terça-feira, 27 de outubro de 2015

Angelique Pettyjohn: Das Estrelas ao Submundo...e Estrela Cult





Nascida Dorothy Lee Perrins em Los Angeles, Califórnia em 11 de Março de 1943, Angelique Pettyjohn  é um caso de "descida ao inferno profissional", superação, etc...



Ela começou como modelo ainda muito jovem, além de estudar atuação, sonhando com a carreira de atriz.   Pettyjohn fez sua estreia no cinema aos 21 anos, sob o nome "Angelique",  como atriz principal no para-lá-de-vagabundo "The Love Rebellion" (1967),de Joseph Sarno. Logo ela teve seu grande momento ao trabalhar ao lado de Elvis "The King" Presley,na aventura musical (é claro...) "O Barco do Amor" (1967). Esta foi sua primeira aparição em um filme classe "A", e isso a levou a pequenos papéis em outros filmes de grande orçamento. Ao mesmo tempo passou a aparecer em papéis memoráveis em séries de tv, como  "Batman"; "O Besouro Verde"; "Agente 86"; "A Garota da U.N.C.L.E.";  e "Jornada nas Estrelas".

Em pelo menos dois casos ela adquiriu um status cult : 

No papel recorrente como Charlie Watkins, em "Agente 86", no imaginativamente chamado "Agente 38" -  Charlie era um homem disfarçado de mulher, e Angelique vivia sua parte feminina e sexy...



 ...depois de fazer o  teste para o papel de Nova em "O Planeta dos Macacos" (1968) (o papel foi para a namorada de um produtor), ela ganhou o papel que fez dela uma imortal entre os fãs de ficção científica: Shahna em "Jornada nas Estrelas" (1966), no episódio "The Gamesters de Triskelion" (1968).


Shahna é uma habitante do planeta em que alguns tripulantes da Enterprise são feitos escravos para participar de jogos tipo "gladiadores de arena". Ela é a treinadora de escravos e acaba se envolvendo romanticamente com...James (William Shatner) Kirk (...óbvio...já que ele esteve " audaciosamente indo aonde nenhum homem jamais esteve"...em termos de... miscigenação de raças.).



O episódio é um dos favoritos dos fãs de Star Trek, e   e embora Pettyjohn viesse a colher os benefícios do papel -  aparecendo em inúmeras convenções de fãs de Star Trek em um futuro distante - na época,não a levou em nenhuma parte para sua carreira. Ela estrelou ao lado de John Ashley, o trashão filipino "Mad Doctor of Blood Island" (1968), de Gerardo de Leon...





aonde é claro, foi escalada para gritar de medo, e mostrar seus lindos peitões...






  Angelique continuou sendo um objeto de desejo sexual em horrores cinematográficos como "Hell's Belles" (1969), The "Curious Female" (1970; um Sci-Fi erótico e muito vagabundo!!). Sua carreira foi estritamente em filmes rápidos para drive-ins e circuitos exploitation. 






No início de 1980, ela trabalhou como stripper em Las Vegas, Nevada...


 mas logo estava viciada em álcool e drogas,  abandonando sua vocação como uma estrela sexy e soft, partindo para a pornografia hardcore. Com o nome de "Heaven St. John", ou sob o seu antigo apelido, "Angelique", ela apareceu "mandando ver" em "Body Talk" (1982) e "Titillation" (1982)...





                            
                                                                          Body Talk


...além de ser uma interrogadora nazista na paródia porno-sexy-nazisploitation "Stalag 69 (1982).



O crescente culto  a série Star Trek, reforçado pela série de filmes lançados pela Paramount no início em 1979, permitiu a Pettyjohn abandonar rapidamente a sua carreira hardcore. Ela começou a trabalhar em  convenções de Star Trek para ganhar seu sustento, com a venda de cartazes de si mesma, dentro e fora de sua roupa sexy de "As Gamesters de Triskelion". Sua aparição no circuito levantou seu perfil na indústria do cinema. Diretores de cinema independente, que sabiam de seu trabalho anterior no exploitation de baixo orçamento, começaram a contratá-la para pequenos papéis em seus filmes. Assim ela reapareceu em "Repo Man - A Onda Punk" (1984), de Alex Cox; "The Lost Empire" (Império Perdido, 1984) de Jim Wynorski;



 "Biohazard"( Vale da Morte ,1985), de Fred Olen Ray e  "The Wizard of Speed and Time" (1988) de Mike Jittlov.



                                                                                 Biohazard

 Eventualmente, a fama de Pettyjohn cresceu  e ela passou a ser a atração principal em muitas convenções de ficção científica ( apareceu em sua última convenção de ficção científica, no Outono de 1989), superando assim seu problema com o alcoolismo e o abuso de drogas. Angelique passou a viver em uma bucólica cabana no sertão da Virgínia. Um grande clube em Las Vegas lhe ofereceu a chance de ganhar dinheiro com sua notoriedade cult como dançarina exótica, e ela alegremente aceitou; ela tinha 46 anos, mas continuava bela e ativa.



 Se apresentando ao vivo, ela mostrou novamente sua beleza e sensualidade. Angelique Pettyjohn morreu de câncer do colo do útero aos 48 anos em 14 de Fevereiro de 1992, em Las Vegas, Nevada.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

A Maldição de Angela: Acampamento Sinistro - A Saga





Um dos muitos filmes Slasher feitos nos anos 80, na esteira do sucesso de "Sexta Feira 13"(1980), "Sleepaway Camp" (1983) de Robert Hiltzik seria apenas mais um clone, com um argumento muito similar, a saber:
Um homem divorciado (ele havia assumido ser gay) e seus dois filhos pequenos são vítimas de um bizarro atropelamento por um barco em um lago turístico. A criança sobrevivente é enviada para morar com uma tia (uma médica completamente biruta) e seu jovem filho Ricky.  



8 anos mais tarde, Ricky e sua irmã adotiva Angela são inscritos em um acampamento de férias no Campo Arawak. Angela se mostra muito tímida e bastante calada, além de não participar de atividades físicas e ter pavor da água por conta do acidente que sofreu. As garotas do campo logo passam a implicar com ela, enquanto alguns garotos tentam seduzir a virgem magrinha e acanhada.



 O pedófilo cozinheiro do acampamento tenta abusar dela, mas é impedido por Ricky. 
Logo os desafetos de Angela passam a ser despachados de forma cruel - O cozinheiro é escaldado em água fervente, um é picado por vespas (dentro do banheiro) até a morte, outra é assassinada a facadas, flechas, etc.



Ricky passa a ser o suspeito, mas a verdade é que Angela não nada nem toma banho com as outras garotas porque ela na realidade se chama Peter! O menino foi criado como uma garota pela tia perturbada e se transformou em um maníaco homicida. 




O final chocante mostra através de uma maquiagem realmente grotesca de Ed French, o menino/menina nu, banhado em sangue, segurando a cabeça decepada de um pretendente e gritando de forma alucinada.



O elenco é péssimo, só se destacando Felissa Rose /Angela, e os veterano Robert Earl Jones  e Mike Kellin. Os efeitos de maquiagem de Ed French são perfeitos, mas bastante econômicos devido ao baixo orçamento. 




Este pequeno psycho-splatter (dedicado nos créditos de abertura, a mãe do roteirista/diretor!!??!) se destacou dos demais por ter uma história realmente perversa (e "pervertida"), e,  porque realmente Angela Baker merecia um retorno...
 A série só seria retomada anos mais tarde com uma dupla de filmes realizados simultaneamente pelo diretor Michael A. Simpson.
Em "Sleepaway Camp 2 : Unhappy Campers" (Acampamento Sinistro, 1988), a perigosa Angela (agora um transexual operado e "curado", segundo ela mesma) volta as atividades como conselheira do acampamento Rolling Hills. 




Mesmo antes dos créditos iniciais, ela já mata uma garota com um ferro, e lhe corta a língua, por ela ser "fofoqueira". Angela é uma "assassina puritana", ela fala: "Existem muitas crianças boazinhas, você só tem que se livrar das ruins!". Por isto ela assa duas irmãs em uma churrasqueira para elas "dizerem não às drogas".




Ela também utiliza uma furadeira para matar uma gostosinha que gosta de exibir os peitos, afoga outra em uma privada de rua cheia de sanguessugas, utiliza uma moto-serra (e uma máscara de Leatherface), ácido de bateria, cordas, facas e armas de fogo.


 Ela mantém os corpos em uma velha cabana, enquanto conforta e protege uma adolescente boazinha e virginal. Quase todo o elenco é eliminado por Angela, inclusive o Tio John" (Walter Gotell), proprietário do acampamento, e seus colegas. Nada mal como atividades ao ar livre...



Angela Baker agora é vivida por Pamela (irmã de Bruce) Springsteen, os efeitos de maquiagem são mais sangrentos e agora orquestrados por Bill Johnson (Zombieland) e Cristina Cobb. Ah! sim...e muitooo importante : bastante nudez das meninas (e vítimas) do acampamento!!!








A terceira parte - "Sleepaway Camp III : Teenage Wasteland" (Acampamento Sinistro 2 (sim, no Brasil não saiu o primeiro e fizeram esta bagunça nos títulos...) 1988), tem uma contagem de corpos ainda maior.



 No começo uma garota é perseguida por um caminhão de lixo, atropelada e colocada em uma máquina de compactar detritos. É nossa velha amiga Angela, que assume a identidade da garota morta e vai para o acampamento de férias New Horizons.




 O cult veterano Michael J. Polllard é um dos conselheiros "seniors" e que tem uma queda por uma das meninas mais levadinhas...e o casal morto pela exterminatrix transex. 



Continuando sua saga moralista, ela mata uma líder de torcida, fornicadores e viciados, colocando seus corpos em uma barraca e atendo fogo - aproveitando para tostar marshmallows! 




Ela utiliza  em sua rotina homicida, um machado, um cortador de grama, pregos e fogos de artifício; enquanto canta alegremente a canção "Happy Campers". Para encurtar: Diversão para toda família!!!! 

O diretor/roteirista original Robert Hiltzik voltou para assumir sua criação com "Return to Sleepaway Camp" (2008). Agora a ação se passa no Campo Manabe, aonde Alan (o ótimo Michael Gibney), um garoto gordo-porcão-desajeitado e muito nerd-sem-noção, é vítima de bulling por parte dos colegas e alguns conselheiros (até com razão, por que o personagem realmente é um pentelho chato pra caralho!). 




Como esperado, seus desafetos começam a ser chacinados de forma sangrenta e criativa (e algumas mortes são citações ao primeiro filme). 







Os crimes são investigados pelo estranho e relapso Xerife Jerry, enquanto o tonto do Alan, passa a ser o suspeito número um e sofre um pouco mais!




Finalmente, recriando parcialmente o final do filme original, temos a revelação de que os crimes foram cometidos, é claro, por Angela Baker (novamente na pele de Felissa Rose).



 Ela se escondia sob a identidade (spoiler, mas fica muito óbvio no decorrer da trama) do Xerife Jerry.
Hiltzik acerta em ignorar os filmes 2 & 3 e ser uma sequencia direta do primeiro. Também o clima de comédia assumida e os FX (agora de Brian Sears) são um sopro de renovação na série. 







A parte 4...ahhhhh....Que Parte 4??????
O super picareta Produtor indiano Krishna Shah (Hard Rock Zombies, Evil Laugh, American-Drive In) contratou o diretor Jim Markovic para realizar "Sleepaway Camp IV: The Survivor" (1992/2012). Mas depois de serem rodados meros 34 minutos de copião, a produtora original acabou falida. 20 anos depois, o filme foi "completado":



A sobrevivente Alisson (Carrie Chambers, acima) relembra dos crimes cometidos por Angela e, 1 (60 minutos) hora de filme é apenas remontagem de cenas dos 3 primeiros  filmes. Inclusive, sem nenhuma ordem, misturando as duas fases (e atrizes) da personagem. 


                    Angela (Felissa ) & Angela (Pamela) podem ser vistas no mesmo filme...


Os poucos minutos inéditos envolvem Alisson com mais dois personagens, aonde ela se revela uma assassina também. Seria mais uma identidade de Angela? Duro é sobreviver a tamanha cara-de-pau desta produção...

Portanto...ficamos com a personagem original, inspirado (copiado, né?) de Jason Voorhees; bem vivido na pele de duas atrizes diferentes, em produções baratas, mas divertidas e sangrentas...o Slasher serve para isto...

"Ooooh, I’m a happy camper, I love the summer sun.
I love the trees and forest, I’m always having fun!
Ooooh, I’m a happy camper, I love the clear blue sky
And with the grace of God, I’ll camp until I die!"

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