quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Isabel Sarli : Tesão Argentino


Isabel Sarli "La Coca" (apelido que recebeu, dizem, por seu "vício" conhecido em Coca-Cola, responsável, talvez, por parte de suas formas "cheias"!) foi a primeira e maior deusa nua do cinema argentino...


Hilda Isabel Gorrindo Sarli, nasceu em Concordia, Entre Rios, Argentina, em julho de 1935. A linda morena com grandes seios e bunda gostosa, foi eleita Miss Argentina em 1955 e começou sua carreira como modelo fotográfica. Nesta época, conheceu pessoalmente o famoso presidente argentino Juan Domingues Perón e o homem que iria mudar sua vida: Armando Bó, ator, produtor e diretor de cinema.


Sob as ordens de Armando, Isabel Sarli se transformou em um ícone e a primeira estrela sexy do país. Apesar de seus filmes serem seriamente mutilados pela censura, desprezados pela crítica e atacados pela classe média do país, a dupla Sarli-Bó mudou o cinema argentino para sempre.



                                                                            Sarli & Bó

Com seu rosto inocente e suas curvas "demoníacas", Isabel tinha uma personalidade muito próxima das personagens que vivia nas telas: mulheres puras que sucumbiam aos desejos dos homens. De uma família extremamente católica, Sarli resistia em fazer as cenas de nudez, mesmo para Bó (que além de seu diretor/produtor/parceiro, era também seu amante). Nas cenas de sexo, ela exigia que apenas ele a tocasse e quando a cena envolvia outro homem, inserts das mãos de Bó eram utilizados!





                                 Isabel nua na água, imagem recorrente em seus filmes

No começo de sua carreira, suas cenas eróticas apareciam sempre em um contexto "sério", em dramas com mensagens puritanas e moralistas como "El Trueno entre las Hojas" (1956) ; "Sabaleros" (Um Rio se Mancha de Sangue, 1958) ou "Y el Demonio Creo a los Hombres" (...E o Demônio Criou os Homens, 1960). Além disto, a dupla fez sua primeira incursão pelo Brasil, ao rodar o dramalhão "Favela" (1960) com Ruth de Souza, Monsueto e Jece Valadão no elenco...





Então os filmes do casal passaram ao território Sexploitation, bastante em sintonia com o que se produzia no exterior, principalmente com os primeiros trabalhos de Russ Meyer nos Estados Unidos (influencia nítida no trabalho de Bó). Apesar de Armando Bó ter feito algumas comédias maliciosas, seus dramas eróticos é que se destacavam, com incríveis roteiros recheados de violência, perversões e sacanagem soft-core. Tudo embalado em uma estética tipicamente "brega" latina, com cenários e vestuários "Kitsch", mas muito bem trabalhados.

                                                                      

                                                   

Os filmes do casal normalmente variavam entre dois temas. Um era o da "boa mulher" que era arrastada por um turbilhão de sexo e violência por conta de alguma paixão. O outro era o da ninfomaníaca, que por conta de sua incapacidade de conter seus impulsos e desejos, acabava quase sempre envolvida em uma tragédia. Uma variedade de personagens masculinos sempre apareciam, principalmente estupradores, maridos impotentes, policiais arrogantes e homens gananciosos.
















 Um dos poucos trabalhos de Sarli sem seu companheiro foi "Setenta Vieces Siete" (Setenta Vezes Sete, 1962) de Leopoldo Torre Nilsson, onde ela vive a atormentada prostituta mexicana Cora. Um dos papéis principais deste drama é do ator brasileiro Jardel Filho. A produção, discreta em seus tons sexuais, teve cenas mais "picantes" enxertadas para seu lançamento no mercado americano.



                                                              "La Diosa Impura" (1963)

Filmes como "Lujuria Tropical" (Sedução Tropical, 1965) de Armando Bó, foram exibidos por aqui com muito sucesso.
Em "Extasis Tropical"/"La Tentácion Desnuda" (Tentação Nua, 1966), Sarli vive uma prostituta que trabalha em um porto, sendo explorada por seu amante, até se apaixonar por um humilde pescador (Armando Bó). Alguns anos mais tarde. foram rodadas diversas cenas no porto de Santos com atores nacionais e o filme foi remontado como se produzido no Brasil, ganhando inclusive certificado de produto nacional!




Alguns filmes mais representativos da obra de Bó, foram: "Carne" (1968), "Fuego" (Fogo!,1969), "Fiebre" (1971), "Furia Infernal" (1973), "Insaciable" (197 ) e "Una Mariposa en la Noche" (1976).













"Carne" é talvez a melhor e mais conhecida das parcerias Bó-Sarli, e um clássico do exploitation latino. Sarli vive uma personagem convenientemente chamada Delicia, que trabalha em um frigorífico e é assediada (e estuprada) por seus colegas. A  clássica frase "carne na carne", é dita quando a personagem é violentada dentro de um freezer em cima da carcaça de um animal! O ator principal neste filme é Victor Bó, que ganhou de presente a "dura tarefa" de substituir seu pai nas cenas de sexo e paixão com Isabel...
Similar é a trama de "Furia Infernal", uma espécie de western argentino, onde Sarli é raptada e abusada por um rancheiro, cujo filho acaba se apaixonando por ela.



Fugidos da censura e ditadura argentina, Armando, Isabel e Vitor vieram ao Brasil (com ditadura mas sem perseguição ao seu trabalho) e realizaram "Embrujada" (Mulher Pecado, 1969) uma mistura de terror e erotismo. Ela é Ansise, uma mulher de sangue indígena que quer ter um filho, mas é casada com um homem impotente. Obcecada com a idéia da maternidade, ela primeiro se prostitui e depois  procura a ajuda de uma feiticeira. 



O problema surge, quando uma estranha e monstruosa entidade sobrenatural conhecida como Pombero, se apaixona por ela e passa a matar todos os homens que cruzam seu caminho. Co-dirigido por Armando Bó e pelo ator/diretor brasileiro Egídio Eccio, tem participações de Teresa Sodré, Márcia Rosa, C. Adolpho Chadler e Vitor Bó como Juan, amante da índia.



                                                               o diabo tarado Pombero!


 Infelizmente eles não conseguiram escapar também de nossa censura e o filme ficou retido por quase 10 anos e foi lançado por aqui em uma cópia remontada e com uma sub-trama enxertada. No seu país nativo o filme também só viu a luz em 1978.
"La Diosa Virgen" (1974), é o outro raro filme de Coca Sarli sendo dirigida por outro cineasta. No caso, o sul-africano Dirk de Villiers, numa adaptação da história fantástica "She" de H. Ridder Haggard. Isabel Sarli vive uma sobrevivente de um naufrágio nas costas da África e que é adorada por uma tribo como uma deusa de uma antiga lenda.




                                                              
                                                                      Isabel e Armando

Quando a democracia voltou a Argentina nos anos 80, a censura foi abolida, no entanto, Coca Sarli já havia abandonado o cinema após a morte de seu amante e mentor em 1981. Em 1996, ela participou de "La Dama Regressa" de Jorge Polaco, um filme com pretensões artísticas e uma homenagem a grande deusa do sexo dos pampas! Seu último filme foi "Mis Dias con Gloria" (2010) de Juan José Jusio, um suspense argentino. Em 2013, Isabel Sarli foi eleita "Embaixadora da Cultura da Argentina" pela presidente Cristina Kirchner...Coca la diosa, vive!!!!








                                                                                                      by Coffin Souza
                                                                       (com ajuda de MONDO MACABRO de Pete Tombs)

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