domingo, 5 de agosto de 2018

As Mulheres de E.A.Poe



 Edgar Allan Poe nasceu em Boston, Massachusetts, nos Estados Unidos, em 19 de janeiro de 1809. Sua história é marcada pela morte da mãe  Elizabeth Arnold e o abandono de David Poe Jr., seu pai. Edgar foi então morar com um casal rico de Richmond, na Virgínia- Jonh Allan e Frances Kelling Allan. Embora nunca tenha sido adotado formalmente, recebeu o sobrenome Allan.
 Isso lhe permitiu ter uma educação de qualidade, bem como fazer uma longa viagem pela Inglaterra, Escócia e Irlanda com os pais adotivos. Edgar regressou aos Estados Unidos em 1822 e continuou seus estudos sob a orientação dos melhores professores dessa época. Dois anos depois, entrou para a Universidade de Charlotesville, distinguindo-se tanto pela inteligência quanto pelo temperamento inquieto, que o levou a ser expulso da escola.


 Com problemas com o pai adotivo, saiu de casa para se alistar nas forças armadas. Após esse período, começou sua carreira literária em 1827, com uma coleção anônima de poemas denominada “Tamerlane and Other Poems”.  
Em 1829 faleceu Francis Allan, sua mãe adotiva; Edgar ingressou na prestigiada Academia Militar de West Point (de onde foi expulso em 1831 por indiciplina), e publicou seu segundo livro “Al Aaraf”.  



Em 1836 casou-se  secretamente com sua prima Virginia Clemm; em 1838  publicou "A Narrativa de Arthur Gordon Pym, e finalmente , em 1839, a antologia de contos (em dois volumes) "Tales of the Grotesque and Arabesque" (Histórias Extraordinárias). Apesar de não ter sido um sucesso financeiro, a obra foi traduzida para o francês por Charles Baudelaire, e hoje é apontada como um marco da literatura norte-americana. 




Sua jovem esposa veio a falecer de tuberculose dois anos após Edgar Allan Poe publicar seu poema clássico “O Corvo”, que teve enorme sucesso. A morte da esposa agravou o seu problema com alcoolismo, o escritor passou a beber cada vez mais e já sofria os primeiros ataques de delirium tremens.






                                          "O Mundo de Poe" Arte by Cayman Moreira


Por volta de 1849, Poe planejava criar o seu próprio jornal, e em uma viagem a Nova York, para tratar de negócios, parou em Baltimore e hospedou-se numa taberna, aonde passou horas bebendo com amigos. Era noite de 6 de outubro, na madrugada do dia 7, Poe faleceria aos 40 anos.






 

                                                 "Edgar Allan" Arte by Leyla Buk


Ao longo de sua carreira, E.A.Poe foi autor de contos, poeta, editor e crítico literário. Hoje é reconhecido como um dos mais influentes escritores de contos de terror e também inventor do gênero de ficção policial, além de contribuições ao gênero de ficção científica.
Dentro do romantismo, Edgar Allan Poe ficou conhecido com sua parte sombria, pois trabalhou com temas como a morte, o mistério, a melancolia e o terror. Seus personagens principais sempre foram masculinos, mas, as mulheres tiveram uma importância muito grande, principalmente a dor e angústia da morte da linda mulher amada- que Poe dizia ser "o tema mais poético do mundo".
 A "prima Berenice" e seus dentes brancos; Ligeia, Annabel Lee, Eleonora, Lady Madeline Usher, Morella, Lenora, de "O Corvo"...





As mulheres na literatura de Poe são muito parecidas na aparência e personalidade. De aparência clássica, quase todas são altas, magras, pálidas, com olhos brilhantes e voz musical. O Cabelo era usualmente muito escuro, ou muito claro...




                                                                  Artes de David G. Forés



As donzelas de Poe podiam ser inocentes e muito simples, como Eleonora ou Annabel Lee, ou bastante intelectuais como Morella ou Ligeia. Todas eram nobres e gentis, e naturalmente muito bonitas, as vezes ficando feias por causa de uma doença, como no caso de Berenice. Mais marcante era a paixão e o amor eterno de todas por seus heróis trágicos.





                                          "O Retrato Oval" by David G. Forés




...Estas são algumas das donzelas ficcionais de Poe, inspiradas pelas Mulheres Reais de sua vida...


  Virginia Eliza Clemm





Virginia Eliza Clemm tinha sete anos quando conheceu seu futuro marido, seu primo, Edgar Allan Poe. Na época, Edgar tinha sido dispensado do exército e morava com a família pobre em Baltimore. A pequena Virgínia atuou como uma mensageira entre ele e uma jovem do bairro por quem ele havia se apaixonado. Edgar desenvolveu um carinho imenso por sua devotada prima.

Em 1836 eles decidiram se casar, Edgar tinha 27 anos e Virgínia tinha 13. Eles fizeram sua lua de mel em Petersburg, Virgínia.  Muitos acreditam que o casal nunca consumou o casamento, enquanto outros dizem que Edgar esperou até que sua noiva tivesse 16 anos para desvirginá-la. No entanto, apesar de todas as contas, Edgar e Virgínia eram um casal muito feliz e dedicado. Ou seja, apesar da crescente dependência de Edgar em álcool e outros estimulantes... 

Frances Sargent Osgood




Logo, no entanto, o escândalo tocou suas vidas. Edgar começou a flertar com uma jovem casada e poetisa chamada Frances Sargent Osgood. Consciente do relacionamento, Virginia com relutância encorajou isso, muitas vezes convidando Frances para sua casa porque a presença da mulher parecia reduzir o consumo de álcool de Edgar. Então, tudo foi tolerável por um tempo. Afinal, Virginia sabia que era melhor manter os inimigos perto. Desta forma, ela poderia esperar o fim desta relação.

Elizabeth Fries Lummis Ellet




Então surgiu Elizabeth Fries Lummis Ellet, também escritora e poeta. Ela ficou apaixonado por Poe e com ciúmes de Frances. Mas Edgar não teve interesse por Elizabeth. Ele achou o amor por ele irritante e fez tudo o que podia para a repelir com desprezo. Ela imprimiu muitos dos poemas de Edgar em um jornal editava.

Um dia, enquanto visitava Poe, Virgínia mostrou a intrusa, e rancorosa Ellet, uma das cartas pessoais de Osgood para Poe e apontou alguns parágrafos questionáveis.  Ellet tomou as coisas em suas próprias mãos e entrou em contato com sua  "inimiga". Ela advertiu fortemente a mulher a ter cuidado com suas indiscrições e pediu que suas próprias cartas fossem devolvidas por Poe. Osgood fez o que pôde para apaziguar a vingativa Ellet e enviou duas mulheres para pedir para Poe  as cartas. Irritado por sua interferênci, Poe as xingou, mas juntou todas as cartas de Ellet e as largou em sua casa.


                                           John Cusak é Allan Poe em "The Raven" (O Corvo, 2012  )

Mas, mesmo com suas cartas voltando para ela, Ellet ainda queria  vingança! Ela pediu a seu irmão, o Coronel Willaim Lummis, para intervir. Lummis, não acreditava que Poe já havia devolvido as cartas e ameaçou matá-lo. Ao ouvir isso, Poe solicitou uma pistola de seu amigo Thomas English para que ele pudesse se proteger. Mas mesmo o inglês não acreditava que Poe tivesse retornado as cartas e duvidou de suas intenções. Irritado por ser chamado de mentiroso, Poe acabou brigando fisicamente com seu amigo. A luta só provocou mais fofocas sobre seu caso com Osgood.

Infelizmente, as coisas não acabaram por lá. O marido de Osgood ameaçou processar Ellet a menos que ela se desculpasse formalmente por suas insinuações. Isso, por escrito, afirmando que a carta que a Virgínia lhe mostrou devia ter sido uma falsificação feita por Poe porque ele estava intemperante e propenso a loucura. Os inimigos de Poe estavam apenas ansiosos para divulgar isso em impressão, dizendo que Poe estava perturbado e insano.



Jeffrey Combs como um soturno ( e perfeito) Poe em "Nevermore... An Evening With Edgar Allan Poe" (Teatro )

Tudo isso afetou profundamente a pobre Virgínia e ela logo começou a receber cartas sobre o caso e as indiscrições de seu marido. Ela acreditava fortemente que as cartas vieram de Ellet.

 Logo, Virgínia  ficou acamada com tuberculose. A doença de sua esposa tornou Poe deprimido. Ele mesmo escreveu que sua doença o deixava louco entre "longos intervalos de sanidade horrível". 





A doença de Virgínia e a depressão de Poe levaram-os à miséria.  Após sua morte, Poe entrou em um colapso e afundou mais ainda na bebida. A perda de sua esposa era mais do que ele podia suportar. Ele não se preocupou mais com nada. O álcool continuou a adormecer sua dor. Ele visitou regularmente o túmulo de Virginia, no meio da noite, na neve fria. Sua relação com Osgood tinha terminado quando ela voltou para o marido, e Frances acreditava que Virginia era a única mulher que Poe realmente  havia amado...



                                                              Virginia by Thomas Sully



Uma parte do drama amoroso de Edgar-Virginia foi dramatizado romanticamente na cinebiografia "The Loves of Edgar Allan Poe" (Os Amores de Edgar Allan Poe, 1942) de Harry Lachman...




 O galã John Shepperd/Shepperd Studwick vive o poeta-escritor melancólico, e Linda Darnell seu grande amor Virginia Clemm.




"La Chute de la Maison Usher" (A Queda da Casa de Usher, 1928) de Jean Epstein, trazia Marguerite Gance (esposa do cineasta Abel Gance, que também faz uma ponta no filme...) como Lady Madeline...


...ela posa como modelo para uma pintura de seu esposo (Jean Debucourt; a relação incestuosa da história original foi removida), enquanto lentamente vai morrendo...


Myrna Fahey foi a Lady Madeline Usher em " House of Usher" (O Solar Maldito, 1960) de Roger Corman, com Vincent Price como Roderick Usher...




Na antologia "Tales of Terror" (Muralhas do Pavor, 1962) de Roger Corman, Maggie Pierce é Lenora, e Leona Gage aparece como a vingativa "Morella"...










No último filme do ciclo Corman-AIP-Poe "The Tomb of Ligeia" (Túmulo Sinistro, 1964) de Roger Corman...




... Elizabeth Shepherd vive o papel duplo de Lady Rowena e a enterrada-viva Ligeia...





Morella/Lenora aparecem em "The Haunting of Morella" (Morella-O Espírito Satânico, 1990) de Jim Wynorski...



...bom, apesar de produzido por Roger Corman, como parte de um revival de seus filmes dos anos 60, aqui temos o roteiro e direção de Wynorski...




...portanto, o que importa são as mulheres bonitas com pouca/ou nenhuma roupa e sustos baratos...



...em todo caso, Nicolle Eggert vive o papel duplo...


Edgar & Virginia aparecem no estranho (e fraquinho)  "Twixt" (Virgínia, 2011) de Francis Ford Coppola...





...um atormentado e decadente escritor de livros de terror (Val Kilmer), investiga um caso de assassinato sombrio em uma pequena cidade, e...




 ...em sonho conversa com Edgar Allan Poe (Ben Chaplin), e vê o fantasma de uma garota chamada...V. (Elle Fanning)...





Coppola tenta exorcizar fantasmas de seu passado com um filme inspirado em Allan Poe, mas fracassa, apesar do ótimo Edgar de Chaplin...




    "Then, methought, the air grew denser, perfumed from an unseen censer
Swung by Seraphim whose foot-falls tinkled on the tufted floor.
    “Wretch,” I cried, “thy God hath lent thee—by these angels he hath sent thee
    Respite—respite and nepenthe from thy memories of Lenore;
Quaff, oh quaff this kind nepenthe and forget this lost Lenore!”
            Quoth the Raven “Nevermore.”


Um comentário:

  1. Grande escrito que poderia ter escritos mais contos e tornando á sua mais coleção mais vasto ,mas ele morreu muito novo, vencido pelo o alcoolismo e perda de sua amada esposa ..mas nós deixou a sua obra escrita maravilhosa que poderá ser apreciada por varias gerações de leitores durante séculos , ótimo texto Mestre Coffin Souza ,senhor absoluto do mundo do Horror e Underground que habita esse planeta ,um abraço de Anselmo Luiz/ Spektro 72.

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