segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

O Que Aconteceu Com Vanessa Howard?





Vanessa Tolhurst nasceu em Outubro de 1948 em West Sussex, Inglaterra. A mais jovem de duas irmã, Vanessa perdeu a mãe (tuberculose) quando tinha apenas 2 anos, e seu pai faleceu 15 meses depois. As meninas foram entregues pelo avô para um casal de antiquários, Frederick e Vera Howard. Aos cuidados dos pais adotivos, as garotas desenvolveram o gosto pela música e dança, e Vanessa aos 6 anos, declarou a vontade de ser uma atriz. Logo ela estava fazendo teatro na escola e poucos anos depois estreou no cinema em uma pequena ponta no último filme de Judy Garland "I Could Go on Singing" (Na Glória, a Amargura, 1963 ).
Aos 15 anos, a ativa e independente Vanessa se juntou a companhia itinerante do veterano humorista Clarkson Rose, aparecendo em sketchs de teatro e em musicais. Ela chamou a atenção de um produtor de televisão, e passou a aparecer regularmente como dançarina e cantora do Mitchell Singers, tanto na TV, como no teatro.
A grande mudança em sua carreira aconteceu em 1966, quando ela fazia parte do coral de um ambicioso musical jovem. Ela foi descoberta pelo agente teatral Barry Burnett "Ela era apenas uma das jovens do show, mas eu não conseguia tirar os olhos dela"- ele relembra- "fizemos amizade e ela se tornou minha cliente. Eu sentia que Vanessa tinha o visual certo para ser lançada no cinema".
Com o suporte de Burnett, ela conseguiu mais e melhores papeis no teatro, até ser escalada para a comédia sexy "Here We Go Round the Mulberry Bush" (A Arte de Conquistar um Broto, 1968) de Clive Donner. No papel da jovem drogada Audrey, Vanessa acabou roubando a cena...





Sua estreia no cinema de horror foi como a simpática
 Meg, filha do inspetor Quennell (Peter Cushing) em "The Bloody Beast Terror" (1968) de Vernon Sewell. 


Na trama da investigação de uma série de assassinatos cometidos por um criatura vampiresca, Vanessa tem pouco a fazer, a não ser embelezar algumas cenas com seu lindo rosto...



Poucos  meses depois, Vanessa fez nova parceria com Peter Cushing em "Corruption" (A Face da Corrupção, 1967) de Robert Hartford-Davis    . 
"Eu sou uma modelo, você sabe..." diz ela para o deslocado   (Cushing), que acompanha sua jovem namorada   (Sue Lloyd) em uma festa de um conceituado fotógrafo. 



Uma série de acontecimentos termina com a jovem    tendo o rosto horrivelmente mutilado, e o começo da saga de um "Frankenstein moderno", que tenta restaurar sua face as custas de outras mulheres.
O filme é considerado por muitos como um dos pontos mais baixos da carreira de Cushing, mas Vanessa se destacou em seu papel de "maluquinha" com tons cômicos.



Depois de estrelar uma versão musical e televisiva de "Alladin" (transmitida no dia de Natal de 1967), Vanessa pode explorar seus dons para o humor em "Some Girls Do" ( 1969 ) de Ralph Thomas . Nesta aventura-comédia-ficção-científica, ela éa Robot # 7, um das lindas andróides femininas que são guarda-costas do vilão vivido por James Villiers (a Robot # 1 era Yutte "Luxúria de Vampiros"     Stensgaard, e a Robot #9 era Virginia "Vulnavia" North!!!), e inspiração para as "Fembots" de Austin Powers.





No entanto a bela garota começou a ter dúvidas sobre sua carreira. "Eu me lembro dela dizer para mim -  "Não há futuro para mim nos filmes, gostaria de tentar um carreira na música."; relembra Barry Burnett- "Então eu falei com um empresário da EMI e marquei um teste de gravação para ela. Mas quando chegou sua vez, ela estava muito nervosa e me perguntou "O que eu estou fazendo aqui ? "
Foi a última vez que eles se encontraram e logo ela assinaria com a agência de William Morris. A decisão com certeza teve influência de Robert Chartoff, seu namorado na época - um advogado que trabalhava para a mesma agência, e que se envolvera com a produção do sucesso de John Boorman "Point Black" (1968). Chartoff a conheceu em um estúdio e os dois passaram a se encontrar e sair pelas noites de Londres, apesar dele ser oficialmente casado.

O filme que deu o papel da vida de Vanessa foi "Mumsy, Nanny, Sonny and Girly" (1969 ) de Freddie Francis. O fotógrafo e diretor inglês, mais conhecido por seus filmes de terror para a Hammer, procurava um material diferenciado para mostrar que era um diretor sério. Influenciado por uma peça teatral chamada "The Happy Family", Francis encomendou para o roteirista Brian Comport, uma história similar, mas com aspectos mais sinistros e psicológicos.




A "família feliz" agora vive uma louca paródia de vida doméstica normal. Os adolescentes Sonny (Howard trevor) e Girly (Vanessa Howard), se divertem raptando pessoas para serem seus "amigos", ou seja, brinquedos vivos em suas mãos! Os que tentam escapar da "amizade", acabam morrendo violentamente.



As coisas mudam quando eles raptam um cínico e esperto gigolô (Michael Bryant), que vira o jogo e passa a manipulá-los...com trágicas consequências.



Uma fábula crítica e subversiva, com pontos em comum com o clássico de Jack Hill "Spider Baby" (1967). Se antes Vanessa era apenas um rostinho lindo e divertido, aqui ela pode explorar todo seu potencial, transformando Girly em uma estudante que parece realmente apenas vulnerável e sexy, mas se mostra uma psicótica muito letal!




O filme teve aceitação dividida tanto de público, quanto de crítica, com elogios para o trabalho visual e de estilo de Francis e para seu roteiro elaborado. as farpas sobraram para os excessos de Grand Guignol e para a "estranheza" do conjunto da obra. Além disto, a distribuidora britânica Cinerama (que sofria com diversos fracassos) não investiu em divulgação, e o filme acabou esquecido em seu país natal. Nos Estados Unidos a recepção foi diferente, lançado no circuito Grindhouse com o título simplificado de "Girly", fez sucesso e  se transformou em um cult-movie!



O ator Howard (Sonny) Trevor opina: "Eu acho que os críticos não viram o humor contido nos personagens. Freddie trabalhou duro, ele era muito sério e focado, e acreditava que o filme seria um passo além em sua carreira. Eu e Vanessa trabalhamos muito tempo juntos e foi muito bom. Ela parecia alegre, mas era uma garota bem deprimida."
Trevor não continuou sua carreira, mas Vanessa Howard foi logo escalada para duas comédias - a sátira política "The Rise and Rise of Michael Rimmer", e All the Way Up", ambos fracassos...
Vanessa ganhou o papel principal na produção da Amicus chamada "What Became of Jack and Jill ?" (O Estranho Caso de Jack & Jill, 1972) de Bill Bain (filme inicialmente chamado "Romeu and Juliet' 71").


 Um jovem casal (Vanessa e Paul Nicholas), se empenha em apavorar a frágil avó dele (Mona Washbourne) com uma fantástica história de um comando de jovens terroristas em ação contra os mais velhos. Tudo para conseguir a herança da velha senhora...é claro!



O que era para ser um thriller psicológico e conectado com a época, sofreu com um roteiro confuso,uma  produção tumultuada e a falta de experiência do diretor. Além disto, a jovem atriz se mostrou desta vez, uma estrela ególatra e impossível de dirigir! Paul Nicholas relembra: "A motivação principal do casal era sua atração sexual, mas Vanessa se mostrava fria e distante. Ela se recusava a ser tocada e beijada. Ela criou um estranho sotaque caipira para seu personagem...quando eu a ouvi, fiquei surpreso por que não tinha nada a ver com o roteiro, mas Bill nunca reclamou da sua forma de falar..."




O filme teve uma estreia bastante limitada e permanece como um dos títulos mais obscuros do catálogo da Amicus, nunca lançado em VHS ou DVD...




Casada com Robert Chartoff, Vanessa se mudou com ele para os Estados Unidos, aonde conseguiu um papel na adaptação para a TV de "The Picture of Dorian Gray" (1973) de Glenn Jordan (produção de Dan Curtis). O filme é bom, mas seu desempenho é tão amador, que  fica difícil de comparar com a jovem e promissora atriz de poucos anos antes.




Com o nascimento de seu filho Charley, Vanessa passou a se dedicar totalmente ao papel de mãe e dona-de-casa.
"Ela gostou de eu ter nascido na California - diz Charley Chartoff- Porque ela sabia que sua carreira na Inglaterra havia terminado, e também porque assim ela podia ajudar meu pai, que tinha outros 3 filhos, que ela alegremente ajudou a criar."
No meio dos anos 70, Robert Chartoff se estabeleceu como um dos grandes produtores de Hollywood, ganhando um Oscar em 1977 pela produção de "Rocky, Um Lutador". Vanessa Howard-Chartoff; como era agora conhecida, foi brevemente citada nos agradecimentos do marido ao receber o prêmio, mas o grande público já não sabia mais quem ela era...
A relação durou até 1984, quando Vanessa teve a amarga experiência de aceitar a separação. Ela conseguiu a independência financeira, mas fundou o LADIES (Life After Divorce Is Eventually Sane), um grupo de suporte dedicado a ajudar esposas de Hollywood "chutadas fora".
Nos anos 90, com seu filho já crescido, ela passou a percorrer escolas e faculdades, dando palestras incentivando mulheres divorciadas a voltarem a estudar...
"Girly" foi relançado em DVD, e redescoberto como um clássico esquecido do cinema de horror britânico.


 Vanessa Howard foi relembrada e ganhou novos fãs, mas, fumante inveterada desde a juventude, ela faleceu em Novembro de 2010, de complicações por conta de uma infecção pulmonar.
Como Vanessa reagiria ao ser redescoberta? Seu filho reflete, "Eu acho que ela adoraria isto! Ela era muito privada e não falava  muito sobre sua carreira, mas gostava de mostrar seus filmes para mim. Ela tinha orgulho do que tinha feito!".


A saída abrupta do cinema e seu desaparecimento da vida pública, levaram a anos de rumores e especulações. O jornalista Preston Fassel e o blogueiro Richard Halfhide, fizeram uma pesquisa e retrospectiva de vida e carreira (com ajuda de seus familiares) para o jornal de cinema "Screen" em 2014. Esta matéria é baseada em nova reportagem, de Richard Halfhide, publicada na revista de terror "The Dark Side" # 169 ( Outubro de 2015).



                                            GIRLY



Um comentário:

  1. Excelente postagem sobre essa atriz,que não conhecia pois esses filmes dela eu acho que nem sairam aqui em video (VHS), só conheço Corruption -Face da Corrupção ,por que a modelo fotografica e atriz Marianne Morris faz uma ponta nele e de resto não conheço os filmes que ela protagonizou.. por isso esta postagem foi excelente Mestre Underground Coffin Souza.E como sempre o cigarro mata as nossas estrelas foi assim com : Humphrey Bogart,Peter Cushing,Ingrid Bergman dentre outros foram vitimas deste mal que é o tabagismo.

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