quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Os Lábios Vermelhos de Danielle Ouimet



              Os Lábios Vermelhos de Danielle Ouimet





Conhecida pelos fãs de horror (amada e odiada com a mesma voltagem...) por sua atuação no cult-erótico-intelectual-surreal-vampírico “Les Lévres Rouges” ; a franco-canadense Danielle Ouimet tem uma longa carreira nos meios de comunicação e uma breve (e polêmica) passagem pelo cinema.


Nascida em 16 de Junho de 1947 em Montréal, Québec, Canadá; Danielle começou cedo seu estrelato, apresentando aos 16 anos de idade, um Quiz-Show em uma TV de Quebec.  Sua bela voz lhe garantiu um trabalho paralelo em uma estação de rádio, onde ficou bastante conhecida. Seu rosto e corpo anguloso chamaram a atenção do pioneiro do Exploitation canadense John Dunning, que a escalou para o papel principal de um pequeno “furacão de escândalo” chamado “Valérie” (1969) de Denis Héroux. 


 O filme conta a história de uma bela e curiosa garota (Ouimet) que sai do convento para se juntar a cena hippie de Móntreal. Acaba trabalhando como prostituta e encontra seu verdadeiro amor....




Desafiando a censura da época no país (controlada com mão de ferro pela Igreja Católica), o filme foi um grande sucesso nos cinemas e quase a ruína profissional da jovem Ouimet. Ouvintes puritanos passaram a ligar para a rádio chamando-a de “prostituta”, e exigindo sua demissão por ter se envolvido com um trabalho “pervertido”.


 Mas a polêmica acabou trazendo mais audiência para a rádio, e Danielle ganhou umas férias para poder viajar pelo Canadá para promover o filme. Mas ela não se livrou dos problemas: Quando de sua estreia em Vancouver, um grupo fez um protesto em frente aos cinemas com cartazes como “Não Precisamos desta Mulher” ou ‘Expulsem Danielle Ouimet”...
Mas ela ainda apareceu em outro filme erótico do mesmo realizador, o drama "L'Initiation" (A Primeira Noite de Uma Mulher, 1970) de Denis Héroux.


Através dos realizadores de “Valérie”, ela foi indicada para viver outra Valerie (o nome da personagem é mera coincidência), esposa do perturbado... (John Karen, veterano da série “Dark Shadows”) em “Lés Levres Rouges” (Daughters of Darkness/Red Lips/Escravas do Desejo; 1971) de Harry Kümel.
  

Um casal em viagem de lua-de-mel, para em um antigo, luxuoso  e vazio hotel em uma cidade da Bélgica. Ao local chega a exuberante Condessa Bathory (Delphine Seyrig) e sua secretária sensual Ilona (Andrea Rau). Ignorando avisos de que a Condessa seria uma pessoa muito estranha e que não envelhecia, o casal entra em um jogo de sedução e...sangue.





As filmagens não foram nada fáceis para Danielle e seus colegas. Ela fala sobre o diretor Belga em uma entrevista para Chris Alexander (Fangoria # 314) : “Harry era um homem muito nervoso. O filme era para ter sido rodado em francês, mas John (Karen) tinha um sotaque americano muito forte. Andrea Rau era alemã e tinha o mesmo problema com as falas. A única maneira era rodar tudo em inglês. Assim, toda manhã, os diálogos do roteiro eram traduzidos, e Harry ia ficando cada vez mais agitado e intratável. “





No dia em que iam rodar duas cenas difíceis (a morte de Andrea Rau e a luta entre o casal principal), o set acabou explodindo. Danielle foi para o camarim esperar a sua vez, aproveitou para costurar um rasgão em seu figurino, e acabou atrasando-se. Ao chegar ao cenário, Harry estava vociferando e amaldiçoando-a, acusando-a por todos os problemas da produção. Danielle gritou exigindo respeito, mas, Harry Kümel se aproximou dela e lhe acertou um violento tapa no rosto. A atriz pulou sobre ele, cravando as unhas em seu pescoço, e os dois tiveram que ser separados.



 Depois dos ânimos mais calmos, todos se prepararam para rodar mais uma cena, mas Danielle não conseguia parar de chorar, e aí, foi a vez do ator John Karen se enfurecer com o diretor tirano e lhe aplicar um soco na cara, recomeçando toda a confusão novamente...



Apesar de todos os problemas, o filme acabou sendo gradativamente descoberto e fez uma bela carreira comercial, principalmente nos EUA e Reino Unido. Apreciado tanto por fã de filmes de terror & erotismo, quanto pelo seleto público de filmes de arte. Um filme de vampiros com um ritmo de sonho/pesadelo, combinando poesia macabra, paródia camp, surrealismo e uma narrativa que bebe na fonte das histórias em quadrinhos.


 Também um filme sobre relações malditas e eternas, paixões decadentes e a imortalidade do mal. Tudo narrado com diálogos inteligentes e uma direção de arte brilhante.



Depois da estreia do filme, Kümel brigou com os produtores Collet e Droust, chamando-os de incompetentes; acusou a maravilhosa Delphyne Seyrig de “se comportar como uma cadela e ter uma visão política muito hipócrita(!?)...já Danielle, recebeu “elogios” do porte de “débil mental” e “histérica” (“Se um profissional não consegue atuar como você quer, você tem que tratá-lo apenas como uma máquina”- disse certa vez).

Com o sucesso do filme, Harry Kümel pode realizar o magnífico “Malpertuis” (1972 ), um filme belo e estranho e com fama de “maldito”...

O filme  “Lés Levres Rouges” passou nos cinemas brasileiros com "Escravas do Desejo", e está disponível em DVD e Blu Ray pela Brookfilms, como "Filhas das Trevas; e pode ser adquirido pela loja especializada MONDO CULT (https://www.facebook.com/MondoCultaLoja )






Danielle continuou sua carreira, aparecendo no terror/suspense franco-canadense "Le Diable est parmi nous" (The Possession of Virginia/Satan's Sabbath, 1972) de Jean Beaudin...






...e em comédias de Claude Mulot e Denis Héroux, antes de se dedicar totalmente a televisão canadense...e um breve retorno ao cinema em 2009 em um drama. Danielle foi apenas um rosto lindo e um corpo maravilhoso, ou uma atriz com um trabalho cult, mas polêmico e "maldito" ??



                                                             by Coffin Souza

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Cynthia" porrada" Rothrock




CYNTHIA ROTHROCK é uma bela e verdadeira máquina de lutar. Nascida  Anne Christine Rothrock em março de 1957 , a baixinha se consagrou campeã mundial em diversos estilos de Artes Marciais (6 faixas pretas!) e foi campeã invicta por muitos anos de Kickboxing; logo se dedicando ao cinema. Venerada em Hong Kong, aonde trabalhou ao lado de grandes nomes mundiais do gênero, retornou ao seu país para se tornar a rainha dos filme de ação baratos!
Rothrock é casada com o ator chinês Mang Hoi (estrela de "Heart of the Dragon" e "Legacy of Rage"). Rothrock tem uma filha, Skylar Sophia Rothrock.





CYNTHIA ROTHROCK : Entrevista para Nicanor Loreti
 ( Livro  Cult People-  Editora Fan Ediciones - Argentina 2009)



-Já devem ter lhe perguntado mil vezes...mas como decidiu ser uma atleta de artes marciais?


Cynthia: Quando comecei a treinar, não sabia exatamente o que eram as artes marciais. Vi alguns  amigos meus treinando Tang Soo Do. Fiquei muito intrigada a respeito. Pensei que seria uma boa forma de fazer exercícios e que seria muito legal ter um uniforme de Karatê com um cinturão colorido. Enquanto eu ia estudando e praticando, me dei conta dos enormes benefícios das artes marciais, sobretudo pelo lado da defesa pessoal.



- Como foi trabalhar em Hong Kong, com gente como Sammo Hung, Corey Yuen, Yuen  Biao e Michelle Yeoh ?



- Adorei trabalhar em Hong Kong! Fiz sete filmes entre 1985 e 1988. Meu primeiro foi com Michelle Yeoh, que me ajudou bastante. Ela já havia feito filmes antes, e sabia um pouco mais sobre o processo de filmar. Era minha amiga e a única no set que falava algo em inglês... Amei  trabalhar com Corey Yuen em "Karate Tiger" e "Retroceder Nunca, Render-se Jamais 2". Até hoje foi o melhor diretor com quem trabalhei. Creio que é um verdadeiro gênio no que se refere a coreografar cenas de luta e dirigir  ação. Trabalhar com Sammo foi muito divertido. Me surpreendi com seu talento e agilidade, tendo em conta que é um homem tão grande. E respeito muito a Yuen Biao, bastando dizer que de todos os oponentes que tive nas telas, ele foi o melhor. Creio que era um dos artistas marciais mais talentosos de Hong Kong nesta época.



- Quais são as diferenças principais entre trabalhar em Hong Kong e nos Estados Unidos?


-Existem muitas diferenças! Para começar, na América sempre existe um roteiro e você sabe o que está sendo feito no set. Em Hong Kong nunca tive um roteiro, e ficava sabendo como seriam as cenas de ação pouco antes de filmá-las!  Também aprendia meus diálogos já em frente das câmeras.  Em Hong Kong, uma filmagem dura em média cinco meses. A primeira que fiz “Yes, Madam”, durou sete meses e meio. Nos Estados Unidos, filmar uma película com muita ação demora quatro ou cinco...semanas!




No Oriente, a ação é muito mais pesada e real. Não te facilitam muito, pelo menos para mim, foi assim. Nos Estados Unidos, existe o medo que o ator principal se machuque, assim, não te deixam fazer coisas mais perigosas. Em Hong Kong, pedem para que você pegue pesado com os dublês, e que eles batam forte em você também. Nos filmes americanos, você tem que fazer de conta que está batendo, ou golpear muito de leve.


 Em Hong Kong, repetem a mesma cena de ação muitas vezes, mesmo que ela tenha saído ótima. Na América, se a primeira tomada valeu, está ok! Fazer filmes nos Estados Unidos é como estar de férias. Quase nunca reclamei de nada, sobretudo comparado com as muitas feridas e cicatrizes que fiquei filmando em Hong Kong.


-Em “China O’Brien”, fostes dirigida por Robert Clouse, que fez “Operação Dragão” (Enter the Dragon, 1974, com Bruce Lee), uma das maiores produções de artes marciais de todos os tempos...Como foi trabalhar com ele?



-Robert Clouse era um homem muito simpático e que amava a ação. Ele gostava de fazer tudo em uma só tomada. Isto quer dizer: sem fazer tomas extras de detalhes dos golpes, nem nada disto. Adorava dirigir filmes de ação e era muito orgulhoso de "Operação Dragão".


-Qual seu filme fez mais sucesso nos Estados Unidos?


-Meu “grande” momento, ou quem sabe meu “pequeno” momento (risos), eu ainda estou esperando. Mas fiquei conhecida por causa de “China O’Brien”, e depois também tive êxito com “ Lady Dragon”. Hoje em dia, todavia, muita gente me chama de China Rothrock.






-Como você se prepara fisicamente para um filme? Quanto treinamento tens que fazer antes de começar a rodar?


- Quando vou filmar começo uma dieta bastante rigorosa, pelo menos um mês antes. Geralmente deixo de lados os Carboidratos e vou ao ginásio treinar, pelo menos duas vezes ao dia. Junto, começo a estudar o roteiro. Leio pelo menos quatro vezes e depois estudo cena por cena. Depois que o decorei, peço para algum amigo me ajudar com os diálogos.



-Para você, qual é o maior astro de Artes Marciais de todos os tempos?


-Meu artista marcial favorito é Jackie Chan. Nunca cheguei a trabalhar com ele, mas gostaria muito de fazer um dia. Me encanta a forma que ele se movimenta, e quando era garota, costumava copiar seus movimentos em seus velhos filmes chineses. Eu fazia de conta que era uma versão feminina dele.




-De todos os filmes que você fez, qual o teu preferido e qual gostaste mais de fazer?


-Esta sim é uma pergunta difícil. O que mais gosto é “Lady Reporter”. O que mais gosto da história e da ação é  “Sword to Justice”. Mas o que mais gostei de filmar foi “Outside the Law”, porque o cachê foi muito bom, o diretor era talentoso...também ajudou filmar em um lugar tão bonito quanto Puerto Rico.





- Com qual diretor que você não trabalhou, mas gostaria muito de fazer?


- Adoraria trabalhar com Tim Burton, David Lynch ou Kenneth Brannagh (*)


(*)Nota do autor: Qualquer um dos três casos, seria surrealísticamente genial!






                                              editado por  Coffin Souza
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