sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Emilio Vieyra: Horror & Safadeza Argentina

Nascido em Outubro de 1920 em Buenos Aires, Argentina. Emilio Vieyra começou sua carreira como ator, depois de ganhar um concurso para jovens talentos do Teatro Nacional de la Comedia. Logo faria diversas participações na televisão e no rádio. Em 1959 se mudou para os Estados Unidos para estudar cinema na prestigiada Columbia University de New York. De volta a Argentina se dedicou ao cinema de gêneros (Terror, Sexploitation, Ficção Científica e Aventura) como diretor, roteirista e produtor. Sua obra é polêmica, com muitos admiradores, críticos ferozes e comparações com o diretor cult Ed Wood!



Começou dirigindo comédias e principalmente dramas com a deusa loira argentina Libertad Leblanc (eterna rival da Musa portenha Isabel Sarli) como "Testigo para un Crimen" (Perdidas da Noite, 1963) ou "María M." (O Segredo da Loura Nua, 1964).



                        "Perdidas da Noite" com Libertad Leblanc (ver matéria em:  http://chiadosecanudos.blogspot.com.br/2011/11/testigo-para-un-crimen-1963.html  )


                             Libertad no Programa do Chacrinha, na TV brasileira nos anos 60


Sua entrada no cinema fantástico foi com "Extraña Invasión" (1965), uma mistura de drama, comédia e ficção científica com o ator americano Richard Conte e Anna Strasberg.



A história de estranhas imagens que começam a aparecer em aparelhos de televisão e transformam crianças e velhos em aparentes zumbis. Filmado em inglês (co-produção americana), estreou primeiro nos Estados Unidos com o título de "Stay Tuned for Terror". Divulgado como o "primeiro filme de Ficção Científica da Argentina", foi também um dos primeiros totalmente rodados à cores no país.






Incentivado por um distribuidor americano que queria filmes para a grande população de língua espanhola no país, Emilio adentrou no mundo dos filmes de terror e exploitation com "Placer Sangriento" (1967). Filmado em uma praia no vizinho Paraguai durante 10 dias (em 1965), com dois protagonistas preferidos do diretor: Ricardo Bauleo e Gloria Prat. Conta a história de um misterioso assassino/tarado mascarado que hipnotiza belas mulheres com a música de seu órgão e após usa-las em seus jogos sexuais, as despacha com doses letais de Heroína.














 Uma das obsessões do diretor argentina era de que ninguém soubesse a identidade dos assassinos em seus filmes, nem o elenco e equipe técnica. Em "Placer Sangriento" ele levou esta ideia ao limite. "O roteiro que dei a equipe, não revelava quem era o criminoso. Na verdade durante as filmagens, eu também não estava certo de quem ele seria. Eu tinha várias alternativas na cabeça e só me decidi por sua identidade nos últimos dias..."






Em 1966, Emilio filmou em menos de duas semanas o incrível "La Venganza del Sexo". Um jornalista (Ricardo Bauleo) investiga estranhos desaparecimentos e acaba por esbarrar no louco Dr. Zoide (Aldo Barbero).





Para preservar sua juventude, o cientista rapta casais e os força a manterem relações sexuais "a distância" (conectados por cabos) para sugar a força vital do sexo. O médico louco parece controlado por um cérebro vivo mantido em um vidro e tem uma auxilar gostosa (Susana Beltrán) e um assecla monstruoso (e trash) responsável pelos sequestros.





Lançado nos Estados Unidos na versão original e em uma cópia dublada e com cenas adicionais de nudez como "The Curious Dr. Humpp", o filme adquiriu status de obra Cult!




Em 1967 Emilio Vieyra realizou seu filme mais "psicodélico", o suspense "La Bestia Desnuda". Praticamente sem orçamento, reciclou a história de "Placer Sangriento" ao contar os crimes de um assassino mascarado que mata belas strippers de um teatro. Números musicais, longas cenas de orgia (com sexo simulado hetero e homossexual) e várias cenas envolvendo o uso e o efeito de drogas, completam a metragem deste "tango-do-argentino-doido"!




Finalmente, ainda em 1967, Emilio fez seu filme mais cultuado "Sangre de Vírgenes" (As Virgens do Vampiro), com Ricardo Bauleo, Gloria Prat, Susana Beltrán e Rolo Puente. Uma corajosa incursão no mundo dos vampiros clássicos, ao estilo Hammer, mas com muito mais gore, sexo e nudez. "Foi ideia do produtor Orestes Trucco fazer um filme de vampiros" lembra Vieyra. "Quando eu contei para minha esposa sobre isto, ela disse que éramos completamente malucos!"












Burlando a tradicional falta de recursos, para mostrar os tradicionais morcegos do gênero, Vieyra utilizou cenas de gaivotas voando e as coloriu de vermelho no negativo do filme! 


A história envolve um grupo de turistas em Bariloche que encontra um antigo castelo, onde a 200 anos, um vampiro havia assassinado seu rival na noite de sua lua-de-mel com sua bela amada mortal. O filme foi proibido na Argentina e estreou brevemente em 1974, aproveitando uma pequena abertura democrática. Ao estilo do produtor /diretor americano William Castle, Trucco criou um gimmick para divulgar o filme nas celas de cinema aonde era exibido: A gostosa e peituda vampirinha Susana Beltrán, fazia aparições surpresa, vestida de baby-doll e com suas presas manchadas de sangue. 



Alguns meses depois ele seria novamente banido e apenas devidamente divulgado e apreciado (e cultuado) no final anos 80. 
Nos anos seguintes, Emilio alcançaria grandes bilheterias na America Latina com filmes de outros gêneros, como "Gitano" (1970) musical com Sandro "o Elvis Presley argentino"; "Los Mochileros" (1970), uma aventura infantil; "La Gran Aventura" (1974), uma paródia aos filmes de James Bond ;"Los Irrompibles", um western cômico e  os filme de ação/policial/comédia familiar "Comandos Azules" e "Comandos Azules en Acción" (ambos em 1980).




Aproveitando o fim da censura militar, Vieyra visitou outros sub-gêneros do sexploitation com "Sucedió en el Internato" (1985) e o W.I. P. "Correccional de Mujeres" (1986). Lotados de todos os clichês do gênero, ambos abusaram de cenas de sexo/nudez e violência. "Correccional de Mujeres" foi homenageado pela banda de punk-rock Attaque 77 na música "Caminando por el Microcentro" e clips do filme em um vídeo.




Vieyra continuou trabalhando nos anos 90 com um ritmo mais devagar. Em 1996 voltou a causar controvérsias com seu melodrama musical "Adiós Abuelo", uma versão nada politicamente correta da ditadura militar Argentina dos anos 70. Seu último filme foi "Cargo de Conciencia" (2005), ele faleceu em Janeiro de 2010 aos 89 anos...






                                                                                                                       by Coffin Souza



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