.
Ironicamente, ela estava prestes a assinar um contrato com um grande produtor de cinema alemão para estrelar filmes de grande produção...



Jesus Franco nunca se recuperou da perda de sua grande musa, e chegou a afirmar em entrevistas:
" Todas as mulheres que atuaram em meus filmes depois dela, foram afetadas por sua lenda. Lina Romay por exemplo, muitas vezes era "possuída" por Soledad Miranda!

Meus atores, minha equipe e eu mesmo, é claro, todos sentimos muito por ela. Ela continua a existir para nós."







Para muitos detalhes sobre a vida e a carreira de Soledade Miranda, consulte: http://www.soledadmiranda.com/movies.html#sex

                                                                                                                                  by Coffin Souza

2 comentários:

  1. Essa mulher era linda demais... e topava tudo por Jesus. que crime ter morrido tão cedo...

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  2. a primeira curiosidade que li sobre soledad foi sobre a cena com christopher lee, aquilo me atingiu profundamente. a história de sua beleza é hipnotizante.

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