quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

A Moda do Futuro no Passado... (Parte 1)


Nos anos 50, nos Estados Unidos, o escritor de de ficção científica e fantasia,  Andre Norton, fazia muito sucesso e vendia muito bem.  Na realidade ele era realmente Alice Mary Norton, que teve que se tornar "Andre" para permitir que o seu trabalho fosse aceito pelas massas - porque ela era simplesmente uma mulher e deveria ser apenas uma boa dona de casa como as outras "decentes" mulheres americanas da época.
 O famigerado código Hays, controlava a ética e os bons costumes em Hollywood e censurava os filmes com proibições como: 


Sexo apresentado de maneira imprópria
Cenas românticas prolongadas e apaixonadas
Referências a doenças venéreas
Danças com movimentos dos seios, ou excessivo dos quadris
Casais (mesmo formalmente casados) dormindo ao mesmo tempo na mesma cama
Nudez
Retratar gestos e posturas vulgares
Miscigenação e alusão ao amor entre brancos e negros...
O mesmo código regulamentava a vestimenta adequada para as mulheres que apareciam nas telas.
A ficção científica no cinema foi uma válvula de escape para alguns costumes conservadores, principalmente a moda, que, que por exemplo,  considerava adequado jovens senhoras não mostrarem nada "acima da linha do joelho"...


A produtora MGM publicou comentários sobre esta tendência de moda em comparação com as "roupas femininas aceitáveis"; estas observações  tinham a ver com a moralidade dos anos 50, e o caráter (e as roupas) de Altaira interpretada por Ann Francis em  "Forbidden Planet"(Planeta Proibido, 1950). Tal como já acontecia em filmes de baixo orçamento e renegados, o filme mostrava Altaira circulando sensualmente com roupas que eram muitos centímetros mais curtas do que aquelas usadas por tenistas femininas e, especialmente, da média das donas de casa americanas. "Vergonhoso", pelo menos.
  

O roteiro de "Planeta Proibido" é ambientado no século 23 em um outro planeta, de um sistema solar diferente, isto justificaria o comportamento da garota. A moralidade da América de 1950 é mostrada dentro do filme, quando o Comandante John J. Adams (Leslie Nielsen) se queixa de que "muito" da menina está mostrando e poderia ter um efeito sobre os desejos sexuais de sua tripulação só de homens. Isso é feito sem o uso da palavra "sexo". Hoje, muitos espectadores podem rir da cena, mas, na verdade, tinha o propósito de "fazer uma média" com os censores de cinema da época.



 Outro filme a romper a barreira da mini-saia para as mulheres alienígenas  foi "Flight to Mars" ( Voando para Marte, 1951), e eles fizeram isso em Cinecolor também. O filme tinha uma tripulação espacial liderado por Cameron Mitchell e Arthur Franz, que chega em Marte. Lá eles descobrem uma moribunda civilização subterrânea, com as marcianas, incluindo a sua rainha,  usando algumas saias muito curtas feitas de cores vivas e material brilhante ( enquanto os homens de Marte são completamente cobertos com túnicas futuristas e calças).



 Os terráqueos tornam-se o centro de um debate que vemos em muitos filmes da época:  Eles são férteis e pode salvar a população de Marte por ter "sexo"...  



 A produção foi filmada em cinco dias. O script copiado um filme russo mudo de 1924, intitulado "Aelita: a Rainha de Marte" (o mesmo nome da rainha marciana neste filme).

 Outra animada viagem ao espaço saiu em 1953 : "Abbott & Costello Goes to Mars" (Abbott & Costello no Planeta Marte) de Charles Lamont . 



 Apesar do título, eles realmente não vão a Marte. Primeiro pousam em meio ao Carnaval (Mardi Gras) de New Orleans (que eles acham que é Marte por causa das fantasias que todos usam!); depois são forçados por bandidos a voltarem ao espaço e então sim, acabam pousando em...Vênus! 



E o planeta é um "paraíso": habitado pelas concorrentes a Miss Universo e sua rainha é Mary Blanchard ("She Devil"). os homens foram derrotados há muito tempo em uma guerra com as fêmeas. Mas algumas garotas sentem falta dos homens, e o gordinho simpático Orville (Costello) é coroado Rei!




Uma das guardas é Anita Ekberg (Miss Suécia), e figurinos, cenários, adereços e efeitos especiais são excelentes. Vários adereços foram reaproveitados em outros filmes de ficção da Universal ( o dispositivo do Raio da Morte em "It Came from Outer Space" (Veio do Espaço, 1953) e o carro-bala em "This Island Earth" (Guerra Entre Planetas, 1955 ).


 Em 1987, John Landis, Joe Dante e outros,  parodiaram estes filmes de ficção dos anos 50 em "As  Amazonas na Lua". A principal paródia era ao clássico (?) de 1953 "Cat Women of the Moon"(Mulheres-Gato da Lua) de Arthur Hilton. Estrelado por Sonny Tufts e Victor Jory com uma partitura musical de Elmer Bernstein ("Bernstien" nos créditos), e lançado em 3D na época.



 Uma expedição à Lua encontra as últimas oito sobreviventes de uma civilização de 2000 mil anos de idade... Que usam roupas colantes muito sensuais... e vagamente lembram...gatos. O maquiador Harry Thomas, se limitou (com o orçamento mais apertado do que os colants das meninas..) a lhes dar exóticas perucas apertadas, sobrancelhas finas pintadas e unhas/garras longas, feitas com pedaços de celuloide cortados e pintados...

 Seduzindo os homens e controlando telepaticamente a tripulante Helen Salinger, (Marie Windsor), as Mulheres-Gato roubam as roupas espaciais e pretendem dominar a nave para saírem do satélite deserto.




 A líder do mal é chamada de "Alpha" (Carol Brewster) e, claro, há uma mulher chamada "Beta", mas é  a Mulher Gato Lambda (Susan Marrow) que frustra os planos da Rainha para dominar o foguete depois de se apaixonar por um dos tripulantes.



As roupas espaciais e a cabine de comando da nave foram recicladas do filme "Project Moon Base" (1953); e a monstruosa aranha que também habita as cavernas da lua, foi construída pelo especialista em efeitos Wah Chang...



Apesar da trasheira geral, cinco anos depois  a Astor Pictures refez seu filme com o título de "Missile to the Moon" (Terríveis Monstros da Lua, 1958) de Richard E. Cunha, com ligeiras alterações. 



Em vez de uma expedição temos um cientista que revela depois ser um homem-da-Lua, e constrói  seu próprio foguete para voltar para a sua rainha chamada "The Lido" (K.T. Stevens). Juntos acabam indo dois fugitivos da justiça e um casal que acaba na nave acidentalmente...O homem da lua morre durante a viagem, e os terráqueos descobrem a raça de lindas mulheres que habitam a lua, e também aranhas gigantes e monstros de pedra.



 As aranhas de fantoches do filme, na verdade uma só, é a mesma aranha construída por  Wah Chang para "Mulheres Gato", cinco anos antes. A paisagem lunar foi filmada no Vasquez Rocks um sítio perto de Los Angeles muito usado em  Westerns e seriados da Repúblic, além de ser a Bedrock de "Os Flintstones", com John Goodman e Rick Moranis.




 Na verdade, este filme teve um orçamento ainda mais baixo do que o original, o interior da nave é uma pobreza só, e para mostrar seus equipamentos funcionando, foram utilizados clips do laboratório de "Frankenstein" de 1932...
Mas, o elenco feminino  merece um atento olhar - incluindo K.T.Stevens, a Rainha tirana ; filha do diretor Sam Wood, e casada na época com o ator Hugh Marlowe, e Leslie Parrish como Zema,(creditada sob o nome fictício de Marjorie Hellen). Parish ganharia curto estrelato como Daisy Mae,  na versão do musical da Broadway "Li'l Abner" (1959) e a condenada Jocelyn Jordon no clássico "The Manchurian Candidate" de John Frankenheimer.



continua...


Um comentário:

  1. Esse Codigo Hays era uma merda,quase estragou o cinema,mas muitos cineastas conseguiram driblar de alguma forma esse codigo patetico do cinema, ate então com filmes muito avançando vanguardista para epoca, por exemplo os filmes de Mae West que tinha um monte de piadas de duplo sentido ,ela foi umas que sofreu com á criação deste codigo idiota imposto por Hollywood .. vamos aguardar o desfecho desta resenho no proximo post de ... Deixando a brincadeira de lado um excelente 2016 para voce mestre do cinema underground Coffin Souza e sua eterna musa Demonia, que 2016 tudo de bom acontece em suas vida e continuem nos agraciando com o seus textos esclarecedores sobre e setima arte de filmes obscuros,musas do cinema e arte do desenho.Um Abraço de Spektro 72.

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