sexta-feira, 27 de junho de 2014

O Médico, o Monstro e as Garotas...


A novela "The Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde" (O Médico e o Monstro) do escritor escocês Robert Louis Stevenson foi publicada em 1886. Na narrativa, o respeitável médico e cientista Henry Jekyll, descobre e testa em si mesmo, uma poção capaz de separar seu lado mais sombrio e perverso, se transformando no amoral e maligno sr. Edward Hyde.


No livro e nas dezenas de adaptações para o cinema, o que fica explícito é o caráter libidinoso do "Monstro-Hyde": antes de levar seu "hospedeiro" a destruição ele concede a Jekyll, momentos de prazer, sexo, violência e amoralidade. Claro que isto gerou versões femininas, sacanas e "abusadas" !
Ainda no cinema mudo apareceu "Miss Jekyll and Madame Hyde" (1915) de Charles Gaskill, com J.H. Lewis como o dr. Henry e Helen Gardner como sua esposa Madeleine Jekyll e o lado perverso Madame Hyde. Nesta mesma versão, um personagem novo chamado Baron Stana (vivido por Paul Scardon, um travesti!) é um influência maligna para o casal.



As versões clássicas da história apareceram em 1920, 1932 e 1941; e variações de todo tipo e países pipocaram nas telas. Mas ficaremos aqui, apenas com suas encarnações mais sexuadas/sensuais... Em "Daughter of Dr.Jekyll" (A Filha do Médico e o Monstro, 1957) de Edgar G. Ulmer, a bela Janet (Gloria Talbott) descobre que é a filha do infame médico e passa a acreditar que também tenha uma personalidade dividida, sendo uma delas a de uma assassina. Mas nada disto acontece neste pequeno filme de terror dirigido sem vontade pelo diretor de "O Gato Preto" de 1934. O assassino na verdade é um lobisomem...Stevenson se retorce na tumba!




A Hammer filmes fez um cocktail de referências góticas com "Dr. Jekyll and Sister Hyde" (O Médico e a Irmã Monstro, 1971) de Roy Ward Baker. O bondoso Dr. Jekyll (Ralph Bates) procura uma toxina para curar várias doenças. Acaba encontrando uma fórmula que o transforma em uma bela e perigosa mulher (Martine Beswick). Ele necessita de hormônios femininos para continuar seus experimentos, e apela para a ajuda dos notórios ladrões de cadáveres e assassinos Burke & Hare. Logo toda Londres acredita que o assassino é...Jack o Estripador!






"The Adult Version of Jekyll & Hyde" (1972) de Lee Raymond e Byron Mabe  acrescenta erotismo (soft e trash) na mesma história. Aqui um médico maluco e assassino (Jack Buddliner) descobre a antiga fórmula e ao toma-la se transforma em uma mulher perigosa chamada Miss Hyde (Jane Tsentas) ! Mas se o cara já era violento e doido, que "nova personalidade" é esta? Gay, certamente, já que ele/ela faz sexo com homens e mulheres! Produção do mestre David Friedman com a atriz pornô Rene Bond.






Outra mistura interessante da história é "Dr.Jekyll y el Hombre Lobo" (1972) de Léon Klimovsky. Valdemar Daninsky (Paul Naschy/Jacinto Molina), o eterno lobisomem espanhol, procura o neto do Dr. Jekyll (Jack Taylor) para tentar uma cura da sua maldição. O soro da dupla personalidade o transforma em um novo Hyde muito tarado e cuja a outra face continua a ser...um monstro peludo!











A história sempre foi sempre uma das favoritas para paródias pornôs. Em 1973 apareceu o obscuro "The Naughty Dr.Jekyll" e o engraçado Harry Reemes estrelou " The Erotic Dr.Jekyll" (1976) de Victor Milt. A deusa Ashley Gere fez das suas em "Dr.Jeckel and Ms. Hide" (1990) de Michael Craig e o ator/diretor Paul Thomas fez "Jekyll & Hyde" (2000) com Taylor Hayes...





"Docteur Jekyll et les Femmes" (Dr. Jekyll e as Mulheres,1979) de Valerian Borowzyck trás Udo Kier (que já viveu Drácula e o Dr. Frankenstein) no papel do médico que com um banho de produtos químicos se transforma física e mentalmente. Ele vira um Hyde (Gérard Zalcberg) obcecado por estupros e violência e com um pênis "monstruoso"!













 Depois de várias mortes, sua amada e virginal noiva Miss Fanny Osbourne (Marina Pierro nota: Fanny Osbourne era o nome da esposa de Robert Louis Stevenson!), também se submete ao tratamento e os dois fogem para viverem seu louco amor. Um diferencial na versão do tarado diretor polonês, é que o Dr. Jekyll não é um médico bonzinho, ele se submete a transformação no intuito de liberar e aproveitar seus instintos sádicos.  Com participações de Patrick Magge e Howard Vernon. Prêmio de Melhor Diretor no Festival Internacional de Sitges em 1981.





A pornochanchada italiana "Dottor Jekyll e Gentile Signora" (1979) de Steno (Stefano Vanzina), tem a deusa Edwige Fenech em apuros e confusões com a dupla personalidade de Jekyll/Hyde do comediante Paolo Villagio.





Roger Corman produziu "Dr.Heckyl and Mr. Hype" (A Experiência Fatal, 1980) de Charles B. Griffith. O gentil mas extremamente feio podólogo Henry Heckyl ingere uma fórmula secreta criada por um colega e se transforma no bonitão sedutor (mas violento e amoral) Sr.Hype. Comédia de terror com diversas participações especiais (Jack Coogan, Dick Miller...)





Em "Edge of Sanity" (À Beira da Loucura, 1989) de Gérard Kïkoine, Anthony Perkins é um Dr.Jekyll "doitaço" que faz experimentos com cocaína. Ao perder o controle, se transforma em Jack Hyde e ronda as ruas de Londres catando e matando prostitutas e "fazendo a cabeça"!
O eterno Norman Bates fazendo o mesmo papel durante 30 anos; um ex-diretor pornô que sempre gostou de terror e mais uma conexão entre Hyde e Jack o Estripador...mas é legal!







"Dr.Jekyll and Ms.Hyde" (O Médico, a Mulher e o Monstro, 1995) de David Price é uma comédia bastante bobinha sobre Richard Jacks (Tim Daly), um especialista em perfumes que um dia topa com a fórmula especial de seu bisavô. Ele acaba experimentando a poção e se transforma na linda e sedutora Helen Hyde (Sean Young). Mas seu alter-ego quer se livrar dele a todo custo...







Uma nova revisão erótica do mito apareceu em "Dr.Jekyll & Mistress Hyde" (2003) de Tony Marsiglia. A doutora Jackie Stevenson (Julian Wlls) testa um soro para curar psicoses sexuais femininas. Após um teste inútil com uma paciente, ela serve de cobaia e se transforma na libidinosa Heidi Hyde. Ela passa a rondar as noites de Los Angeles em busca de prazeres lésbicos sem fim. Mas Heidi acaba se mostrando perigosa e Jackie perdendo a noção de realidade...






                                                                                                                by Coffin Hyde Souza
   



Um comentário:

  1. Matéria incrível! Como sempre surpreendendo Coffin Souza! Parabéns meu velho!

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