domingo, 4 de março de 2018

Barbara Payton: Talento, Tesão e Tragédia!

Não temos só histórias de superação e sucesso para contar envolvendo as deusas do cinema "B". A máquina de Hollywood, principalmente, destruiu carreiras e afogou estrelas promissoras. No triste caso de BARBARA PAYTON, sua tragédia pessoal parece ser fruto de seu próprio desequilíbrio, alimentado pela "Indústria da Fama"... 



 Barbara Lee Redfield, nasceu em 26 de novembro de 1927, em Cloquet, Minnesota. De uma família modesta de trabalhadores braçais, ela cresceu para ser uma jovem deslumbrante, loura, e de olhos azuis...


                                                          Barbara com 8 anos

Aos 19 anos  ela se casou secretamente com um namorado da escola. Seus pais rapidamente anularam a união, e Barbara decidiu sair de casa. Em 1945 ela se casou com John Lee Payton e em 1947 teve seu único filho (John Lee Payton Jr.). O casamento durou oficialmente até 1951. Barbara ficou com o filho, mas perdeu a sua guarda mais tarde, acusada de negligência. O juiz  que decidiu em favor do pai do menino rotulou Barbara como "... uma mãe imprópria, para não mencionar uma jovem completamente confusa e equivocada".

 Ela largou seu marido e mudou-se para Hollywood em 1948 e, graças a sua beleza, em pouco tempo foi contratada pela Universal.
 Sua ascensão foi rápida, e em 1949 ela co-estrelou com Lloyd Bridges o policial-noir "O Cerco" (Trapped) de Richard Fleischer.




Ela atingiu seu auge co-estrelando com James Cagney , o thriller "O Amanhã que Não Virá" (1950); e os westerns "Vingador Impiedoso" ( Dallas, 1950), com Gary Cooper; "Os Tambores Rufam ao Amanhecer" (1951), com James Craig; e  "Resistência Heroica "( Only the Valiant, 1951) de Gordon Douglas, com Gregory Peck...




Ela diria em uma entrevista para a revista de fofocas "Confidential Magazine": "- Eu sabia que podia entrar para o cinema porque eu tinha o look e tinha os peitos"...Mas, em sua auto biografia ela contou que para manter a forma se utilizava de uma grande carga de remédios para dormir e outras drogas legalizadas.
Barbara tinha talento, carisma e beleza, mas o sucesso e o glamour de estrela a levaram a uma vida pessoal recheada de muitos romances (envolvendo vários astros e produtores, muitas deles casados) e problemas. Em 1949 ela teve um caso de seis meses com o famoso comediante Bob Hope, no qual ele pagou para ela viver em um apartamento luxuoso. O caso terminou quando ela começou a exigir mais dinheiro.
No mesmo ano ela namorou Don Cougar, um extra de filmes, acusado de tráfico de drogas e violência... 





Um de seus casos mais famosos acabou virando manchetes em jornais e revistas e abalou profundamente sua carreira. Ela estava tendo casos com dois namorados ao mesmo tempo, o ator classe "A" Franchot Tone e o musculoso astro "B" Tom Neal.



                                                          Barbara com Franchot Tone...



                                                            ...e com Tom Neal...


Em 1951, enquanto já estava envolvida com Franchot Tone, ela propôs casamento a Tom Neal. Ela permitiu que ele se mudasse para o apartamento dela, pelo qual Tone pagava o aluguel. Ela o expulsou quando Tone voltou de fora da cidade. 
 Em 13 de setembro, os homens se enfrentaram em uma briga mortal por ela,  e quando acabou, Tone estava no hospital com o nariz quebrado,  ossos do rosto esmagados e uma fratura cerebral, que o deixou em coma por 18 horas. Barbara acabou com um olho preto e sua reputação manchada.



                      Depois da briga, Barbara visita Franchot no California Hospital

 Ela se casou com Tone depois que ele se recuperou (apesar de outro escândalo, quando Tone a pegou na cama com o ator Guy Madison, caso que rendeu mais matérias nas revistas de fofocas) mas o deixou após 53 dias e retornou a Neal, que era abusivo e violento. Esse relacionamento tumultuado durou quatro anos, embora nunca tenham se casado.
John O'Dowd escreveu na biografia de Barbara, intitulada " Kiss Tomorrow Goodbye": "O relacionamento de Barbara com Tom Neal foi um exercício de masoquismo, acredito. Ambos eram externamente ásperos e irreverentes, e eles se entregavam com freqüência  em maratonas de sexo e álcool, sem nenhum pensamento (ou cuidado) com as possíveis consequências. Neal também tinha um temperamento explosivo - fácil de irritar e reagia de forma frequentemente agressiva - e por alguma razão inexplicável Barbara parecia gostar de provoca-lo e invocar sua raiva."


 Durante esse período, a carreira de Barbara despencou até o ponto em que ela estava estrelando um trash como... 




  "Bride of the Gorilla" (1951) de Curt Siodmak...




Esta pérola do cinema "B" conta a história de Barney Chavez (Raymond Burr), administrador de um seringal na selva Amazônica, que mata seu velho patrão em uma briga, para ficar com Dina (Barbara Payton) sua linda esposa (coicidência com a história real de Barbara???)...




Uma velha feiticeira local testemunha o crime e coloca uma maldição no criminoso, que passa a se transformar em um gorila (na America do Sul????!!) furioso durante a noite...ou...não??!!????



Lon Chaney Jr. (que se transformou em um homem-lobo em "The Wolf Man"/"O Lobisomem" de1941; em um roteiro original de Curt Siodmak...) viveu o comissário de policia Taro, conhecedor das leis dos homens e das leis da selva.
O especialista em vestir fantasias de macaco, Steve Calvert, é o gorila, que só aparece por alguns minutos no fim do filme...
Raymond Burr disse sobre Payton :"Barbara era uma garota maravilhosa, mas ela era como um "saco de gatos". Barbara era absolutamente deslumbrante. Sua beleza era magnética e ligeiramente misteriosa. Nunca vou entender o que aconteceu com ela ou como pode ter acontecido. 
O diretor Curt Siodmak disse:" Eu estava trabalhando com três alcoólatras (n.e. Burr, Chaney e Tom Conway) e uma maníaca sexual".
 A promoção da Noiva do Gorila da Realart foi um lançamento especial na data do Halloween. A aparição de Barbara na tela foi recebida com palmas, gritos, assobios e sapateados fortes.

Por esta época, Barbara teve um caso com o ator negro (e ex-astro do football) Woody Strode. Casos inter-raciais não eram aceitos na época, e Strode era casado. Hollywood se fechou para ela. 
Procurando reativar sua carreira, ela se mudou para a Inglaterra, aonde estrelou um drama da Hammer Films (antes da fase Horror) chamado "The Flanagan Boy" (1953) de Reginald Le Borg. No seu país de origem, o filme foi chamado de "Bad Blonde", dando destaque para sua personagem e sua persona de fêmea-fatal...




   Então, Barbara foi escalada para um papel duplo em uma produção de Sci-fi da Hammer Films, dirigida pelo depois, muito famoso Terence Fisher (A Maldição de Frankenstein-1957; O Vampiro da Noite-1958; A Múmia-1959... ):




"Four Sided Triangle" (Os 4 Lados do Triângulo (TV), 1953) , direção e roteiro de Terence Fisher, baseado em uma novela de William F. Temple...



...No interior da Inglaterra, dois amigos de infância inventam uma máquina revolucionária capaz de clonar objetos. 




Robin (John Van Eyssen- depois o Jonathan Harker do "Dracula"/ "O Vampiro da Noite" de 1958 ) decide se casar com Lena (Barbara Payton), amiga de ambos e também desejada por Bill (Stephen Murray).




 Bill resolve secretamente modificar a máquina para criar um clone de Lena para ele mesmo. O problema é que a duplicata (chamada Helen) também ama seu amigo. A solução então é continuar com experimentos mais perigosos...



Uma estranha historia de amor & sci-fi, com Barbara envolvida  novamente em um triângulo amoroso (mas com "4 lados") turbulento...










Ela voltou para Hollywood para estrelar uma comédia  "B" com toques de ficção: "Run for the Hills" (1953) de Lew Landers...





Charlie (Sonny Tufts) teme uma guerra nuclear, então, decide se mudar para uma caverna com sua esposa (Barbara Payton) e viver de forma livre e primitiva...




Aqui, uma jogada de marketing barata e perigosa (para os envolvidos) : O ator-comediante-cantor Sonny Tufts, era "famoso" como um dos "Bad Boys" de Hollywood, sempre metido em confusões e escândalos- envolvendo bebedeiras e mulheres. Escalar um casal de atores, mais conhecidos pelos tabloides de fofocas, do que por seus talentos, pode atrair bilheteria...ou afundar de vez suas carreiras... 




Barbara voltou aos westerns com a produção barata "The Great Jesse James Raid" (1953) de Reginald Le Borg...
Não haveria porque comentar este filme, se não fosse escalado para um dos papeis principais...TOM NEAL!




Seu antigo e violento namorado (Neal seria preso em 1965 por ter assassinado a tiros sua esposa. Ele escapou da pena de morte, e foi condenado a 10 anos de prisão. Em 1971, ele ganhou a condicional, e seis meses mais tarde, morreu de insuficiência cardíaca...) fez o papel do pistoleiro Arch . Barbara canta no filme "That's the Man for Me "...outro toque auto-biográfico???

O último filme de Barbara foi o policial "O Morto Desaparecido"(1955) do veterano Edgar G. Ulmer (O Gato Preto-1934...), como uma cantora acusada de um assassinato de um homem que ela jura ainda estar vivo... 




Deste ponto em diante, a vida de Barbara Payton despencou totalmente. Barbara passou a beber cada vez mais. Seu belo rosto, ficou manchado e marcado e seu corpo, uma vez espectacular, inchado. De 1955 a 1964 ela teve vários problemas com a lei : Passou cheques sem fundo em lojas de bebidas, foi presa por embriaguez, conduta e palavreado obsceno, perturbação pública, por roubo (de peças de roupas), por posse de heroína, e depois por prostituição... 







                                     Barbara presa em 1964 por prostituição...

Ela várias vezes teve que dormir na rua, foi espancada, esfaqueda por um bêbado, estuprada e  acabou perdendo muitos dentes...
De alguma forma, com toda essa miséria, ela conseguiu um ghost writer (Leo Guild) que escreveu sua auto biografia ironicamente intitulada " I Am Not Hiddle "(Eu não tenho vergonha) em 1963...

 Em 1967, ela finalmente voltou para a casa de seus pais em San Diego para tentar se curar do alcoolismo. Era tarde demais, em 8 de maio de 1967, a antiga estrela de Hollywood com apenas 39 anos, foi encontrada por sua mãe no chão do banheiro. Morta. O laudo revelou parada cardíaca ocasionada por insuficiência hepática. 





















Fontes:

KISS TOMORROW GOODBYE: The Barbara Payton Story:
http://www.hollywoodstarletbarbarapayton.com/ 

REEL RUNDOWN:
https://reelrundown.com/celebrities/Barbara-Payton-A-Sad-True-Tale-of-Hollywood

IMDB: http://www.imdb.com/name/nm0668510/?ref_=tt_ov_st_sm

WEIRDLAND: http://jake-weird.blogspot.com.br/2012/10/the-barbara-payton-story.html?m=1


2 comentários:

  1. Tragédias envolvendo atores e atrizes de Hollywood tanto do astros classe "A" ou "B" sempre teve ,aqui mais uma bela jovem que se envolveu em escândalos e na época se ela tive - se alguma mão amiga sua vida não seria tão trágica.. mais á indústria do cinema é cruel mesmo são vampiros que sugam á sua alma e quando você não serve para mais morre .. uma bela moça que teve um fim trágica e muito nova .. Excelente matéria sobre á vida trágica de Barbara Payton um abraço de Spektro 72.

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  2. Tenho tudo sobre o cruel destino dela em uma revista norte-americana de terror. Na entrevista, ela chama Bob Hope de "bola murcha", por seu desempenho no sexo.
    Senti muita pena dela, sim, porque o destino e Hollywood às vezes se juntam numa escrotidão só. Mas também, às vezes, os excessos que causam isso são bem pessoais.

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