segunda-feira, 19 de junho de 2017

Jane Merrow: De Shakespeare ao Terror!


Jane Merrow (nascida Jane Meirowsky, 26 de agosto de 1941, em Hertfordshire, Inglaterra) filha de uma inglesa e de um refugiado alemão. Talentosa e bonita atriz que atuou no cinema e TV no anos 1960 e 1970, na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos.




Com formação clássica pela Royal Academy of Dramatic Art, Jane estreou no cinema em uma pequena ponta na comédia romântica "Aqui Mora o Pecado" (1961) de Cyril Frankel; e também apareceu brevemente em seu primeiro filme de gênero "The Phantom of the Opera" (O Fantasma da Ópera, 1962) de Terence Fisher, com Herbert Lom & Michael Gough produção da lendária Hammer Films...Jane vive uma das amigas da trágica heroína interpretada por Heather Sears.   





 Em 1963, Merrow foi escolhida para o papel principal de uma adaptação da BBC de "Lorna Doone" (mini-série baseada no livro homônimo de R.D. Blackmore), sendo bastante elogiada por este trabalho. Na verdade, Jane utilizava seu treinamento clássico-Shakespeareano, aliado a sua sensibilidade, para dar honestidade e fragilidade para os vários papeis de heroínas clássicas que viveu tanto no cinema como na TV.




Ela co-estrelou com Oliver Reed, o polêmico (na época) drama sexual "The System" (1964) de Michael Winner...



Em "Catacombs" (Embuste Diabólico, 1965) de Gordon Hessler, Jane viveu a "bad girl" Alice, sobrinha da rica, estranha e adoentada Helen Garth (Georgina Cookson).







 O desonesto marido de Helen, Raymond (Gary Merrill, que na vida real foi o último marido de Bette Davis), fica bastante atraído por sua sobrinha, e eles começam um caso. 




Cansado das exigências de sua esposa, ele faz um plano para mata-la e herdar sua fortuna...Mas as coisas tomam outro rumo...
Um thriller com drama , mistério e terror. Uma produção "B", com ótima fotografia, elenco e ótimas cenas de suspense.   



 Ela teve papéis em séries da TV britânica, como "Danger Man", "The Saint", "The Baron", "The Prisoner", e "The Avengers", onde, tendo aparecido no penúltimo episódio da série de 1967, foi considerada como a substituição de Diana Rigg. O papel no entanto foi para Linda Thorson .

Na antologia televisiva de histórias de terror clássicas "Mystery and Imagination", ela foi a personagem título de "Carmilla" (1966) de Bill Bain; baseado na história de vampirismo e lesbianismo de Sheridan Le Fanu...




Jane trabalhou ao lado de Peter Cushing, Christopher Lee e Patrick Allen em "Night of the Big Heat"( O Demonio de Fogo, 1966) de Terence Fisher...







...a mais quente & suada invasão alienígena da história...




Jane vive a sexy e sedutora secretária do escritor interpretado por Patrick Allen...  


O ponto alto de sua carreira foi como Alais, a amante muito jovem do rei Henry II (interpretado por Peter O'Toole) no indicado ao Oscar "The Lion in Winter" ( O Leão no Inverno,1968; com Katharine Hepburn, Anthony Hopkins, Timothy Dalton...), pelo qual recebeu uma indicação ao Globo de Ouro na categoria de atriz coadjuvante, perdendo para Ruth Gordon, que ganhou com Rosemary's Baby ( O Bebê de Rosemary).




 Jane Merrow estrelou "A Mulher de Adão" com Beau Bridges em 1970. Ela também apareceu como a cega Laura no filme da Hammer "Hands of the Ripper" ( As Mãos do Estripador, 1971) de Peter Sasdy....








 Por volta dessa época, ela mudou-se para os USA aonde estrelou muitos dramas, mistérios e séries de aventura da TV americana.
Jane fez par com o lendário canastrão William "Cap.Kirk" Shatner na produção televisiva de "The Hound of the Barkervilles" (O Cão do Inferno, 1972) de Barry Crane...

...com Stewart Granger como Sherlock Holms; Bernard Fox como o Dr. Watson; Shatner como George Stapleton, e Jane como Beryl Stapleton; nesta adaptação pobre da obra de Arthur Conan Doyle.






Também na TV americana, ela participou do filme de terror & desastre "The Horror at 37,000 Feet" (Horror nas Alturas, 1973) de David Lowell Rich...



...novamente com William Shatner (aqui como um ex-padre bebum!); mas Jane vive a esposa do arquiteto interpretado por Roy Thinnes, que transporta relíquias em um avião, aonde um mal milenar desperta! 



 Na TV ela apareceria  ainda em:  Missão Impossível, Bearcats !, Mannix, UFO (de Gerry Anderson, na Inglaterra)...





... Emergency !, Police Woman, O Homem de Seis Milhões de Dólares, Cannon, Barnaby Jones, The Eddie Capra Mysteries, MacGyver: Profissão Perigo, Casal 20, Magnum, PI, O Incrível Hulk, Once an Eagle, The Greatest American Hero (Super Herói Americano), Águia de Fogo, entre outros. No teatro, ela estrelou um tributo a atriz Vivien Leigh, em uma performance solo bastante elogiada.



                              Merrow nos braços do Incrível "Lou Ferrigno" Hulk



Na década de 1990, Merrow voltou para a Grã-Bretanha para dirigir um negócio familiar. Em 2006, participou de um evento relacionado a série cult "O Prisioneiro", em Portmeirion, Norte do País de Gales,  e em 2008, ela foi convidada para a convenção anual da série organizada pela Prisoner Appreciation Society .


O verão de 2009 viu Merrow voltar ao palco, vivendo Emilia na peça de Shakespeare "The Comedy Of Errors" com a Idaho Shakespeare Company. Ao mesmo tempo, ela também passou a produzir, escrever e estrelar curtas de terror baseados em histórias clássicas para a web-série "Chilling Tales", como "Beware of What You Wish" (2010) de Patricia Doyle, baseado no conto "A Pata do Macaco" de W.W. Jacobs....




Jane Merrow continua na ativa, em convenções (dedicadas a Filmes de Terror, Hammer e a séries como O Prisioneiro e UFO...) através do mundo, e atuando e produzindo.




 Seu site http://www.janemerrow.net/showreel.htm trás detalhes sobre sua vida e carreira, e links para assistir os curtas que ela produz... 

domingo, 11 de junho de 2017

Zakarella- A Infernal Heroína Pulp Portuguesa




Começamos com uma historinha pessoal: Aos 14/15 anos, eu era um adolescente típico, nerd e punheteiro. Estudava e ganhava uma pequena mesada de meus pais, e economizava mais uma grana, voltando da escola (que ficava a muitas quadras de minha casa) à pé, e o dinheiro do ônibus, ajudava em meus gastos com livros, cinema e histórias em quadrinhos. No trajeto escola-casa, descobri uma "mina de ouro"- uma pequena tabacaria/sebo de um senhor gordo e ranzinza, que vendia e trocava revistas usadas em bom estado e preço baixo. Me tornei habitué do local, e entre as inúmeras raridades que consegui na época, uma das que mais atraiu a  minha atenção e curiosidade, foi uma revista portuguesa chamada "ZAKARELLA" ! Eu já conhecia e gostava da imortal e sensual vampira-alienígena "Vampirella", e claro, fui atraído pelo título e pelas capas com o irresistível dueto Horror&Sexo...




Ao folhear-ler-degustar suas páginas, descobria-se que a dita personagem título, não era heroína de comics, mas, personagem de histórias pulp de terror sensual e com ilustrações magníficas, aonde enfrentava todo o tipo de monstros e criaturas fantásticas com muito pouca (ou nenhuma) roupa! Vamos a sua história...





A Revolução de Abril de 1974 (chamada Revolução dos Cravos) libertou Portugal de uma longa ditadura, e abriu as portas do país (afrouxando a censura) para o trash erótico e humorístico . Em Março de 1976, a editora Portugal Press lançou a revista Zakarella, de 36 páginas. Apresentava uma seleção de histórias em quadrinhos de terror provenientes da americana Creepy, da editora Warren; com obras primas do calibre de um Frank Frazetta ou de um Esteban Maroto e muito terror descartável. 




Para justificar o nome, esta versão lusa da americana Vampirella (com o diferencial que Zakarella Não é uma vampira...), tinha sempre um conto de Ross Pynn (o próprio editor Roussado Pinto, Lisboa 1926-1985) com ilustrações ousadas de C.Alberto ( Carlos Alberto Santos, Lisboa 1933-2016). 



Zakarella é uma renegada, em fuga de um Inferno terrestre governado por um cruel Satã. Teletransportada diretamente para Lisboa, ignorante da maldade e lascívia da capital portuguesa, a ingênua Zakarella sujeita-se às mais bizarras sevícias sexuais ao enfrentar monstros infernais, criaturas fálicas e fluidos pútridos... 






Esta infernal, mas bondosa morena de curvas estonteantes e indumentária mínima, tinha o  poder de regenerar o seu corpo após sofrer todo o tipo de tortura, e os monstros arrancarem literalmente seus pedaços. As histórias acabavam invariavelmente numa orgia de sangue e horror, a contento do amo Satã e dos leitores da revista, que ainda hoje suspiram por este pequeno "pecado" juvenil.




O primeiro número saiu em 1 de Março de 1976, coexistindo com outra revista do gênero:  a clássica Vampirella. Vampirella, também editada pela Portugal Press, acabou em Outubro de 1977, ficando assim apenas Zakarella como revista de "terror". 



Por ironia do destino, outra consequência da revolução de  Abril liquidou a revista no número 28. O Banco de Portugal não autorizou a Portugal Press a pagar os direitos de publicação das histórias da Warren com a justificativa que as transações em dólares seriam apenas para importar bens de primeira necessidade!




Carlos Alberto Santos foi um anatomista precioso, e um prolífico ilustrador de infinitas capas para revistas e livros pulp de aventuras, crime, guerra, terror e faroeste da Agência Portuguesa de Revistas...




Assim como outros ilustradore de arte pulp, C.Alberto utilizava muitas referências de filmes de terror e ficção científica "B". No segundo número da revista, para ilustrar o conto "Os Homens de Sangue Frio", o artista se baseou nas criaturas do hilário trash-terror-musical "The Horror of Party Beach" (Dell Tenney, 1964)...






Zakarella foi redescoberta em seu país natal , e a obra de C. Alberto reverenciada com exposições de seus originais em 2012.  Posteriormente, o projeto-concurso  "Desafio Zakarella", fez diversas exposições aonde dezenas de jovens artistas gráficos lusitanos mostraram suas recriações da sensual personagem...










    Zakarella original- revista # 9, ilustração para o conto "Orgasmo Para um Fantasma".

domingo, 4 de junho de 2017

Mariza: A "Gênia Louca"





Mariza Dias Costa nasceu em 16 de outubro de 1952 na Guatemala! Filha do diplomata brasileiro Mario Loureiro Dias Costa e da dona de casa Maria Odila Dias Costa. A família tinha a "rotina" maluca dos dos diplomatas: viveram em Roma, Paris, Rio de Janeiro, Assunção, e...Bagdá! "A menina Mariza não brincava de bonecas, preferia as histórias em quadrinhos da Luluzinha, Ferdinando e o Pererê de Ziraldo. E Amava desenhar. Nas aulas de matemática, não entendia nada e ficava desenhando escondida. Fez um intensivo de segundo grau aos 16 anos e até hoje não sabe a tabuada do 3. Mariza fala perfeitamente o francês, inglês, e italiano, além de português e espanhol. Arrisca-se sem passar vergonha no guarani (que herdou do Paraguai), no grego e no árabe, aprendido em Bagdá."





Ela queria ser antropóloga, mas não teve mais paciência com sua "inimiga" matemática, e aos 17 anos deixou a escola. A jovem Mariza adorava Rock'Roll (assistiu aos Beatles em Roma em 1965) e curtiu muito a lisergia...Maconha, LSD, Heroína, Crack, Daime, Ayahuasca, e...bem, tudo mais...
Um dia, de volta ao Brasil, ela descobriu o humor anárquico do Pasquim, e resolveu mostrar uma série de desenhos que havia feito quando esteve no Iraque, e que mostravam figuras humanas misturadas com animais e criaturas fantásticas. Foi empregada na mesma hora! 






  Mariza nunca tinha tempo para namorar; desenhava, estudava a fundo a história da arte, experimentava novas drogas, e os caras desconfiavam de uma garota que andava com tênis de cores diferentes em cada pé e com um colar feito de de corrente de descarga de privada. "Eu andava com ele o tempo inteiro. Acho que era meio punk para a época", admite.









 No pasquim, além de ficar amiga dos artistas Millôr Fernandes, Ziraldo,Jaguar, Fortuna e cia., ela arranjou um namorado e foram morar juntos. Mariza engravidou logo, e em 1977 nasceu seu filho Diogo. O menino nasceu com uma malformação cardíaca grave, e em busca de um tratamento especial, o casal se mudou para São Paulo. Dois anos e meio, e duas cirurgias depois, o menino morreu. Mariza já separada do companheiro (que retornou ao Rio) mergulhou em profunda depressão e voltou com toda a força as drogas. Em meio a terapias e "viagens", ela bateu às portas da redação do jornal A Folha de S.Paulo e ganhou o emprego na qual ficou mais conhecida: ilustradora exclusiva da coluna "Diário da Corte" , do prestigiado jornalista Paulo Francis...




Entre 1978 e 1990, duas vezes por semana (quartas e sábados), os leitores se deliciaram com as palavras e ideias do principal colunista da Folha e com as ilustrações cheias de vigor, criatividade e fúria da "louca" Mariza.
 E ela "aprontava", utilizando as máquina de Xerox e Fax (tempos antes do photoshop) para misturar seu traço ( nanquim, ecoline e  guache sobre papel) com texturas feitas de pedaços de recortes, tecidos, embalagens, lixo!






No livro "Mariza...e depois a maluca sou eu!" ( 2013,  Editora Peixe Grande) ela conta histórias engraçadas sobre a busca por estas testuras que ela passava pela máquina de xerox: meias, gravatas e até uma saia, que pedia para seus colegas emprestado..."Até cascas de bananas passaram pelo xerox da Folha, para então virar parte das ilustrações que Mariza fazia para Francis".



Conheço e admiro o trabalho de Mariza desde suas colaborações na revista Mad brazuca, e admito, nunca fui fã de Paulo Francis, mas sempre espiva sua coluna para ver os desenhos...Agradeço aqui a minha amiga ( maluquinha) e também artista plástica, Pomba Cláudia, que me emprestou este livro lindo e inspirou esta postagem! 



Quando seus incríveis desenhos foram substituídos por fotografias para ilustrar a coluna, Mariza saiu da Folha, trabalhou no Jornal da tarde e passou a fazer "frilas" para diversas revistas e livros. E continuou suas experiências com "substâncias ilícitas"... 







O resultado destes experimentos em si mesma, foram diversas internações, algumas bem sofridas. Durante a primeira destas internações (em 2001), Marisa Dias Costa escreveu ( e ilustrou, é claro!) um lindo, doloroso e jornalisticamente poderoso relato de seu dia a dia e de suas colegas problemáticas.




De volta a Folha, desde 1999, ela ilustra a coluna semanal do psicanalista Contardo Calligaris. Ele comenta "Isto eu e Mariza temos em comum: Gostamos de errar pela cidade e não deixamos de olhar para o que aparece em suas sarjetas. Temos, em suma, um repertório comum de detritos com os quais eu tento escrever, e ela desenhar." "A ilustração de Mariza, comparada com o tom médo do texto, parece gritar...ela grita, em geral, um desconforto esquecido atrás da coluna." 








A pequena e magrinha "dona" Mariza Dias Costa, a MARIZA...é maluquinha (e malucona!)...e também, um Gigante da arte e ilustração brasileira...






























                             Malucões amados: Mariza com Paulo César Pereio! 







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