quinta-feira, 23 de junho de 2016

Porto Alegre Canibal : Sexo & Morte na Rua do Arvoredo




"A casa dele — um sobrado que ficava atrás da antiga Matriz, na rua do Arvoredo, hoje Fernando Machado. Ali ocorreu o primeiro latrocínio de Porto Alegre, segundo registros da época. Pior que isso, nos fundos da Igreja da Matriz (onde hoje resiste bravamente a Catedral) ficava o cemitério da cidade. Como a chuva amiúde lavava o terreno, não era raro encontrar fêmures e caveiras rolando sorridentes pela rua do Arvoredo. Como ninguém queria alugar aquela casa, Ramos e Catarina se mudaram para lá, transformando aquele pardieiro refugado pela sociedade no seu ninho de amor e lascívia. Era ali, naquele ambiente íntimo, que eles matavam as suas vítimas, com requintes de crueldade..."






   A LENDA URBANA: 
Os crimes cometidos por José Ramos e sua mulher, Catarina Palsen, moradores do nº 27, da rua do Arvoredo (atual Rua Fernando Machado) deixaram a província em polvorosa. O proprietário do açougue da província de Porto Alegre  esquartejava, descarnava, fatiava e guardava as  suas vítimas em baús (os ossos seriam desmanchados em ácido), moendo-as aos poucos e transformando-as nas famosas linguiças (chamada Linguiça Especial), que eram vendidas em seu açougue e faziam bastante sucesso. 

"A cidade está devorando a cidade" (David Coimbra, em "Canibais: Paixão e Morte na Rua do Arvoredo) 




A PESQUISA E O PROCESSO:
Décio Freitas faz no livro "O Maior Crime da Terra: O Açougue Humano da Rua do Arvoredo"  uma pesquisa histórica sobre a realidade do episódio, apesar de conter muitas lacunas, uma vez que dos três processos realmente movidos, dois desapareceram.  Claramente se vê o desejo de abafar o caso, o inquérito transcrito em nenhum momento menciona o fato das vítimas serem transformadas em linguiças.Catarina contou a policia todos os fatos e os detalhes de como as vitimas eram mortas e o que faziam com elas,Mas no processo, simplesmente ignoraram estes "detalhes".


 O caso veio à tona somente após o desaparecimento de um rico português, apesar de várias queixas já terem sido realizadas. O delegado Dário Callado iniciou uma investigação pressionado pelo poder, pois José Ramos era seu informante, e isso denotava muito contra a política da província.
Segundo  depoimentos, Catarina atraía as vítimas utilizando sua beleza, e, com sexo e luxúria deixava-as prontas para que José as assassinasse. Isto era feito com uma machadada no centro da cabeça, seguido por degola.

O processo transcrito no livro foi justamente o da morte de Claussner, que foi encontrado enterrado no pátio da casa da Rua do Arvoredo, ou seja, este não foi transformado em linguiça.
O autor conclui dizendo que nenhuma pesquisa é finda, pois estão sempre descobrindo documentos e outros que acrescentam sempre algum detalhe. Disse ainda que o seu trabalho foi realizado com documentos de 1948, e ressaltou a importância do arquivo histórico do Rio Grande do Sul. 







 Foi no ano de 1864 que as autoridades descobriram os assassinatos cometidos por um morador da Rua do Arvoredo e da sua mulher, que atraía as vitimas no Beco da Ópera (atualmente a Rua Uruguai), os levava pelo velho beco do poço até a rua da igreja (atual Rua Duque de Caxias) e por fim até a casa deles, um sobrado que ficava atrás da antiga matriz, aonde ainda nessa época existia o cemitério da cidade e atualmente reside a Catedral.  O local já era considerado assombrado...Catarina fazia sexo com a vítimas e depois José as matava...




A CENA DO CRIME:

Em 18 de abril de 1864, a polícia de Porto Alegre deparou-se com uma cena de crime horripilante: no porão de uma casa  na Rua do Arvoredo, estavam enterrados os pedaços de um corpo humano já em avançado estado de decomposição. O cadáver havia sido retalhado, com a cabeça e membros separados do tronco, e este, por sua vez, repartido em vários pedaços. A vítima foi identificada: era o alemão Carlos Claussner, dono de um açougue na Rua da Ponte . Ao examinar um poço desativado no terreno dos fundos da casa, a polícia encontrou os corpos do taverneiro Januário Martins Ramos da Silva e de seu caixeiro, José Ignacio de Souza Ávila, de apenas 14 anos, igualmente esquartejados. As buscas no poço prosseguiram, tendo a polícia encontrado ainda o cadáver de um cachorrinho preto, rasgado da garganta ao ventre. A motivação dos crimes era evidente: Ramos e Palse mataram para se apossar dos bens de suas vítimas, com exceção do caixeiro e do cãozinho, que foram mortos como queima de arquivo





OS PERSONAGENS:
Catarina era húngara,nascida na região da Transilvânia (!!) e quando da invasão dos soldados russos, foi violentada em série por um pelotão inteiro. Casou-e com Peter Palse e emigrou para o Brasil, mas seu jovem esposo enforcou-se durante a viagem. Conheceu então José Ramos, homem bem apessoado, que gostava de teatro e ópera.



José Ramos nasceu em Santa Catarina, filho de um português e uma índia ( Manoel Ramos e Maria da Conceição). Um dia, ao defender a mãe de uma agressão, acabou matando o próprio pai.
  Obcecado por ser parricida, seguiu matando, pelo desejo e satisfação da degola.




Fugiu em 1861 para Porto Alegre (então, Província de São Pedro), onde se estabeleceu como soldado da Polícia. Devido a sua extrema truculência ( e por ter tentado matar um preso célebre- Campara, "o Robbin Hood dos Pampas") foi demitido, permanecendo no entanto como informante. No mesmo ano conheceu a bela Catarina,e o casal foi morar junto, numa casa localizada na Rua do Arvoredo, em frente ao cemitério da cidade na época, onde hoje é a Cúria Metropolitana. O terreno onde a casa existia, abriga a nova casa de número 707, na atual Fernando Machado.



                              
                                           Rua do Arvoredo...ontem & hoje...                                                                                                                 
                                                         
                                                             ...a casa atualmente...

Em 1863, José Ramos conheceu Claus Gottlieb Claussner (conhecido como Carlos), um alemão dono de um açougue na Rua da Ponte ( hoje Rua Riachuelo ). Ficaram amigos e  Claus passou a ensinar a Ramos o ofício de açougueiro. Ramos confessou mais tarde para o amigo seu instinto assassino, e decidiram formar uma “parceria”. Catarina, a esposa, contou que era a responsável por atrair os homens até a  casa, onde a vítima era surpreendida por uma machadada provocada por Ramos. O homem matava, esquartejava e transportava os “pedaços de gente”, numa carreta, até o açougue que ficava três quadras depois, e era lá que o sócio Claussner as transformava em linguiça. O espaço onde o antigo açougue estava localizado, é hoje um ponto de comércio atrás da Igreja Nossa Senhora das Dores.



Em agosto de 1863, contudo, Claussner desapareceu e só foi reencontrado em 1864, morto, assassinado pelo próprio “sócio” e cúmplice. Com isso, Ramos tomou posse do negócio (alegando que havia comprado o estabelecimento,e que o antigo dono partira em uma longa viagem).
Por não saber produzir a linguiça, o cadáver de Claussner e de suas próximas vítimas são encontrados. Após a descoberta, o casal é preso e fica sob julgamento.



 Com o remorso corroendo a sanidade da mulher, Catarina contou sobre os assassinatos e sobre o processo de produção de linguiça feita com carne humana. Esse relato teria sido de suma importância para a investigação do caso, já que até hoje não foram encontrados os corpos de seis das vítimas... 

                                                                                                                                              

                                A rua Fernando Machado ainda guarda cenários "macabros"                                                                           

escadarias da rua Gen.João Manoel (antigo Beco do Cemitério)...Caminho que Catarina utilizava para levar os homens que seduzia, até a casa maldita... 

Ramos foi condenado a prisão perpétua, mas devido as suas ligações com a polícia local, a pena foi abrandada e ele teve muitas regalias na prisão. Morreu em 1893, internado na Santa Casa de Misericórdia , cego e com avançado estado de lepra. Ele nunca admitiu os crimes pelo quais foi condenado. Catarina morreu dois anos antes, uma indigente vagando enlouquecida pelas ruas da cidade canibal...  








 Na Época a população de Porto Alegre mesmo assustada com a noticia resolveu abafar os fatos para que não ganhassem fama de canibais!,Os crimes ganharam repercussão em jornais da França, Inglaterra e Uruguai.

Por muito tempo a população não consumiu ...linguiças...




Qualquer semelhança com Sweeney Todd...é mera...loucura humana!!!







Bibliografia 
" O Maior Crime da Terra - O Açougue Humano da Rua do Arvoredo", por Décio Freitas (Editora Sulina)

"Canibais - Paixão e Morte na Rua do Arvoredo", por David Coimbra (Editora L&PM)

Pesquisas:
http://oscrimesdaruadoarvoredo.blogspot.com.br/
http://noitesinistra.blogspot.com.br/2015/02/jose-ramos-o-linguiceiro-da-rua-arvoredo.html#.V2wEovkrLIU
https://folhadeabajures.wordpress.com/2014/10/02/o-silencio-da-morte-na-sombra-do-arvoredo/
http://www.cultura.rs.gov.br/v2/instituicoes-sedac/instituto-2/
http://www.museudacomunicacao.rs.gov.br/site/
https://pt.wikipedia.org/wiki/Crimes_da_Rua_do_Arvoredo
http://pampurbana.blogspot.com.br/2014/05/o-linguiceiro-da-rua-do-arvoredo-ficcao.html


Fotos atuais: Bianca Osbourne
Pesquisa: Cesar Coffin Souza

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