quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Bathory: A Condessa Sangrenta (Parte 1)




 A Condessa Elizabeth Báthory de Ecsed (Erzsébet Báthory em húngaro), nasceu em 07 de agosto de 1560 na família ilustre de Báthory, da nobreza do Reino da Hungria. Foi criada na propriedade de Ecsed na Transilvânia, e quando criança, a menina era sujeita a doenças repentinas e a surtos de comportamento rancoroso e incontrolável. Aos 14 anos engravidou após um breve caso com um jovem camponês. A gestação e o parto foram escondidos, porque ela estava noiva do Conde Feranc Nadasdy, com quem se casou um ano depois.


Como seu marido era militar e ficava longos períodos longe de casa; envolvido em batalhas, Elizabeth assumiu os deveres e o controle do Castelo Sarvar, de propriedade da família Nadasdy. A Condessa se mostrava uma ama cruel e sanguinária, punindo e torturando seus servos pelo menor deslize, e muitas vezes executando-os com requintes sádicos. Depois da morte do Conde Nadasdy (em 1604), Elizabeth aumentou suas crueldades e crimes, e junto com quatro empregados/colaboradores foi acusada ​​de torturar e matar centenas de jovens mulheres entre 1585 e 1610. 



Ela acabou sendo rotulada como a serial killer mais prolífica da história, embora o número exato de suas vítimas seja debatido até hoje. Sob influência de uma cúmplice, Elizabeth acabou matando também uma jovem nobre, encobrindo o fato como sendo um suicídio. Como seu marido havia deixado várias dívidas com a Coroa Real, uma investigação teve início com o objetivo de puni-la e confiscar suas terras. Seguiram-se dois julgamentos, aonde seus seus assassinatos em série e brutalidade foram verificados pelo testemunho de mais de 300 testemunhas e sobreviventes, bem como evidências físicas e a presença de mortos horrivelmente mutilados, moribundos e meninas aprisionadas, encontrados no momento da sua detenção.



  Apesar das evidências contra Elizabeth, a influência de sua família  impediu a sua execução. Seus cúmplices foram mortos e ela foi presa dentro do Castelo de Csejte (Cachtice), em Upper, Hungria, agora na Eslováquia. Elizabeth permaneceu emparedada em um conjunto de salas, com apenas uma abertura para a passagem de ar e de alimentos, até sua morte (21 agosto de 1614) quase quatro anos mais tarde. 



 Além de acusada da morte sádica de 650 pessoas, histórias passaram a lhe atribuir tendências vampirescas e acusações de ser uma lobisomem! A mais famosa história dizia que ela se banhava no sangue de virgens para manter sua juventude, mas estas acusações sobrenaturais foram geralmente registradas anos depois de sua morte e não contam em seu processo condenatório. Sua história tornou-se rapidamente parte do folclore nacional, e o rei húngaro Matias II proibiu que se mencionasse seu nome em círculos sociais. As histórias sobre seu possível vampirismo foram contadas por um padre jesuíta, que realizou pesquisas em seu castelo e publicou um livro sobre o assunto em 1720. Bathory foi uma das inspirações de Bram Stoker para criar seu Conde Drácula, mas diferente deste, a personagem demorou para chegar nas às telas.
O primeiro filme inspirado na lenda da Condessa Vampira foi "I Vampiri" (Os Vampiros, 1956) de Riccardo Freda.



 Um cientista (Antoine Balpêtré), utiliza o sangue de garotas para manter a juventude de sua amada Condessa Giselle (Gianna Maria Canale). Um terror gótico que foi considerado ousado na época (por sugestões de estupro e banhos de sangue) e que foi finalizado pelo seu diretor de fotografia (e futuro diretor e mestre em terror), Mario Bava, quando Freda abandonou os últimos dias de filmagem.





O polêmico filme experimental italiano "Necropolis" (1970) de Franco Brocani, apresentava uma fábula surrealista sobre o sentido da vida, através de figuras relacionadas com a morte e o terror, como a Criatura de Frankenstein, Átila o Huno e a Condessa Bathory, interpretada por Viva Auder.





A britânica Hammer Films, que já havia explorado a figura de Drácula diversas vezes, realizou uma das melhores encarnações de Bathory  das telas: "Countess Dracula" (A Condessa Drácula, 1970) de Peter Sasdy. 




Ingrid Pitt vive o papel título, e no enredo ela descobre somo rejuvenescer com banhos de sangue de jovens virgens; assume a identidade de sua própria filha Ilona (Lesley Ann-Down) e vai ficando cada vez mais enlouquecida ao cometer os crimes. Pitt dá um show de sensualidade e maldade...



"La Rouge aux Levres" (Escravas do Desejo, 1971) de Harry Kumel, é uma interpretação sensual e artística do mito.



 Em um hotel quase vazio, a Condessa Elizabeth (Delphyne Seyrig) e sua bela companheira Iona (Andrea Rau), encontram um problemático jovem casal. Logo, tratam de seduzir os dois, transformar o marido em vítima e a esposa em uma nova (e no final, única sobrevivente) vampira!






Em "La Noche de Walpurgis" (1971) de Léon Klimovsky, Patty Shepard vive a Condessa Wandesa Dárvula de Nadasdy, assassina medieval, bruxa e vampira, que é combatida pelo lobisomem Waldemar Daninsky (Paul Naschy/Jacinto Molina)...





"Ceremonia Sangrienta" (As Virgens Cavalgam a Morte/A Força do Diabo, 1973) de Jorge Grau, é outra ótima adaptação da personagem. O espanhol Grau faz algumas alterações interessantes na lenda.



 A condessa é ajudado por seu marido, que simula sua própria morte e finge ser um vampiro para enganar os moradores supersticiosos sobre a origem dos cadáveres sem sangue.



 Erzbeth Barthory (Lucia Bosé) é também um personagem surpreendentemente simpático que só é levada a seus crimes por desespero mortal ao envelhecimento e influência maligna de sua velha empregada. No final, são os moradores locais que acabam emparedando a condessa...



Elizabeth apareceu como uma mulher satânica em "El Retorno de Walpurgis" (1973) de Carlos Aured. Paul Naschy vive um inquisidor húngaro que é amaldiçoado pela Condessa Bathory (Maria Silva), que ele condenou a morte. 




Séculos depois, seu descendente (Naschy) se transforma em um lobisomem nas noites de lua cheia. A personagem volta a saga do lobisomem espanhol, agora com seu nome verdadeiro, mas destino diferente...



"Contes Immoraux" (Contos Imorais, 1974) de Walerian Borowczyk, é uma antologia de quatro histórias eróticas em várias épocas, com o nível artístico típico do diretor. Na  terceira (e melhor) sequencia, Paloma Picasso vive a Condessa Erzbeth, se banhando em sangue de belas virgens para manter a juventude. Outro episódio fala de outra famosa assassina da história, Lucrezia Borgia.




Em "Thirst" (Ânsia, 1979) de Rod Hardy, Chantal Countouri é a descendente da condessa Bathory, que é raptada pelo louco Dr. Fraser (David Hemmings) que tenta convence-la a se juntar a uma irmandade de vampiros fundada pela sua ancestral.







O animador tcheco Viktor Kubal, escreveu, produziu, desenhou e animou de forma experimental a história da condessa vampiro e seus banhos de sangue no longa "Krvavá Pani" (The Bloody Lady, 1980), considerado um marco da animação na época...





Uma nova batalha do lobisomem Daninsky e a Condessa Vampiro aconteceu em "El Retorno del Hombre Lobo" (1981) de Jacinto Molina. O homem lobo (Naschy/Molina) é revivido acidentalmente por ladrões de tumbas e volta a se defrontar com Elizabeth (Julia Saly) e suas belas vampiras...







Bathory foi personagem da série cômica-fantástica da TV austríaca "Teta"/"Frankenstein's Aut" (1987). Viveca Lindfors é Hannah Frankenstein, que tenta limpar o nome da família, mas é atrapalhada pelos habitantes do castelo de seu sobrinho cientista :  o monstro Albert (Gerhard Karzel); o lobisomem Talbot (Flavio Bucci); Igor (Jacques Helin); Conde Drácula (Ferdy Mayne) e a Condessa Alzbeta Bathory - A Dama de Branco (Mercedes Sampietro).



A série de curta duração, acabou gerando um longa metragem "Pehavý Max a Starsidlá" (Frecked Max and the Spooks, 1987) de Juraj Jakubisko, aonde um garoto sem teto, encontra refúgio no castelo e encontra os personagens fantásticos, vividos pelos mesmos atores.




Depois de aparecer brevemente em um filme da TV da França (vivida por Maud Adams) e em um filme austríaco de sexo explícito sobre fantasias femininas sobre a menstruação (interpretada por Miranda Mariaux), a condessa descansou um tempo em seu caixão...



A SEGUIR: Muitos outros filme e várias revelações sobre a personagem real...

                                                                                                              by Coffin Souza
















Um comentário:

  1. Ótima matéria!!! Nunca imaginei que tivesse tanto filme da Condessa Sangrenta, incrível!!!

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