sexta-feira, 1 de agosto de 2014

O Pinku Transgressor de Hisayasu Sato

Nascido na cidade de Shizuoka, Japão em Agosto de 1959, Hisayasu Sato é um dos mais inovadores e transgressivos diretores do cinema erótico japonês, conhecido como Pinku Eiga.



Começou como assistente de direção em comédias e filmes de sci-fi em 1984. Logo estrearia na direção (e no gênero Pinku) com "Gekiai!" (1985). Dono de uma imaginação febril e adepto a inovações, chamou a atenção pela primeira vez com "Lolita Vibe-Zeme" (Lolita Vibrator Torture, 1987). 



Lançado pela produtora especializada Nikkatsu (mas produzido de forma independente), "Lolita Vibrator Torture", conta a história de um homem perturbado que vive dentro de um container de carga. Para lá ele atrai jovens estudantes e as estupra e tortura utilizando vibradores, para depois assassina-las com um doloroso veneno e desmanchar seus corpos em um banho de ácido. Tudo fotografado e gravado em vídeo pelo maníaco. 




As coisas mudam quando uma nova vítima em potencial se sente atraída por ele, transformando-se em sua parceira.
Sato é frequentemente citado como um Cronenberg japonês e este filme  não é uma  exceção. Sem o desleixo de alguns dos outros exemplares dos vídeos extremos do ero guro da época, como a série "Guinea Pig" ou "Guts of a Virgin", o diretor mostra aqui todo o seu domínio da técnica : uma grande quantidade de recursos visuais inquietantes como montagens de fotos preto e branco, close-ups de telas de VHS ou  monitores de computador pixelizados. Tudo para mostrar os rostos torturados e os corpos semi-nus de suas vítimas anteriores.




 A trilha sonora é perturbadora, misturando gritos distorcidos com o ruído dos vibradores.  Fazendo com o vibrador  o que Tobe Hooper fez para a motosserra, Sato constrói o filme baseado no sangue e no sadismo, já que as cenas de sexo são propositalmente frias e niilistas.



Como um Jackson Pollock do mundo da pornografia, Sato joga (e nos joga) um turbilhão psico-sexual que não se rende a restrições  restrições de decoro, de bom gosto ou até mesmo as exigências básicas do mercado softcore.



Realismo não é o objetivo aqui. Todo o trabalho é encenado como se parte de uma performance de arte extrema: imagens de corpos se contorcendo semi-nus, desfigurados com tinta spray, rostos de olhos arregalados vomitando sangue e cal branco leitoso, ao efeito estroboscópico de um flash da câmera, tudo contra um pano de fundo adornado com imagens fotográficas  das faces distorcidas das jovens vítimas.




Em "Kurutta Butokai" (1989), Hisayasu Sato mistura Cronenberg com Pasolini, ao contar como o editor de uma revista sobre musculação é atraído por um outro homem e inicia uma relação gay e sadomasoquista.

"Uma To Onna To Inu" (Horse Woman Dog, 1990) vai por outros extremos. Continuam os temas da alienação, perversão e voyeurismo do Cronenberg japonês, mas aqui ele se afasta do ambiente urbano comum em sua obra e coloca a ação e o drama a beira de uma praia. 



 É um pinku eiga rural extremamente perverso, em que um necrófilo (Kazuhiro Sano) vive em uma casa isolada, com uma garota amnésica e uma ninfomaníaca que assassinou sua própria irmã. Sato centra sua atenção sobre a deterioração psico-sexual de seus protagonistas. Orgias com dupla-penetração e toques de sadomasoquismo...




 ...e as duas inquietantes cenas de zoofilia que dão título ao filme: uma garota que é capturada pela ninfomaníaca assassina na praia e é forçada a fazer sexo com um cão e depois sendo estuprada por um cavalo com a ajuda dos outros personagens.



Como é normal no cinema japonês, as cenas eróticas são fortemente censuradas oticamente. É possível notar que as cenas de sexo entre os personagens humanos são explícitas, mas as cenas de bestialismo possivelmente sejam obra de efeitos especiais. 



O filme foi a maior sucesso comercial da carreira de Sato e da distribuidora Shintoho.



Sato provocou uma grande polêmica ao escalar Issei Sagawa para um dos papeis principais de seu "Uwakizuma: Chijokuzeme" (The Bedroom, 1992); a história de um clube noturno de Toquio, onde mulheres são drogadas para servir de escravas sexuais.



 Issei Sagawa nunca foi ator. Ganhou notoriedade mundial em 1981, quando estava fazendo pós-graduação em literatura em Paris. Ele convidou uma colega alemã para jantar, a matou com um tiro; praticou necrofilia; esquartejou o corpo e comeu partes dele, guardando o resto cuidadosamente embalado em sua geladeira!



O prolífico Sato (sua filmografia entre 1985 e 2014 já contem 58 títulos) também se aventurou no território dos vídeos de gore extremo ao estilo "Guinea Pig", injetando ironia e inteligência em "Nekeddo Burâddo : Megyaku" (Splatter: Naked Blood, 1996).



A trama envolve  Eiji (Sadao Abe), um gênio adolescente que inventa uma fórmula misteriosa capaz de transformar a dor em prazer e que ele chama de "Meu Filho". Sua mãe é uma cientista que realiza experimentos contraceptivos em três mulheres diferentes.



 Ele troca uma droga contraceptiva inofensiva por sua fórmula e o resultado é que as mulheres passam a se auto-mutilar de formas sangrentas em busca do prazer.

 Seguem-se sequencias perturbadoras de mutilação orquestradas pelo mestre dos efeitos gore japonês Yuichi Matsui (Entrains of a Virgin, Ringu 2, Ichi The Killer, Kill Bill...). Ao longo os experimentos, Eiji acaba se apaixonando por uma de suas cobaias.




  Hisayasu Sato dirigiu o episódio "Imomushi" da antologia "Ranpo Jigoku" (Rampo Noir, 2005), baseado nos contos  de terror do famoso escritor japonês Edogawa Rampo.
Seu trabalho mais recente "Hanadama" (2014) também é voltado mais ao terror clássico do Japão...
 Procure, assista e conheça a obra do "Cronenberg do Japão"...e bom apetite!!!







                                                      
                                                          "Refureshia" (1995)



                                                                                                                By Coffin Souza

2 comentários:

  1. Muito bom!!! She-Demons novamente de parabéns!!!

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