sexta-feira, 25 de julho de 2014

Alice Guy-Blanché : Pioneira no Cinema e no Terror

Alice Guy-Blaché (1 de julho de 1873 - março 24, 1968) foi a primeira diretora mulher na indústria do cinema mundial e um dos primeiros diretores de filmes de ficção...incluindo vários filmes de terror e suspense! A história oficial do cinema fantástico, normalmente destaca o trabalho dos pioneiros George Mélies (França); Walter R. Booth (Inglaterra); Segundo de Chomon (Espanha); Edwin S. Porter (USA), e esquece de citar seu nome.



Nascida em julho de 1873, em Paris, França, após seu nascimento, Guy foi criada por seus avós até a idade de quatro anos. Em 1877, a mãe de Guy recuperou-a de seus avós e a levou para o Chile, onde Guy conheceu o pai pela primeira vez. De volta a França, foi matriculada em um colégio interno com duas de suas irmãs. Anos mais tarde, a cadeia de livrarias de seu pai faliu e ele faleceu. Alice Guy treinou datilografia e conseguiu seu primeiro emprego, ela foi contratada por Léon Gaumont para trabalhar para a sua empresa de câmeras como secretária.



 Logo a Gaumont-Paris deixou de apenas fabricar equipamentos para se transformar em produtora e se tornou uma força importante na indústria cinematográfica incipiente na França. Guy decidiu juntar-se a nova Gaumont Film Company, uma decisão que a levou a uma carreira de pioneira na produção de filmes. Em mais de 25 anos ela dirigiu, produziu, escreveu e / ou supervisionou mais de... 700 filmes !!!!. 



De 1896 a 1906, Alice Guy foi a cabeça de produção da Gaumont  e é geralmente considerada como a primeira cineasta a desenvolver sistematicamente o cinema narrativo. Ela impressionou tanto a empresa com a quantidade (um média dois curtas por semana-  de todos os gêneros e muitos de cunho fantástico) e qualidade de suas produções, que em 1905 foi nomeada diretora de produção da empresa, supervisionando os outros diretores contratados.






 "Esmeralda" (1905) de Alice Guy é a primeira adaptação para o cinema da obra de Victor Hugo "O Corcunda de Notre Dame". No seu filme, Henri Vorins vive  Quasímodo e Denise Becker é a cigana Esmeralda.



                                                           O corcunda de Alice Guy

Em 1906, ela fez "La Vie du Christ" (A vida de Cristo), uma grande produção para a época, que incluiu 300 extras e efeitos especiais . Além disso, ela foi um dos pioneiros no uso de gravações de áudio em conjunto com as imagens na tela no sistema da Gaumont "Chronophone", que usava um disco vertical sincronizado com o filme. Uma inovadora, ela empregou efeitos especiais, usando técnicas de dupla exposição, mascaras, colorização da película e até mesmo a execução de um filme de trás para frente.



Em 1907 ela se casou com Herbert Blaché, um inglês que dirigia os escritórios britânicos e alemães da empresa. O casal foi para os EUA para organizar as operações da empresa por lá, e em 1910, ela criou sua própria produtora em Nova York e construiu um estúdio em Fort Lee, Nova Jersey. Ela foi a primeira ( e possivelmente a única) mulher a possuir seu próprio estúdio de cinema: "Solax Company", gerenciado por seu marido enquanto ela produzia e dirigia os filmes.




                                 Alice Guy-Blanché, uma das inventoras do cinema

Em 1913 ela produziu e dirigiu "The Pit and the Pendulum", a primeira versão que se conhece do conto de Edgar Alan Poe para as telas. Darwin Kerr viveu o prisioneiro Alonzo e o alemão Fraunie Fraunholz, o inquisidor Pedro.





Fraunholz também estrelou "The Dream Woman" (1914) de Alice Blaché, adaptação da novela de terror e suspense "The Woman in White" de Wikie Collins.
No mesmo ano ela realizou os thillers de suspense e terror "The Woman of Mystery" e "The Monster and the Girl".




 Seu "Vampire" (1915) é um dos mais antigos filmes sobre uma vampira que se tem notícia, e Alice ainda fazia outras "ousadias" para a época como colocar pessoas negras atuando em seus filmes.  



Após um período de sucesso de crítica e financeiro, a sua empresa decaiu, (assim como outras da costa leste americana como resultado do grande crescimento de Hollywood, na California) e ela finalmente encerrou o estúdio. Embora  tenha garantido trabalho dirigindo filmes para vários grandes estúdios de Hollywood, ela voltou para a França em 1922, depois de seu divórcio de Blaché.
Um de seus últimos filmes foi "Vampire" (1920) para a Metro Pictures...



Alice Guy parou de fazer cinema e se dedicou a carreira de escritora. Em 1953 ela recebeu do governo francês o honroso prêmio "Legion D'Honneur" por sua contribuição ao cinema mundial.



  Em 1964 ela voltou para os EUA e viveu em Mahwah, New Jersey - não muito longe de onde seus estúdios originais eram - com suas filhas, onde morreu em 1968.






 Adaptação de um conto de Arthur Conan Doyle por Alice Guy. Dica do pesquisador Carlos Primati.




                                                               
                                                                by Coffin Souza

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