quarta-feira, 2 de abril de 2014

Adrienne Corri : A Garota Diabólica da Escócia

Não tão conhecida como as icônicas Barbara Steele ou Barbara Shelley, a bela ruiva Adrienne Corri tem diversas participações em filmes de terror e fantasia e contracenou com astros do gênero como Karloff, Cushing e Chris Lee...
Nascida Adrienne Riccoboni em Edinburgh (Escócia) em Novembro de 1930, filha de um italiano e uma escocesa.



 A inquieta e precoce ruivinha foi expulsa de uma escola particular em Edinburgh e fugiu sozinha para Londres em busca de uma nova vida aos 13 anos! Dois anos depois se tornaria a mais jovem aluna aceita na prestigiada Royal Academy of Dramatic Art, atuando em peças na Inglaterra e nos Estados Unidos.



 Em 1951 atuou no filme "O Rio Sagrado" do grande cineasta francês Jean Renoir e fez uma ponta no épico milionário "Quo Vadis".



                                                                     O Rio Sagrado

Sua primeira incursão no cinema fantástico veio com "Devil Girl From Mars" (1954) de David McDonald, uma ficção científica trash sobre uma invasora alienígena (Patricia Laffan, a vilã Popeia de "Quo Vadis") que chega a Escócia para capturar homens para acasalar! Adrienne vive Doris, a garçonete do Pub onde os homens que não estão interessados em casar com a marciana se reúnem para beber e planejar como se livrar da intrusa e de seu perigoso (e esquisito) robot Chani! 







"Corridors of Blood" (Corredores de Sangue,1958) de Robert Day, trás Corri trabalhando ao lado de Boris Karloff e de um ainda não tão conhecido Christopher Lee. Na Londres de 1840, o bondoso Dr. Bolton (Karloff) faz pesquisas para desenvolver um anestésico para seus pacientes, acaba ficando viciado em drogas e chantageado por uma dupla de ladrões de cadáveres assassinos (Lee e Francis de Wolff). Adrienne tem um papel pequeno mas marcante como Rachel, a senhoria fofoqueira da taverna onde os vilões se divertem e buscam suas novas vítimas.



                                                          Com Karloff & Lee

Elogiada por suas diversas participações na TV americana e inglesa, Adrienne também era criticada por seu estilo de vida "moderno" para a época: independente, solteira e mãe de duas crianças. Ela foi a atriz principal do macabro e atmosférico " The Tell-Tale Heart" (1960) de Ernest Morris, baseado no conto "O Coração Denunciador" de Edgar Allan Poe.

 Ela é Betty, uma florista por que o perturbado intelectual Edgar (Lawrence Payne) é apaixonado. Quando ele à vê com seu melhor amigo, decide matá-lo e arrancar seu coração, o que vai leva-lo totalmente a loucura.



 Adrienne aproveita bem seu papel "femme-fatale" e diria mais tarde sobre este tipo de filme "Eu gosto de perturbar as pessoas. Eu acho que isto é muito bom para elas."
No mesmo ano ela foi escalada junto com Peter Cushing e Francis Matthews (presente também em "Corredores de Sangue") para a aventura "The Hellfire Club" (O Espadachim do Diabo) de Robert S. Baker e Monty Berman, a história de uma sociedade secreta de aristocratas que participam de grandes orgias (muito discretas no filme) enquanto fazem planos para derrubar a Monarquia.





Ela voltaria ao terror histórico com "A Study in Terror" (Névoas do Terror, 1965) de James Hill. Com fartas doses de licença artística, o filme conta o confronto entre o imortal detetive Sherlock Holmes (John Neville) e o notório assassino de prostitutas Jack o Estripador. Adrienne é Angela, uma ex-prostituta desfigurada e chantageada pelo criminoso. No elenco também: Robert Morley, Frank Finlay, Anthony Quayle e Donald Huston como o Dr. Watson.





Adrienne começou então uma série de papéis para a produtora Hammer, filmes dos quais ela confessa em uma entrevista ter "uma paixão particular". O primeiro foi "The Viking Queen" (A Rainha dos Vikings, 1967) de Don Chaffey... 



...uma divertida aventura "histórica" ( com fatos históricos, situações e diálogos totalmente fora de época...) sobre um militar da Roma antiga apaixonado pela Rainha Viking Carita. Com magos Druidas e garotas guerreiras com pouca roupa. Corri vive Beatrice, irmã e confidente da rainha.


                                    Corri de arma em punho com sua roupa de Viking (?!?)

Com fama de mau-humorada e explosiva, Adrienne não levava desaforo para casa. Contam que durante a apresentação de uma peça, com o teatro lotado, a platéia vaiou determinada cena. Prontamente ela foi para a frente do palco, apontou os dedos de ambas as mãos e lascou um sonoro "Fodão-se!!!". O resto da peça transcorreu sem incidentes. 
Adrienne Corri foi Liz Murphy, a encarregada da segurança da base lunar na ficção científica "Moon Zero Two" (Gangsters na Lua, 1969) de Roy Ward Baker, divulgado pela Hammer como o "Primeiro Western Espacial". 


Sua personagem disputa a atenção do piloto vivido por James Olson com a bela Catharina Von Schell. Mas ela se desentendeu com Olsen durante as filmagens e encheu a pesada "roupa espacial" dele com cubos de gelo. O ator teve que atuar um dia inteiro com a fantasia molhada e gelada...




A última participação sua em um filme da Hammer foi em "Vampire Circus" (O Circo do Vampiro, 1972) de Robert Young. Uma pequena vila da Europa do séc.19 está isolada por conta de uma praga na região. 








Um exótico circo errante consegue furar o bloqueio e trazer divertimento a população com seu show de acrobacias e mágicas. Mas os integrantes da trupe são na verdade vampiros que se transformam em animais e estão em busca de uma vingança. Adrienne é a Cigana, líder do circo, em um papel talhado especialmente para ela.



Mas o papel mais conhecido de Adrienne é o da Senhora Alexander, esposa de um escritor (Patrick Magee) em "A Clockwork Orange" (Laranja Mecânica, 1971) de Stanley Kubrick. Numa das cenas mais controversas do clássico, a gang de jovens delinquentes lideradas por Alex (Malcolm McDowell) invadem a casa de campo do casal e ao som da canção "Singing in the Rain",os espancam brutalmente e a personagem de Corri é despida e estuprada violentamente.
Sempre perfeccionista, Kubrick exigia realismo nas atuações e repetiu a cena 1, 2, 3...39 vezes no total! 



No final,  Adrienne, estava com o corpo todo marcado por hematomas e precisou ser atendida por um médico. Mesmo assim, apesar de seu famoso "pavio curto", ela se tornou boa amiga do diretor e quando perguntada sobre o fato de aparecer totalmente nua na cena (incomum em filmes mainstream na época), respondeu divertida: "Não devo ser a primeira ruiva natural da Inglaterra a fazer um strip!".



1974 trouxe a reunião de Peter Cushing, Vincent Price, Robert Quarry e Adrienne Corri em "Madhouse" (A Casa dos Rituais Satânicos) de Jim Clark. Um filme-homenagem a carreira de Price, aonde ele interpreta Paul Toombs, um veterano ator de terror, assombrado pelo seu personagem Dr. Morte.

 Corri novamente vive uma personagem perturbada e desfigurada, Faye, que vive em um porão e cuida de uma colônia de aranhas como se fosse seus filhos. Uma atuação propositalmente exagerada e uma personagem sem glamour ou sensualidade; outras Scream Queens poderiam reclamar disto, mas Adrienne adorou o papel: "Este foi um filme que adorei fazer, até porque eu sou realmente uma fã do Horror!".



Corri continuou trabalhando na TV e teatro e também se dedicou a outra paixão, o estudo histórico de artes plásticas do séc. XVIII. Em 1986 ela publicou o livro "The Search for Gainsborough", com resultados sobre as suas pesquisas sobre um artista da época, mesclado com reflexões  e piadas sobre sua carreira no teatro e cinema. Ela fala sobre suas motivações para se tornar uma atriz: "Eu vejo que este foi o único trabalho aonde eu pude ser eu mesma, gostar disto e sofrer pouco. Além de poder ganhar o dinheiro para viver, aproveitando o meu jeito naturalmente preguiçoso de ser."
"Eu fiz Shakespeare e todo o tipo de clássicos durante anos. Então eu me vi fazendo filmes de horror, um maravilhoso escapismo para as coisas sérias que eu fazia...é fácil fazer alguém acreditar em Shakespeare, mas se você não consegue fazer alguém acreditar em seu papel em um filme de horror, você não pode se chamar de ator."







                                                                                                                      By Coffin Souza





Um comentário:

  1. grande homenagem a Adrienne Corri.. conheço pouco do trabalho dela mas pelo filme " Nevoas do Terror " e "Laranja Mecanica " os outros filmes dela para mim são inéditos.Valeu por mais este post Coffin Souza,espermos mais posts como esse neste blog.um grande abraço.

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