segunda-feira, 5 de maio de 2014

Debbie Rochon Por Debbie Rochon : Confissões íntimas de uma Scream Queen


  Ela saiu das ruas para se tornar a maior Scream Queen das últimas décadas e já viu toda sorte de horrores...reais e cinematográficos. Já falamos da vida e carreira de Debbie Rochon aqui no She Demons. Hoje vamos deixar que a doce, linda e inteligente Debbie fale...

"Hey garota, isto foi ótimo!"
"Estas foram as palavras que mudaram a vida de uma menina de rua de 16 anos. Elas foram ditas para mim por Tommy Thompson, assistente de direção do filme sobre rebelião e rock'roll "Ladies and Gentleman, The Fabulous Stains". Era 1980 e eu havia passado os últimos quatro anos da minha vida duelando para viver nas ruas de Vancouver, um lugar tão sujo que você não gostaria que seu ratinho de estimação visse. Violência, brigas, estupros, fugas. Estas foram as memórias e eventos que poderiam ter me traumatizado permanentemente.
Eu agora tinha algo para viver e trabalhar duro. Meu primeiro e acima de tudo verdadeiro amor...o cinema.



Durante as filmagens eu conheci Paul Cook, que interpretava o baterista Danny no filme e que na vida real havia tocado bateria para a banda punk Sex Pistols. Um romance começou e depois que as filmagens acabaram eu me mudei para Londres com ele. 
Em 1984 eu me mudei para New York City para aulas de teatro em 3 diferentes estúdios da cidade e consegui um trabalho como garçonete, servindo cappuccinos em uma lanchonete. No final dos anos 80, eu já havia atuado em diversas peças de uma dúzia de companhias teatrais diferentes. Eu comecei a fazer pequenos papéis em filmes também. 



Um dos primeiros foi "Banned", dirigido por Roberta Findlay (Snuff ).  Era sobre um rock-star punk chamado Teddy Homicide, que morreu afogado em uma privada. O filme foi finalizado mas nunca lançado oficialmente, só existindo em cópias piratas. Foi também o primeiro filme em que eu tinha uma cena de nudez e eu estava apavorada. Eu realmente não sabia como fazer e o que esperavam de mim. E Roberta era...um pouco maluca. Então eu fiz a minha cena o melhor que pude para que ela não ficasse gritando!
A maior parte dos filmes que fiz nos anos 90 eram exploitation. Era o tempo de filmes de terror eróticos, thrillers eróticos e comédias eróticas. Mas sim, esta época foi também muito importante para mim. Não só fiz muitos filmes, como comecei minha longa amizade com Lloyd Kaufman depois de trabalhar em 3 de seus filmes: "Tromeo & Juliet", "Terror Firmer" e "The Toxic Avenger IV". 



                                    Debbie em Citizen Toxie: The Toxic Avenger IV


Ele é até hoje a pessoa mais importante na minha vida. Ele foi o primeiro rosto que vi ao acordar na UTI de um hospital após uma cirurgia para remoção de um tumor não maligno do cérebro em 2008. Coisas assim você nunca esquece.



Mas também nesta época tive minhas primeiras brigas com vagabundos longe das ruas. Durante muito tempo eu escrevi e colaborei com a revista Femme Fatales, editada por Frederick S. Clarke. Depois que a revista se tornou um sucesso, o editor se tornou um tirano e um "troll maligno". Depois que eu recusei várias vezes os seus avanços e propostas "românticas", ele me baniu da revista e passou a ligar para diretores avisando que se eu estivesse em seus filmes ele não os divulgaria na publicação! Babaca!



Em 2002 o jornalista Jon Keeyes me chamou para trabalhar em seu primeiro filme "American Nightmare". Ele me perguntou se eu queria fazer o papel principal, a assassina psicótica Jane Toppan. Eu aceitei, e começamos uma profunda colaboração criativa, trabalhando na personagem para torna-la real. Eu estou feliz porque agora, 12 anos depois, fizemos outro filme juntos "The Nightmare Box". Rodar este filme em um grande estúdio da Inglaterra foi uma grande experiência pessoal e profissional para mim.



                                                      The Nightmare Box


Como atriz, eu acho que o filme mais ousado que fiz foi "Nowhere Man" um drama de Tim McCann de 2005. Eu interpreto uma mulher cujo namorado encontra um filme pornô que meu personagem havia feito no passado. Claro que filmamos falsas cenas pornográficas para o expectador ficar chocado assim como meu namorado no filme.



 Rodar esta sequencia foi o dia de filmagem mais traumático da minha vida. O filme então se torna violento e depressivo, apesar de alguns momentos de humor. Eu corto o pênis do meu namorado depois de ser muito abusada por ele e fujo...
"Colour from the Dark", baseado no conto de H.P.Lovecraft e dirigido pelo grande artista visual, o diretor italiano Ivan Zuccon, foi meu filme estrangeiro mais criativamente realizado.





 Nós filmamos durante 5 semanas em um fazenda cênica na Itália durante o verão de 2007. Uma equipe pequena que trabalhava todo o dia para conseguir tempo para aperfeiçoar todos os aspectos técnicos e de atuação que eu tanto adoro. Eu acredito que a produção finalizada é um exemplo brilhante de como um filme de pequeno orçamento deve ser feito.
Eu sempre fui fã dos corajosos filmes underground dos anos 70 e 80; assim, fiquei excitada quando o multifacetado roteirista/diretor/produtor Gregory Lamberson me chamou para fazer a continuação do seu cult de 1988 "Slime City". Em "Slime City Massacre", eu tive que ser coberta com uma lama cor de laranja dos pés a cabeça e trabalhei com Greg, alguém que admiro a muito tempo.



 Foi uma experiência muito especial, tanto que mandei tatuar as letras "SMC" atrás do meu pescoço para celebrar. Acho que umas 12 pessoas da equipe fizeram a mesma coisa, incluindo Greg. 
No topo de todas as minhas experiências com o cinema independente está a antologia "The Theatre Bizarre" , que ganhou muitos elogios da crítica e o segmento em que eu apareço, "Wet Dreams", foi dirigido por ninguém menos que o mestre dos efeitos especiais Tom Savini. 





Mas o mais excitante de tudo é que estou finalizando o meu primeiro filme como diretora: "Model Hunger", escrito e produzido por James Mogart. Então, para quem começou como uma criança sem teto, vivendo nas ruas e indo e vindo de prisões juvenis; ser uma atriz premiada, capa de revistas especializadas e agora diretora...só me faz ficar orgulhosa.



 Orgulhosa de ter saído do inferno. Orgulhosa do meu trabalho, que de muitas formas me salvou. Agora eu sei que sou uma atriz de gênero e que posso interpretar sem ter que ficar nua para o papel - a não ser que eu queira. 
Continuem assistindo... "
                                            
            (Debbie Rochon, Fangoria Magazine # 314)
                                                                                 
                                                                         Traduzido e editado por Coffin Souza




Um comentário:

  1. Debbie Rochon é além de tudo uma pessoa muito simpática e aberta a se conversar.

    Fiquei amigo dela no twitter mandei pra ela um mini conto que ela gostou, e me mandou de volta um de seus DVDs (nem sei se foram lançados no Brasil ainda) com fotos autografadas e fiquei me sentindo todo pimpão. Sempre a considerei uma musa não só do terror, mas da contracultura estadunidense, e tento ver até seus trabalhos mais obscuros ou menos divulgados.

    Grande postagem, sou muito fã dela desde que a vi em Tromeu & Juliette (o primeiro filme dela que assisti).

    Abração a todos(as) do SheDemonZine. 8)

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